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Seguro rejeita falar de revisão de acordo nas Lajes com os EUA, mas defendeu-a há cinco meses

Seguro defendeu há cinco meses a revisão do acordo das Lajes com os EUA, o que mereceu reparos do MNE. Agora é Rangel que admite a revisão e o Presidente que não a quer comentar.

Rui Pedro Antunes
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Diogo Ventura
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Horas depois do ministro dos Negócios Estrangeiros admitir, em entrevista à Antena 1, uma revisão do acordo de uso da Base das Lajes com os Estados Unidos, o Presidente da República recusou-se a comentar o assunto. António José Seguro que tinha aterrado numa das pistas dessa base uma hora antes e que estava a poucos quilómetros da mesma, fugiu à questão: “Não é este o momento, estamos aqui para celebrar o Dia de Portugal (…).”. Ainda como candidato, no Debate da Rádio, o atual Presidente defendeu que o acordo devia ser “revisto à luz da nova geopolítica atual e das relações transatlânticas que mantemos e devemos manter com os EUA”.

Agora, em declarações aos jornalistas em Angra do Heroísmo, depois de um encontro com a representante da República, António José Seguro não quis comentar o assunto, não concretizando se ainda o fará nesta visita à Ilha, que termina na quarta-feira, no âmbito das Comemorações do 10 de Junho. Continua, porém, a existir uma diferença na posição do Presidente e MNE: Seguro não definia nenhum período temporal para a revisão do acordo, enquanto Rangel disse nas declarações divulgadas pela Antena 1 esta terça-feira que o acordo só pode ser revisto após terminar a Guerra no Irão.

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Já após o início do conflito, o ministro dos Negócios Estrangeiros afastou, na altura, a revisão do acordo, mas desvalorizou, na Rádio Renascença, a dessintonia entre Belém e São Bento: “Sempre houve posições do Presidente da República diferentes da posição do Governo.” Paulo Rangel deixava, porém, um aviso ao Presidente: “São muito claras as esferas de competência de cada um. E a definição da política externa, obviamente, que é uma competência do Governo”.

Agora, em Angra do Heroísmo, Seguro comentou as relações com os Estados Unidos da América, dizendo que são conhecidas as suas posições: “Sou um defensor da manutenção da NATO como organização de Defesa e de Segurança e considero que nós devemos ter boas relações com os EUA. Devemos aprofundar essas relações a todos os níveis: económico, social, de Segurança.”

Seguro defende, porém, que Portugal deve ter “ter uma visão mais alargada em relação ao Atlântico, de não olhar apenas para os EUA, olhar também para o Canadá e para sul”. E acrescenta: “Somos uma nação universalista e devemos dar expressão a esta vocação”. Seguro diz que também é um “defensor da autonomia estratégica da Europa”. Sobre se o Governo foi pouco prudente na forma como deu luz verde aos EUA para utilizarem a base, Seguro também não quis responder: “Este não é o momento para falarmos dessas situações. Este é um momento para celebrarmos Portugal, é um momento de união do nosso país.”

O Presidente foi questionado sobre se a escolha do local — a quilómetros da Base das Lajes — foi feita por uma questão de afirmação de soberania nacional, o que Seguro não negou: “O Presidente da República todos os dias afirma a soberania de Portugal. Fá-lo aqui como em Trás-os-Montes e no Alentejo. Afirmar a soberania e a independência nacional é uma das tarefas mais nobres e mais exigentes do Presidente da República”.