Com a ajuda do rival Google e depois das críticas à introdução tardia de Inteligência Artificial, a Apple vai reformular o seu sistema de assistência, que será transformado em inteligência artificial conversacional: a nova “Siri AI” promete uma melhor experiência aos utilizadores e mais segurança para as crianças e será lançada no outono.
As novas funções, que serão integradas nos restantes produtos Apple, foram anunciadas na segunda-feira pelo ainda CEO, na sede da empresa no Silicon Valley, na Worldwide Developers Conference (WWDC), numa altura em que, 15 anos depois, Tim Cook se prepara para passar o testemunho a John Ternus.
A reformulação da Siri é impulsionada pelo modelo da Gemini AI da Google, no âmbito de uma parceria entre as duas empresas. Segundo Mike Rockwell, vice-presidente de engenharia da Siri na Apple, citado pelo jornal The Guardian, o programa de assistência de voz terá a sua própria aplicação, semelhante à oferecida pela OpenAI ou pela Anthropic.
Mais conversacional e com uma nova voz, a ferramenta vai basear-se em interações anteriores com a aplicação e recorrer ao ecossistema Apple, para sincronizar o histórico de conversas entre os dispositivos do utilizador. A aplicação vai permitir auxiliar o planeamento diário, a compreensão de imagens, ou a compra online de bilhetes. Inicialmente apenas disponível em inglês, as inovações chegam até ao campo alimentar: a câmara vai fornecer informações nutricionais quando apontada para alimentos.
Fatores como a localização geográfica e o tipo de dispositivo serão, contudo, condicionantes da novidade. A “Siri AI” não estará, numa primeira fase, disponível na União Europeia e, algumas das funcionalidades só estarão disponíveis em iPhones, iPads e MacBooks com chips mais avançados.
“Nos últimos meses, as autoridades reguladoras da UE não aceitaram nenhuma das soluções propostas pela Apple para introduzir a IA da Siri”, explica a empresa, citada pela BBC.
Também o acesso alargado a funcionalidades como a geração de imagens estará dependente da subscrição do iCloud+, afirmou Craig Federighi, o responsável pela área de software da Apple.
Federighi criticou a Inteligência Artificial que não tem “em conta as pessoas a quem se destina a servir” e afirmou que a nova Siri foi desenvolvida com base nas necessidades do utilizador, assegurando a privacidade “em todas as etapas”, avançou o meio de comunicação americano.
As ferramentas de segurança aplicam-se especialmente às crianças. Apesar de reconhecer as vantagens de as crianças terem os seus próprios dispositivos, a Apple destacou a necessidade de estabelecer limites mais rigorosos. A empresa está a fornecer “ferramentas poderosas e fáceis de usar para gerir o que as crianças podem ver, com quem falam e quando têm acesso”, garantiu.
A funcionalidade “Ask” vai permitir exigir a aprovação dos pais antes de os jovens poderem conversar com uma pessoa desconhecida, ao mesmo tempo que a nova interface do “Tempo de Ecrã” permitirá perceber melhor quais as aplicações mais utilizadas. Qualquer imagem com conteúdo sexual ou violento impróprio, enviada para um dispositivo identificado como sendo de um menor, será censurada automaticamente.
O anúncio da adoção das medidas vem na sequência das críticas por parte de defensores da segurança infantil, que acusam a Apple de não ter tomado medidas suficientes para proteger as crianças.
Segundo a BBC, na madrugada de segunda-feira, antes da apresentação principal, um grupo de manifestantes reuniu-se no Apple Park Visitor Center para protestar contra a abordagem da empresa às medidas de segurança.
“Se a Apple conseguir proporcionar uma experiência com a fiabilidade, elegância e confiança que os utilizadores esperam, este poderá ser lembrado como o momento em que a Siri e a Apple Intelligence passaram de um papel secundário no ecossistema da Apple para o centro do seu futuro“, afirmou Francisco Jerónimo, vice-presidente de dados e análise da empresa de inteligência de mercado IDC EMEA.