O presidente da concelhia de Lisboa do Chega anunciou esta terça-feira a sua demissão como dirigente local do partido, a menos de três semanas do final do seu mandato. Luís Pereira Nunes vai manter-se como líder da bancada do Chega na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), quando as relações entre o grupo municipal e o vereador do partido na capital continuam cortadas.
O seu mandato à frente do Chega/Lisboa deveria acabar no dia 28 deste mês, quando o partido vai a votos para eleger as novas direções das suas distritais. No Chega, os presidentes de concelhia não são eleitos pelos militantes, mas nomeados pelos presidentes da distrital.
No entanto, Luís Pereira Nunes garante ao Observador que a sua demissão não resulta de uma cisão com o presidente da distrital de Lisboa, o deputado Pedro Pessanha, nem deve ser vista como um posicionamento para as eleições internas do Chega. “Não houve problema nenhum com a distrital, de maneira nenhuma.”
O deputado municipal do Chega rejeita que a sua demissão seja extemporânea e explica que também não se trata de um afastamento dos ideais do partido. “É preciso haver sangue novo na concelhia. Novas ideias, novos projetos. Não tenho tempo, efetivamente, para me dedicar a tudo e fazer as duas coisas como deve ser. Tive quatro anos a tentar fazer o melhor que podia e a dispensar o maior tempo possível.”
Apesar de ter apresentado a sua demissão à distrital com “efeitos imediatos“, Luís Pereira Nunes terá de continuar como presidente demissionário da concelhia, pelo menos, durante as próximas três semanas. A direção nacional do Chega terá indicado que não pode haver alterações nas concelhias até serem eleitos os novos presidentes das distritais.
Até ao dia de hoje, há três militantes que lançaram as respetivas candidaturas à presidência da distrital de Lisboa do Chega. São eles a atual número dois da distrital, Patrícia Almeida, que é deputada e vereadora na Câmara de Loures, António Pinto Pereira, ex-deputado que rompeu temporariamente com o partido para se candidatar à Câmara de Cascais, e Pedro Tomé Aleixo, que em outubro foi candidato do Chega à Câmara de Góis, em Coimbra.
Bruno Mascarenhas já se colocou oficialmente fora da corrida, depós de o seu nome, tal como o de Manuel Matias (pai de Rita Matias), ter sido discutido como um dos possíveis candidatos. No entanto, o vereador da Câmara de Lisboa admitiu interesse, em declarações ao Diário de Notícias, de se candidatar à presidência da concelhia de Lisboa caso o Chega decida no seu próximo congresso passar a também ter eleições para as concelhias.
“Nada mudou” na relação com Mascarenhas
Luís Pereira Nunes continuará a liderar a bancada do Chega na AML, cargo que teve dificuldade em conciliar com as suas responsabilidades como líder da concelhia do partido. “A Assembleia Municipal é para se levar a sério, dá muito trabalho. Sou contra a acumulação de cargos. Agora, é a altura da AML e de tentar fazer algo por Lisboa. Mas não me afastei do partido, de maneira nenhuma.”
Ao Observador, faz um balanço “mais do que positivo” dos seus quatro anos como presidente concelhio, após terem sido superados os objetivos propostos no início do mandato. “O nosso grande objetivo era triplicar o número de eleitos por Lisboa. Tínhamos 11 eleitos em 10 freguesias. Agora, temos 32 nas freguesias, mais seis na AML e um na vereação.”
No entanto, o início do atual mandato autárquico para o Chega em Lisboa não tem sido pacífico. Depois de ter eleito dois vereadores nas eleições de outubro por diferença de um voto, o partido viu Ana Simões Silva desfiliar-se para dar a maioria absoluta ao executivo municipal de Carlos Moedas. De seguida, a bancada do Chega na AML atirou para a porta de saída o único vereador que ainda tinha, Bruno Mascarenhas, na sequência do escândalo em torno da sua namorada, Mafalda Livermore, que foi nomeada por Moedas para os Serviços Sociais da Câmara de Lisboa (SSCML).
Luís Pereira Nunes rejeita que estes episódios manchem o seu mandato à frente do Chega/Lisboa, porque foi a direção nacional do partido que escolheu as listas para a Câmara de Lisboa e do Porto. O deputado municipal diz que aceitou essa decisão com “naturalidade” e, sem criticar diretamente a escolha de Mascarenhas como cabeça-de-lista, sugere que o tiro da direção foi mais certeiro no Porto, onde Miguel Corte-Real foi o escolhido. “Tivemos que aceitar, assim como no Porto também foi aceite. Mas no Porto é perfeito, foi uma escolha muito boa.”
Quanto à relação entre o grupo municipal e o vereador do Chega em Lisboa, Luís Pereira Nunes confirma que “nada mudou” desde que admitiu “não se rever minimamente” nas atitudes de Mascarenhas. Entre os eleitos do Chega na Câmara de Lisboa e na AML, não existe atualmente uma relação de cooperação e “cada um tem a sua autonomia”, conta. “A maior parte das vezes estamos sintonizados, embora não tenhamos combinado nada. (…) Não há combinação como deveria haver, isso reconheço.”