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(A) :: Vítimas dos alegados abusos sexuais de Mohamed Al-Fayed pedem investigação centrada no tráfico de pessoas

Vítimas dos alegados abusos sexuais de Mohamed Al-Fayed pedem investigação centrada no tráfico de pessoas

Mulheres defendem que só assim será possível identificar todos os colaboradores envolvidos numa alegada rede que terá facilitado os crimes sexuais atribuídos ao ex-dono do Harrods durante vários anos.

Manuel Nobre Monteiro
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As vítimas dos alegados abusos sexuais cometidos pelo magnata egípcio Mohamed Al-Fayed estão a exigir que as autoridades britânicas iniciem uma investigação centrada no tráfico de pessoas, defendendo que só desta forma será possível revelar a verdadeira dimensão da rede que, segundo afirmam, terá permitido ao antigo proprietário dos armazéns Harrods atuar durante décadas.

De acordo com o The Guardian, o apelo foi feito pela organização No One Above (NOA), fundada por vítimas que acusam de abusos sexuais o empresário que morreu em 2023, aos 94 anos. O grupo pretende que a Polícia Metropolitana de Londres alargue o âmbito da investigação em curso e coloque o tráfico de pessoas no centro das averiguações.

Já foram apresentadas mais de 400 acusações contra Al-Fayed, relacionadas com alegada má conduta sexual entre 1977 e 2014. As denúncias incluem alegações de violação, agressão sexual, tráfico de pessoas, privação ilegal de liberdade, administração de drogas sem consentimento, violência física e abortos forçados.

https://observador.pt/2024/09/23/uma-queixa-na-policia-uma-biografia-uma-investigacao-jornalistica-indicios-contra-al-fayed-remontam-aos-anos-90-mas-acusacao-nunca-surgiu/

Segundo advogados que representam o grupo Justice for Fayed and Harrods Survivors, 421 pessoas relataram alegados abusos ocorridos nos armazéns Harrods, em Londres, no hotel Ritz, em Paris, no clube de futebol Fulham FC e noutras propriedades ligadas a Al-Fayed.

Uma das alegadas vítimas trabalhou no Harrods durante mais de três anos na década de 1990, quando tinha 22 anos. A mulher afirma ter sido vítima de tráfico e abusos por parte de Al-Fayed. Em declarações à agência Press Association, descreveu um alegado padrão de atuação baseado na seleção, isolamento, manipulação, coerção, abusos e intimidação de jovens mulheres.

Segundo a alegada vítima, Al-Fayed percorria regularmente as áreas comerciais dos armazéns acompanhado por equipas de segurança e identificava mulheres que considerava atraentes. Posteriormente, elementos da sua equipa convidavam essas funcionárias para reuniões nos seus escritórios, momento que, alegadamente, marcava o início do processo de abuso. Várias mulheres foram ameaçadas para manterem silêncio, alegando que as equipas de segurança as seguiam e faziam ameaças diretas de represálias ou destruição das suas vidas.

Um ex-gerente da loja disse à BBC que qualquer pessoa que tenha trabalhado num cargo de chefia para Al-Fayed e que afirme não saber o que ele fazia às mulheres “é um mentiroso”. As declarações deste outro antigo funcionário constam do documentário Al-Fayed: Predator At Harrods, emitido pela BBC em 2024 e que deu voz a cerca de 20 ex-funcionárias dos armazéns Harrods.

O jornalista especialista em direitos civis Henry Porter assinou, por seu turno, um artigo de opinião no The Guardian em que denuncia a cultura de silenciamento em torno dos abusos, em que, diz, participaram advogados, seguranças, responsáveis dos recursos humanos e até médicos: “[Estas pessoas] facilitaram-lhe o caminho e limparam o que ele fez, permitindo que as agressões e as violações continuassem”.

A Polícia Metropolitana londrina está atualmente a investigar os relatos de cerca de 150 vítimas que contactaram diretamente as autoridades, incluindo 21 que apresentaram queixas antes da morte do empresário. No entanto, a NOA considera que a investigação deve focar-se prioritariamente no tráfico de pessoas para permitir identificar uma eventual rede internacional de colaboradores que terá facilitado os abusos.

https://observador.pt/2025/08/14/policia-metropolitana-investiga-146-denuncias-contra-mohamed-al-fayed/

Num comunicado citado pelo The Guardian, a Polícia Metropolitana afirmou que continua a conduzir “uma das maiores e mais complexas investigações policiais”. As autoridades acrescentaram que nos últimos 18 meses têm recolhido “depoimentos detalhados de vítimas e testemunhas para construir um quadro abrangente das alegações”, garantindo que “as vítimas continuam no centro da investigação”.