O prejuízo do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) agravou-se para 7,6 milhões de euros em 2025, apesar de o instituto ter beneficiado de reforços orçamentais e de ter sido autorizado a recorrer a verbas de anos anteriores, de acordo com o relatório de gestão e atividades do INEM de 2025. É o segundo ano consecutivo em que o INEM regista resultados negativos, depois de um saldo negativo de 340 mil euros em 2024.
“O INEM dispõe assim de uma situação orçamental, económica e financeira em deterioração, devido ao aumento da pressão sobre a despesa, designadamente por via do aumento das transferências para os parceiros do SIEM e dos gastos com pessoal”, pode ler-se no relatório, disponível na página do INEM e homologado recentemente pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
O documento nota que, caso não tivesse havido um reforço orçamental, o défice seria ainda maior. “Caso o orçamento não tivesse sido reforçado em 24,80 milhões de euros, o resultado líquido do período seria de 32,4 milhões de euros negativos, valor próximo da estimativa de défice de 31 milhões que foi comunicada à tutela nos pedidos de reforço orçamental”, continua o relatório. Para além disso, o INEM contou com a “aplicação do saldo da gerência anterior”, no valor de 13,85 milhões de euros.
https://observador.pt/2026/06/05/inem-com-reforco-de-30-milhoes-de-euros-para-compensar-aumentos-das-verbas-para-os-bombeiros/
O relatório relaciona a “deterioração” das contas do INEM com uma “redução substancial dos resultados (-7,60 milhões)” devido à implementação do novo modelo de financiamento do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), “que gerou um aumento dos encargos com as transferências para os parceiros”, ou seja, bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa, de 37,4%. Além disso, os gastos com pessoal também tiveram um incremento significativo, assinala o relatório, de mais de 26%, devido ao “acréscimo do número de trabalhadores e às valorizações remuneratórias”.
Em 2026, o instituto liderado por Luís Cabral vai contar com uma dotação extraordinária de aproximadamente 30 milhões de euros, adiantou há poucos dias fonte do INEM à agência Lusa.
Este reforço visa fazer face à escalada de encargos decorrente da revisão em alta dos subsídios atribuídos aos corpos de bombeiros e à Cruz Vermelha Portuguesa, relativos aos anos de 2025 e 2026. Esta verba provirá diretamente do Orçamento do Estado e destina-se a equilibrar as contas da instituição, pressionadas pelo aumento das contrapartidas financeiras pagas aos parceiros do SIEM.