Um post publicado durante o fim de semana nas redes sociais do Booker Prize, o mais importante prémio de ficção em língua inglesa, refere que o romance A História de Uma Serva, de Margaret Atwood, foi proibido em Portugal e em Espanha, o que não corresponde à verdade. Contactado pelo Observador, o galardão justificou a publicação com uma citação da própria Atwood, que, em 2022, a propósito de uma cópia especial da sua famosa distopia, disse que o romance tinha sido proibido em “Portugal e Espanha no tempo de Salazar e dos franquistas”, quando ainda nem sequer tinha sido publicado.
A História de Uma Serva, uma distopia sobre uma sociedade totalitária e patriarcal conhecida como República de Gilead, foi publicada, pela primeira vez, em 1985, dez anos após o fim das ditaduras portuguesa e espanhola, que perduraram até meados dos anos 70. Apesar deste desencontro temporal, em 2022, a propósito da criação de uma cópia “impossível de queimar” da obra, que foi leiloada em Nova Iorque para chamar a atenção para o aumento do número de livros proibidos nos Estados Unidos da América, a autora destacou que o seu livro tinha sido “banido muitas vezes”, incluindo em Portugal e Espanha.

“A História de Uma Serva foi banido muitas vezes — às vezes por países inteiros, como Portugal e Espanha no tempo de Salazar e dos franquistas, outras vezes por direções escolares e bibliotecas. Esperemos que não cheguemos ao ponto de queimar livros em massa, como acontece no Fahrenheit 451”, declarou Atwood, citada num comunicado emitido pela Penguin Random House, responsável pela criação da cópia “impossível de queimar”, em colaboração com a autora, que atingiu os 130 mil dólares (cerca de 113 mil euros) no leilão realizado em junho de 2022 pela Sotheby’s. O valor foi doado à PEN America, que trabalha na defesa da liberdade de expressão.

Em resposta às questões colocadas pelo Observador, o Booker Prize declarou que, “após rever a informação, a referência ao livro ter sido banido em Portugal e Espanha foi retirada do site dos Booker Prizes e um esclarecimento será publicado nas redes sociais”. Essa explicação repete a mesma informação dada por email ao Observador — que a informação tem origem numa citação da própria Atwood e que, após uma análise, foi retirada das plataformas oficiais do prémio, onde alguns utilizadores já tinham chamado a atenção para o erro.
Margaret Atwood vai estar em Portugal no final deste mês de junho, para participar no festival literário Babell, no Porto.