Um sismo de magnitude 7,8 na escala de Richter atingiu na madrugada desta segunda-feira o sul das Filipinas, ao largo da ilha de Mindanao, causando um tsunami de um metro para o qual já tinham sido emitidas ordens para a evacuação de várias zonas costeiras da região. Fontes provinciais da região, contactadas pela Agência France-Presse (AFP), confirmaram, esta terça-feira, que o desastre natural fez pelo menos 41 mortos e 450 feridos.
“Vários edifícios ruíram. Algumas casas também desabaram”, declarou Robert Dagon, responsável da polícia de General Santos, cidade da ilha de Mindanao. Já há imagens de destruição nas redes sociais daquele que foi o sismo mais forte a atingir as Filipinas este ano, numa das regiões mais sísmicas do planeta, e que cortou a eletricidade em partes da ilha.
Segundo a AFP, várias pessoas feridas receberam cuidados ao ar livre, enquanto os esforços das equipas de resgate foram dificultados pelas várias réplicas registadas na mesma zona. Muitas estradas de acesso ficaram bloqueadas e, conforme referiram várias fontes à agência noticiosa francesa, milhares de cidadãos permanecem desalojados.
Na região de Glan, onde pelo menos 13 pessoas morreram num deslizamento de terras, um funcionário hospitalar disse que mais de 60 doentes estavam deitados em camas transferidas para o exterior do edifício, por temerem que os tremores tivessem enfraquecido a estrutura.
O presidente filipino, Ferdinand Marcos, suspendeu as aulas nas zonas afetadas de Mindanao e fez um pedido urgente à população: “Dirijam-se já para zonas mais altas. Não esperem“, disse, citado pela Euronews. “A vida é mais importante do que qualquer coisa que fique para trás.”
Há várias imagens nas redes sociais que mostram alunos da escola primária em Davao que tinham começado as aulas esta segunda-feira a tentarem proteger-se enquanto o chão treme “violentamente”, como conta a CNN. Outras imagens mostram o telhado de uma escola secundária a colapsar.
Além do impacto inicial, que se registou às 7h37 locais (23h37 em Portugal continental), ainda na segunda-feira, o El Mundo dava nota de que se registaram uma réplica de 6,4 na escala de Richter e pelo menos quatro réplicas entre 5,8 e 6,4. Esta terça-feira, porém, foi divulgado que se seguiram cerca de 870 réplicas, com magnitudes entre 1,3 e 6,7, de acordo com os dados oficiais.
https://twitter.com/surajit_ghosh2/status/2063786500513525919
https://twitter.com/RapidReport2025/status/2063782306427318402
De acordo com os dados, já revistos, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o abalo ocorreu às 7h37 locais desta segunda-feira (23h37 de domingo em Portugal continental), teve epicentro no mar, ao largo da costa sul de Mindanau, numa zona situada entre a península de Davao e a região de Sarangani.
Os dados foram revistos pelos sismólogos em relação à magnitude, que foi inicialmente avançada como sendo superior a 8,0.
https://twitter.com/volcaholic1/status/2063785026496410060
https://twitter.com/volcaholic1/status/2063769725558026753
https://twitter.com/volcaholic1/status/2063784045624873455
https://twitter.com/Breaking911/status/2063779031686738322
https://twitter.com/AlertaNews24/status/2063779896418013490
Tendo sido inicialmente estimada uma profundidade de 36 quilómetros, o sismo foi considerado relativamente superficial. Informações posteriores, divulgadas pelo Instituto de Vulcanologia e Sismologia das Filipinas, calcularam a profundidade para 10 quilómetros.
Os abalos deste tipo são mais sentidos à superfície e têm maior potencial destrutivo do que os sismos que ocorrem a maior profundidade.
O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico informou, logo após o sismo, que ondas de tsunami de até três metros eram uma possibilidade em algumas zonas da costa das Filipinas. Também houve alerta para a possibilidade de ondas de até um metro possíveis em algumas zonas da costa da Indonésia e da Malásia, e de ondas menores em Taiwan, Japão, Guam, Papua-Nova Guiné e várias nações insulares e territórios no Pacífico ocidental. Alguns desses alertas foram cancelados, mas nalgumas zonas da Indonésia, Filipinas e Japão registaram-se ondas de alguns centímetros de altura até mais de um metro.
https://twitter.com/RochexRB27/status/2063777772430827797
O sismo ocorreu numa das regiões tectonicamente mais complexas do planeta. O sul das Filipinas situa-se no Anel de Fogo do Pacífico, a cintura sísmica e vulcânica que concentra cerca de 90% dos sismos registados no mundo.
https://twitter.com/volcaholic1/status/2063780528101179826
A região de Mindanao, nas Filipinas, fica próxima da zona de contacto entre várias placas tectónicas e microplacas ativas, responsáveis por alguns dos maiores sismos registados no Sudeste Asiático.
https://twitter.com/WW3_Monitor/status/2063777249308885071
Edifícios governamentais, habitações, estradas e pontes, entre outras infraestruturas, ficaram danificados pelo sismo. Sabe-se que uma das localidades mais afetadas é a cidade de General Santos, onde vários edifícios ruíram. As equipas de emergência criaram abrigos destinados às famílias residentes afetadas.
Na sequência do sismo, foi ativado o alerta de tsunami em vários países do Pacífico e registaram-se, na zona afetada das Filipinas, pelo menos cinco deslizamentos de terra.
A agência sismológica das Filipinas (Phivolcs), que manteve o alerta ativo durante quase oito horas, confirmou a chegada de ondas em pelo menos seis localidades costeiras, entre elas Kiamba (Mindanao), onde atingiram 1,48 metros acima do nível do mar.