A Visabeira Indústria conseguiu apenas 0,24% de ações da Martifer que foram alvo de uma OPA (oferta pública de aquisição). Estavam disponíveis para compra 14,41%. Ou seja de um total de 14,4 milhões de títulos que eram objeto da oferta a Visabeira só conseguiu o compromisso de comprar 239,26 mil ações.
No final da oferta, a Visabeira, em conjunto com a Mota-Engil e a I’M dos irmãos Martins, ficou com 85,83% de ações, correspondentes a 87,77% dos direitos de voto, o que não lhe permite avançar com uma aquisição potestativa sobre as restantes ações (só possível se obtivesse 90% ou mais dos direitos de voto da Martifer).
https://observador.pt/2025/08/06/visabeira-e-a-cara-da-opa-lancada-sobre-martifer-para-compor-nucleo-duro-com-mota-engil-e-irmaos-martins/
Assim, para tirar a Martifer de bolsa a Visabeira terá de tentar fazê-lo com um pedido à assembleia geral para aprovação da exclusão voluntária de negociação de ações em bolsa, que também requer a aprovação, em assembleia-geral, de uma maioria não inferior a 90% dos direitos de voto.
A Visabeira fez essa proposta para a sua participada Vista Alegre Atlantis e recebeu a aprovação em assembleia-geral para a retirada de bolsa na assembleia que decorreu dia 29 de maio.
Apesar de a Visabeira Indústria ter admitido a intenção de obter os 90% de direitos de voto para retirar a empresa de bolsa, certo é que a OPA não tinha qualquer condição de sucesso, pelo que a Visabeira terá de comprar as ações que foram alvo de ordens de venda, a 2,057 euros. Ou seja, a Visabeira nesta oferta terá de desembolsar pouco menos de 500 mil euros.
A oferta começou a ficar ensombrada quando várias associações minoritárias revelaram opor-se ao valor oferecido, tendo mesmo, como contou o Eco, um fundo de investimento colocado ordens de compra de 4 milhões de ações da Martifer a 2,25 euros (acima do preço da OPA) na bolsa de Lisboa.