Os astronautas da Crew-12 que estão na Estação Espacial Internacional foram obrigados a procurar abrigo na nave após terem começado trabalhos para reparar uma fuga de ar a bordo da estação, com a possibilidade de terem de evacuar e regressar a Terra, avançou a Reuters. Cerca de duas horas depois, a NASA confirmou que os astronautas já tinham abandonado o protocolo de segurança e que as atividades naquela estação em órbita terrestre já foram retomadas.
As operações de manutenção foram marcadas para esta sexta-feira depois de a Roscosmos, a agência espacial russa, ter relatado um agravamento das fissuras e fugas de ar já conhecidas “há já algum tempo” no túnel de transferência do módulo de serviço Zvezda. Desde que foram conhecidos estes problemas na Estação Espacial Internacional, tem sido a Roscosmos a “tomar todas as medidas para mitigar o problema”, sempre com o apoio da NASA, como revelou a agência através de uma publicação na rede social X.
https://twitter.com/NASASpox/status/2062886271064633576
Esta decisão, que a NASA diz ter sido “por uma questão de precaução”, foi tomada na segunda-feira, colocando os quatro astronautas da missão Crew-12 com os fatos espaciais dentro da nave Dragon, da SpaceX, no caso de ser necessário evacuar, enquanto a tripulação da Roscosmos avança com “uma operação de reparação mais abrangente” esta sexta-feira.
“Continuamos a trabalhar com os nossos homólogos russos, juntamente com o resto da comunidade internacional que apoia a estação espacial, para chegar a uma solução mais duradoura”, escreve a porta-voz da NASA nas redes sociais. A tripulação da Crew-12 inclui os astronautas da NASA Jack Hathaway e Jessica Meir, mas também a astronauta da ESA Sophie Adenot e o cosmonauta Andrey Fedyaev. Para além destes quatro, que chegaram em fevereiro, estão também Sergey Mikayev e Sergey Kud-Sverchkov, da Roscosmos — os responsáveis pelos trabalhos de manutenção — e ainda Chris Williams, da NASA.
Ao Observador, fonte oficial da ESA garante que a Agência Espacial Europeia está a acompanhar as operações levadas a cabo pelos parceiros internacionais para garantir que este problema é resolvido o mais cedo possível. “A ESA está plenamente ciente das discussões em curso e das medidas de mitigação adotadas”, acrescentam na resposta enviada.
Mas cerca de duas horas depois de a agência espacial norte-americana ter confirmado que o protocolo de segurança havia sido ativado, a NASA garantiu que os trabalhos foram interrompidos e que os quatro astronautas que estavam prontos a evacuar já regressaram ao seu posto de trabalho e as atividades a bordo da Estação Espacial Internacional foram retomadas.
https://twitter.com/NASASpox/status/2062911600181350832
“A Roscosmos suspendeu os trabalhos de reparação estrutural que decorriam na sexta-feira no túnel de transferência do módulo de serviço Zvezda, conhecido como PrK, enquanto se analisam mais medições e dados. Tendo em conta esta evolução, a NASA instruiu os membros da tripulação a bordo da nave espacial Dragon para que encerrem os protocolos de abrigo e regressem às operações previstas a bordo da Estação Espacial Internacional. Estamos ansiosos por trabalhar com a Roscosmos numa abordagem colaborativa para resolver os problemas de fugas”, escreveu a porta-voz da NASA na rede social X.
À Interfax, a agência espacial russa confirmou que uma primeira fuga foi colmatada “rapidamente” após ter sido aplicada uma camada de proteção com o “composto vedante Germetal-1”. Existe ainda uma segunda fuga que estará ainda por resolver, mas que já foi identificada na “secção cónica da câmara de transferência”.
As fugas de ar assolam aquele módulo russo desde 2019, quando os astronautas foram alertados para uma mudança de temperatura naquele compartimento da Estação Espacial Internacional. Desde então, a Roscosmos tem feito diferentes operações para remendar e mitigar os efeitos destas fissuras no túnel de transferência que liga o módulo Zvezda à nave russa Progress, que abastece periodicamente a estação com mantimentos.
Os problemas e fissuras constantes fizeram com que a NASA assinalasse este módulo com o nível máximo de risco de segurança. Foi só em janeiro deste ano, depois de múltiplas ocasiões que obrigaram as agências a acionar este protocolo de potencial evacuação, que os norte-americanos indicaram que o problema poderia estar resolvido, relatando leituras estáveis naquele compartimento. As dúvidas permaneceram e, no início de maio, quando a tripulação russa se preparava para esvaziar os conteúdos da nave Progress, os sensores naquele túnel de transferência detetaram uma mudança súbita, que marcou o regresso das fugas de ar.
As duas agências têm debatido sobre a melhor forma de resolver o problema, com os russos a optarem por pequenos arranjos provisórios para não interromper as operações naquele módulo, enquanto os norte-americanos mostraram-se céticos com a metodologia adotada e, por isso, optaram por abrigar-se na nave Dragon, da SpaceX, que está acoplada à estação. De acordo com a Reuters, que cita uma fonte da NASA que quis manter o anonimato, os dois cosmonautas que ficaram responsáveis pela manutenção da Zvezda utilizaram uma serra para conseguir aceder ao local onde a fuga estava instalada, o que terá motivado a preocupação dos responsáveis norte-americanos.
As operações marcadas para esta sexta-feira estavam previstas desde o início da semana, com a Roscosmos a abandonar os métodos de arranjo habituais para se dedicar a uma solução permanente e encerrar o capítulo que tem sido marcado por estes problemas recorrentes na Estação Espacial Internacional.