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(A) :: "É o elo mais fraco do Governo." PS/Porto acusa ministra da Saúde de mostrar "desespero" depois de críticas a Fernando Araújo

"É o elo mais fraco do Governo." PS/Porto acusa ministra da Saúde de mostrar "desespero" depois de críticas a Fernando Araújo

Socialistas dizem que Ana Paula Martins optou "por ataques pessoais" contra o antigo diretor-executivo do SNS para "desviar atenções do fracasso da sua governação".

Tiago Caeiro
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Está instalado um clima de tensão entre a ministra da Saúde e o Partido Socialista. Depois de Ana Paula Martins ter feito, esta quarta-feira, duras críticas ao antigo diretor-executivo do SNS Fernando Araújo — que também foi cabeça de lista pelo PS nas últimas eleições legislativas pelo círculo do Porto —, a Federação Distrital do Porto do PS emitiu um comunicado, já esta sexta-feira, no qual acusa a ministra da Saúde de mostrar “desespero político” e de tentar “desviar atenções do fracasso da sua governação”.

“As declarações da ministra da Saúde na Assembleia da República, dirigindo-se ao antigo Diretor Executivo do SNS, Prof. Dr. Fernando Araújo, constituem uma tentativa evidente de desviar atenções do fracasso da sua governação e do estado catastrófico em que se encontra atualmente o Serviço Nacional de Saúde”, sublinha a Federação Distrital do Porto do PS, num comunicado enviado às redações, acrescentando que, perante um quadro de “degradação dos indicadores de saúde”, Ana Paula Martins “opta pelos ataques pessoais em vez de responder pelos resultados do presente”.

Em causa estão as declarações da ministra da Saúde, na quarta-feira, durante uma audição regimental da Comissão de Saúde da Assembleia da República. Questionada por um deputado socialista sobre a saída de Araújo da liderança da Direção Executiva do SNS, Ana Paula Martins acusou o médico hematologista de ter “batido com a porta porque quis” e de ter “fugido” dos resultados das medidas que tomou (nomeadamente a mudança no modelo de financiamento dos hospitais), desafiando Fernando Araújo a assumir o lugar de deputado na Assembleia da República para que possa falar com o Governo “frente a frente” e não através dos jornais.

“O Professor Fernando Araújo bateu com a porta porque quis. Ninguém o mandou embora. Fez uma reforma e não ficou para assumir as consequências da reforma que fez. Pior do que isso: devia estar aqui sentado ao lado dos senhores deputados porque foi eleito como cabeça de lista pelo Porto, mas achou que isto não era suficientemente digno para ele”, disse a ministra, provocando ruidosos protestos da bancada do PS, o que levou mesmo à intervenção do presidente da Comissão de Saúde. “Fugiu daquilo que tinha feito”, reforçou Ana Paula Martins, respondendo aos protestos dos deputados socialistas.

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Em comunicado, o PS/Porto lembra as “crises” nos hospitais, a “instabilidade na Direção Executiva do SNS” e “os problemas” no INEM e conclui que “os portugueses enfrentam mais dificuldades no acesso ao SNS e assistem ao agravamento de muitos dos problemas que o Executivo prometeu resolver”. Por isso, consideram os socialistas, Ana Paula Martins é “o elo mais fraco do Governo”.

“A ministra da Saúde é hoje o elo mais fraco deste Governo e o rosto da incompetência na Saúde. Prometeu soluções rápidas, interrompeu reformas em curso, afastou equipas credíveis e acumulou falhanços que estão à vista de todos”, diz a Federação Distrital do Porto do PS, liderada por Nuno Araújo, realçando que as declarações de Ana Paula Martins “revelam desespero político”.

Na audição parlamentar de quarta-feira, a ministra da Saúde criticou a reforma das Unidades Locais de Saúde (ULS), levada a cabo por Fernando Araújo no final de 2023, e que transformou todos os antigos Centros Hospitalares em ULS, generalizando o modelo a todo o país. Ana Paula Martins considera que a medida (que o Governo da AD chegou a ponderar reverter parcialmente) desequilibrou as contas dos hospitais, particularmente dos hospitais universitários, levando todos os hospitais a apresentarem resultados negativos, devido ao modelo de financiamento por capitação. Recorde-se que, no final de 2023, Ana Paula Martins demitiu-se da liderança da ULS de Santa Maria, por não concordar com este modelo de capitação.

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A ministra da Saúde chegou mesmo a comparar o antigo diretor executivo do SNS ao rei D. Sebastião, desaparecido na Batalha de Alcácer-Quibir, no século XVI, e que, segundo a lenda, voltará numa manhã de nevoeiro para salvar Portugal. “A reforma do tal D. Sebastião prevê uma capitação igual para todos […] Vêm sempre com o professor Fernando Araújo como se fosse o Dom Sebastião“, ironizou Ana Paula Martins, lançando um desafio ao ex-diretor executivo do SNS. “Chamem o professor Fernando Araújo para assumir as suas funções em nome do povo e nessa altura falamos frente a frente”, disse a ministra, referindo que Fernando Araújo “de vez em quando diz umas coisas para os jornais e fica-se por aí”.