A Microsoft anunciou que vai reforçar os mecanismos de controlo em matéria de direitos humanos ao fechar contratos com agências de segurança nacional. De acordo com o The Guardian, a decisão foi tomada após uma investigação revelar que o Exército de Israel utilizou a cloud da Microsoft para vigiar em massa os palestinianos.
A empresa divulgou esta quinta-feira as conclusões da investigação, indicando que os “resultados factuais permanecem os mesmos [da investigação preliminar]” e que irá implementar um conjunto de recomendações destinadas a melhorar a eficácia da gestão em matéria de direitos humanos.
O inquérito foi lançado em 2024 na sequência de uma reportagem do The Guardian, em conjunto com a publicação israelo-palestiniana +972 Magazine e o órgão de comunicação social israelita Mekomit. A investigação jornalística revelou que a unidade de informações militares israelita Unidade 8200 utilizava a plataforma Microsoft Azure para armazenar grandes volumes de chamadas telefónicas intercetadas de palestinianos.
Pouco depois do início da investigação, a Microsoft retirou ao exército israelita o acesso a vários serviços de cloud e inteligência artificial, após conclusões preliminares terem indicado que a Unidade 8200 violou os termos de utilização da empresa.
https://observador.pt/2025/09/26/microsoft-corta-acesso-do-exercito-israelita-a-tecnologia-usada-para-vigiar-chamadas-em-gaza-e-na-cisjordania/
A Unidade 8200 usava uma área personalizada e segregada de um programa de vigilância desenvolvido pela empresa, o Azure, para armazenar estas comunicações por “um período alargado de tempo“, sendo o arquivo depois analisado com tecnologias de inteligência artificial. Todo o repositório das chamadas na nuvem estava armazenado num centro de dados da Microsoft nos Países Baixos. Pouco depois da reportagem ser divulgada, as forças israelitas transferiram todos os dados para fora do país.
Fontes citadas pelos meios de comunicação que acompanharam o processo indicaram que o inquérito analisou também potenciais conflitos de lealdade sentidos por alguns trabalhadores sediados em Telavive, divididos entre as suas responsabilidades profissionais e o apoio às Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla inglesa) após os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023.
No mês passado, a Microsoft anunciou a saída do responsável máximo pelas operações em Israel. De acordo com o Times of Israel, a decisão ocorreu após uma controvérsia relacionada com alegadas violações do código de ética da empresa. Outros gestores terão igualmente deixado a subsidiária.
Entre as medidas agora anunciadas está o reforço da avaliação prévia de contratos relacionados com segurança nacional, assim como alterações na gestão de autorizações de segurança atribuídas por governos estrangeiros.
A Microsoft anunciou, ainda, inspeções periódicas para verificar o cumprimento das políticas de utilização por parte dos clientes quando ocorram alterações políticas relevantes ou mudanças em projetos considerados sensíveis.