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O ministro da Defesa polaco pediu esta sexta-feira formalmente a Kiev para reconsiderar a decisão de nomear uma unidade militar em homenagem aos “heróis da UPA”, nome de uma milícia que matou milhares de polacos na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Numa declaração oficial divulgada esta sexta-feira aos meios de comunicação ucranianos e num vídeo publicado nas plataformas digitais, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz alertou que tais ações “minam a confiança bilateral no quadro da guerra contra a Rússia” e reiterou que a decisão do Presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, causou “profunda dor, ansiedade e oposição” entre os cidadãos polacos.
Kosiniak-Kamysz acrescentou que, apesar de Varsóvia prestar atualmente apoio militar à Ucrânia em nome da liberdade e da segurança, “o genocídio continua a ser genocídio”.
O ministro referiu-se aos massacres da Volínia ocorridos entre 1943 e 1945: a limpeza étnica levada a cabo pelo Exército Popular Ucraniano (UPA) na qual, segundo os historiadores polacos, morreram 100 mil civis.
Na mesma declaração, o ministro da Defesa da Polónia afirmou que a verdadeira amizade “exige sinceridade” e instou as autoridades ucranianas a “encontrarem uma forma de homenagear os heróis modernos sem prejudicar a memória das vítimas polacas”.
A controvérsia em torno da milícia ucraniana UPA tem causado tensões políticas entre Varsóvia e Kiev.
Recentemente, o presidente polaco Karol Nawrocki propôs a revogação de uma condecoração atribuída a Zelensky pela decisão de homenagear o UPA.
Em agosto do ano passado, Nawrocki aprovou também uma lei que equipara os símbolos da UPA ao regime nazi alemão e ao comunismo soviético, punindo a glorificação da milícia ou a exibição pública dos emblemas com três anos de prisão.
No entanto, Kiev avisou que daria “uma resposta firme” caso a Polónia implementasse a lei, que disse ser “politizada”.
No verão passado, a Polónia expulsou 60 pessoas por transportarem uma bandeira da UPA durante um jogo de futebol no Estádio Nacional de Varsóvia.
Há menos de dois meses, uma equipa de arqueólogos polacos começou a exumar valas comuns em locais na Ucrânia onde ocorreram massacres de polacos, uma ação considerada como o primeiro passo para a reconciliação sobre o assunto.