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O Presidente russo, Vladimir Putin, foi informado da proposta de negociações diretas difundida pelo Presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, disse esta sexta-feira o gabinete presidencial da Rússia.
“Ele (Vladimir Putin) foi informado“, disse o porta-voz presidencial russo, Dmitri Peskov, em declarações aos jornalistas.
A proposta de negociações foi difundida na quinta-feira à noite pelo chefe de Estado ucraniano, Volodimir Zelensky.
Sobre a reação do líder russo, Peskov respondeu que a Rússia não vai antecipar os acontecimentos, embora tenha acrescentado que o Presidente russo pode vir a fazer alusão ao assunto durante o discurso na sessão plenária do Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, que termina no sábado.
Peskov salientou que a Rússia “não tem canais oficiais” de contacto com a Ucrânia através dos quais Kiev pudesse enviar um documento.
Por outro lado, Peskov manifestou confiança de que a atual pausa nas negociações mediadas pelos Estados Unidos, que se prolonga desde fevereiro devido à guerra no Irão, venha a ser resolvida o “mais rapidamente possível”.
Na carta aberta, Zelensky propôs ao homólogo russo que se encontrem num país terceiro, como a Suíça, a Turquia ou um país árabe. No passado, Moscovo mostrou oposição ao formato de reunião proposto pela Ucrânia.
“Podem pôr fim à vossa guerra”, disse Zelensky no documento, acrescentando que os países europeus também devem participar nas negociações. A proposta de mediação europeia já foi rejeitada por Vladimir Putin.
Segundo o documento ucraniano, o primeiro passo deve ser um cessar-fogo e uma troca de prisioneiros, começando pelos civis e crianças alegadamente raptados pela Rússia.
No final da carta, Zelensky disse que “se Vladimir Putin não terminar a guerra em breve”, o povo russo vai forçar mudanças no país.
Zelensky sublinhou ainda que atualmente a maioria dos ucranianos encara “com bons olhos” o facto de os drones de longo alcance de Kiev “terem visitado” o Fórum Económico de São Petersburgo, referindo-se ao ataque levado a cabo na quarta-feira contra a cidade russa.
Numa conferência de imprensa com jornalistas das principais agências de notícias estrangeiras, Putin afirmou na quinta-feira que está disposto a assinar um acordo de paz com a Ucrânia, desde que Kiev faça concessões, aludindo à retirada das tropas ucraniana do Donbas.
Além disso, Putin afastou a possibilidade de um cessar-fogo, argumentando que as conversações de paz poderiam começar enquanto os combates continuassem. Zelensky propôs uma trégua, rejeitando na carta aberta a posição do Presidente russo.