A criação ilegal de mais de 100 mil baratas vivas foi desmantelada na cidade de Bathurst, na Austrália, naquela que foi a maior apreensão de invertebrados exóticos de sempre, anunciaram as autoridades do país esta sexta-feira.
Entre baratas sibilantes de Madagáscar — uma das maiores baratas do mundo — e baratas Dubia — usadas para alimentar lagartos de estimação —, o criador comercial possuía uma quantidade de insetos equivalente a 122.674 euros. De acordo com o comunicado do Departamento das Alterações Climáticas, Energia, Ambiente e Água da Austrália, os insetos foram apreendidos esta semana, no estado de New South Wales.
Mesmo para a Austrália, que abriga centenas de espécies devido ao clima subtropical, a barata de Madagáscar apresenta um tamanho fora do normal, podendo chegar até aos 8 centímetros de comprimento.
Segundo Stefanie Lesser, uma caçadora de cobras em Bathurst, esta espécie exótica estava provavelmente a ser vendida como alimento para répteis, de forma economicamente vantajosa, uma vez que o seu tamanho representa a necessidade de compra de menos insetos, avançou a ABC.
A importação, posse, criação ou venda de ambas as espécies possuídas pelo criador australiano é ilegal no país, independentemente da forma como foram obtidas, afirmou o departamento na nota à imprensa. O contrabando de animais, insetos ou material vegetal ilegal ou não declarado pode resultar em multas de milhares de dólares.
A Austrália dispõe de controlos de biossegurança rigorosos nas fronteiras, para proteger os setores da agricultura e da horticultura, bem como a fauna selvagem autóctone contra infestações de pragas. “Levamos muito a sério a nossa missão de proteger a biodiversidade única da Austrália e as violações da legislação ambiental nacional”, afirmou um porta-voz do departamento ambiental.
Ainda não é certo o impacto das baratas exóticas, na propagação de doenças ou na disrupção da fauna, dado que “não foram sujeitas a uma avaliação de risco ambiental”, frisa a ABC. As baratas apreendidas serão eliminadas, revelou o departamento.
Apesar do alerta dado pelas autoridades sobre a possibilidade de processos judiciais, um porta-voz das autoridades confirmou que não foram apresentadas acusações contra o criador de Bathurst.