(c) 2023 am|dev

(A) :: Princesa Mette-Marit da Noruega espera transplante de pulmão. Médicos têm "motivos para acreditar que lhe resta apenas um ano de vida"

Princesa Mette-Marit da Noruega espera transplante de pulmão. Médicos têm "motivos para acreditar que lhe resta apenas um ano de vida"

Diagnosticada com fibrose pulmonar em 2018, a princesa herdeira aguarda um transplante urgente. Médicos têm "motivos para acreditar que lhe resta apenas um ano de vida".

Sâmia Fiates
text

A princesa Mette-Marit está na lista de espera para um transplante de pulmão, avançou a Casa Real norueguesa através de um comunicado na manhã desta sexta-feira. Numa conferência de imprensa, o médico-chefe pneumologista do hospital Rikshospitalet, Are Holm, disse que o estado de saúde da princesa, que foi diagnosticada em 2018 com uma fibrose pulmonar, teve uma “deterioração significativa” nos últimos seis meses, e que a equipa médica tem “motivos para acreditar que lhe resta apenas um ano de vida“. A cirurgia deve acontecer “o mais breve possível”.

“A única coisa que pode curar a fibrose é um transplante de pulmão”, diz o médico, que afirma que a doença é “perigosa”, e que o caso da princesa é urgente. Mesmo depois do transplante, especialistas alertam que o cenário não é animador: o paciente precisa de tomar medicamentos imunossupressores o resto da vida e uma em cada oito pessoas não sobrevive ao primeiro ano. Após dez anos, apenas cerca de metade continua viva.

“A regra geral para quem deve ser incluído na lista de espera para transplante de pulmão é que o paciente deve estar tão debilitado pela doença pulmonar que tenhamos motivos para acreditar que lhe resta apenas um ano de vida. Ao mesmo tempo, o paciente deve estar saudável o suficiente para tolerar o procedimento e ter boas perspetivas de recuperação”, disse o responsável pelo caso de Mette-Marit, ao justificar a entrada da princesa na lista de espera.

O hospital Rikshospitalet é o único a realizar transplantes de pulmão na Noruega, e há cerca de 30 cirurgias por ano. O país costuma ter cerca de 120 doadores de órgãos por ano, porém apenas um quarto dos casos são adequados para transplante. O médico diz ainda que o órgão poderá vir de qualquer país europeu. “Tem que ser o tipo sanguíneo correto. E temos que garantir que o recetor não tenha anticorpos contra o tipo de tecido do doador”, explica o especialista, que destaca que “se um pulmão doado for adequado para várias pessoas na lista, aquela com a necessidade mais urgente receberá os novos pulmões primeiro.”

Na mesma conferência de imprensa o médico cirurgião-chefe, Arnt Fiane, explicou que a cirurgia é de grande porte e pode levar entre três e cinco horas. “Temos que abrir o tórax e conectá-lo a uma máquina coração-pulmão, como numa cirurgia de coração aberto. O coração é parado. Os pulmões doentes são removidos, e essa pode ser a parte mais difícil de todo o procedimento”. Depois da operação, o paciente pode permanecer no hospital por meses, e a recuperação é muito delicada, com risco de sangramento, infeção, insuficiência renal e outras complicações.

Afastada de compromissos oficiais

Por este motivo, a princesa “não poderá trabalhar ou cumprir os seus compromissos oficiais normalmente. O estado de saúde da Princesa Herdeira também afetará os programas e atividades de Sua Alteza Real o Príncipe Herdeiro e os da Família Real”, diz o comunicado emitido pela Casa Real.

Alguns dos compromissos afetados são a celebração de bodas de prata, marcada para agosto de 2026, e uma viagem planeada para setembro. “O príncipe herdeiro ajustará a sua agenda para que possa passar mais tempo com a princesa herdeira durante esse período. Entre outras medidas, ele limitará viagens mais longas, tanto dentro da Noruega como para o exterior, antes e depois da cirurgia. Portanto, o príncipe herdeiro não participará na celebração das bodas de ouro do casal real sueco em Estocolmo, no dia 13 de junho, como planeado”.

O príncipe Haakon regressou um dia mais cedo de uma viagem oficial ao Japão, e na passada quarta-feira, dia 3, visitou o hospital com a mulher, publicou a NRK na altura. Também Ingrid Alexandra regressou à Noruega. De acordo com a Casa Real, a princesa “participará num intercâmbio da Universidade de Sydney para a Universidade de Oslo no semestre de outono de 2026”. O regresso acontece também depois da princesa ter sido perseguida por um australiano de 63 anos, que terá recebido uma ordem de restrição das autoridades australianas. Já o filho mais novo dos príncipes herdeiros, Sverre Magnus, de 20 anos, também “deverá estudar na Europa a partir do outono e regressará à Noruega quando a situação assim o exigir.”

Haakon já havia assinalado que o caso de Mette-Marit, que foi diagnosticada com fibrose pulmonar em 2018, havia piorado, em declarações à imprensa na semana passada. Também o Rei Harald V comentou o assunto numa digressão pelo país, que fez sozinho porque a mulher, a Rainha Sonja, de 88 anos, esteve hospitalizada devido a uma condição no coração, mas entretanto já teve alta. “Acho muito triste e já tínhamos ouvido os médicos dizerem que isso ia acontecer, mas pensávamos e esperávamos que acontecesse daqui a algum tempo — e não agora. Agora tornou-se muito urgente. Ela está gravemente doente, não há dúvida disso, infelizmente”, disse, sobre a nora.

Mette-Marit tem sido vista em público a usar um equipamento de suporte para a respiraçãonuma altura em que enfrenta outros desafios a nível particular — por um lado, tem respondido às críticas relacionadas com a dimensão da sua amizade com Jeffrey Epstein; por outro, aguarda o veredicto do julgamento do filho, acusado de mais de 40 crimes entre os quais quatro violações, que deve ser proferido a 15 de junho.

Marius Borg Høiby aguarda em prisão preventiva e teve um novo pedido de libertação negado pela polícia, que considera que mantê-lo sob custódia, na situação atual, não constitui uma intervenção desproporcional. As autoridades recusaram-se também a permitir que Høiby pudesse encontrar-se com os médicos do hospital Rikshospitalet para obter informações sobre a mãe, informa a NRK.