O facto de André Mountbatten-Windsor ter pagado apenas uma renda simbólica para viver na Royal Lodge, em Windsor, já era conhecido. Mas sabe-se agora que, durante esse mesmo período, o então príncipe britânico arrendava três dos chalés na propriedade. A informação foi tornada pública por um relatório do Tribunal de Contas britânico (NAO, na sigla em inglês), publicado esta sexta-feira e citado pela imprensa nacional.
O irmão do Rei Carlos III pagava uma “renda grão de pimenta”, um termo jurídico britânico que significa o pagamento anual de uma renda meramente simbólica, desde 2003. Os termos do contrato a 75 anos foram estabelecidos depois de Mountbatten-Windsor ter pagado 7,5 milhões de libras (cerca de 8,6 milhões de euros) em trabalhos de reparação e remodelação da propriedade. Contudo, o ex-duque de Iorque recebia também rendas por contratos de arrendamento de três dos oito chalés do Royal Lodge.
O relatório de 50 páginas do NAO não detalha quem são os inquilinos, quais os valores das rendas cobradas por Mountbatten-Windsor ou qualquer outro detalhe dos contratos de arrendamento. Fontes com conhecimento da situação ouvidas pelo The Guardian garantem que o valor das rendas era utilizado exclusivamente para cobrir os custos de manutenção e dos salários dos funcionários da propriedade. Mas os valores desses custos também não são conhecidos.
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A investigação debruça-se sobre todas as propriedades da Coroa britânica e foi aberta no âmbito do inquérito da Comissão de Contas Públicas do Parlamento britânico, que as investiga desde outubro do ano passado. O inquérito foi aberto na mesma altura em que André abandonou o Royal Lodge e abdicou de todos os títulos reais, depois de ter sido implicado no esquema de tráfico sexual do empresário norte-americano Jeffrey Epstein.
Para além das informações sobre André, o relatório do NAO revela ainda que o Rei Carlos paga rendas “ajustadas” para que as duas filhas de Mountbatten-Windsor, que não desempenham funções oficiais de membros sénior da Família Real, possam viver em duas residências reais. O monarca paga 68% do valor de mercado pela renda da princesa Beatrice no palácio St. James e 64% do valor de mercado pela renda da princesa Eugenie no seu chalé no palácio de Kensington.
Em resposta ao relatório, o palácio de Buckingham emitiu um comunicado, em que se pode ler: “Estamos agradecidos por este relatório, que está alinhado com o compromisso da Família Real com a transparência. Esperamos que as conclusões ajudem a corrigir, clarificar e contextualizar uma série de questões sobre as propriedades reais”.