Acompanhe o nosso liveblog sobre tensões internacionais
Uma pessoa morreu e pelo menos 14 ficaram feridas em ataques israelitas contra o sul do Líbano, informou esta sexta-feira a imprensa oficial, após uma troca de tiros entre Israel e a milícia xiita Hezbollah.
No distrito de Nabatieh, no sul do país, um ataque levado a cabo durante a madrugada por “aviões de guerra inimigos” contra um edifício na cidade de Doueir fez um morto e um ferido, enquanto ao amanhecer, um drone atacou uma motorizada e feriu uma pessoa, informou a Agência Nacional de Notícias (NNA, na sigla em inglês) libanesa.
Anteriormente, a NNA tinha noticiado que outro “ataque aéreo inimigo”, com pelo quatro mísseis, feriu 12 civis e destruiu um edifício bancário perto do Hospital Jabal Amel, na cidade de Tiro.
Simultaneamente, houve relatos de bombardeamentos de artilharia contra a cidade de Deir Amas, também na região de Tiro.
Além disso, foram relatados bombardeamentos “nas proximidades de Burj Qalawiya e na área em redor de Deir Kifa ao amanhecer”, acrescentou a agência.
O Hezbollah e Israel trocaram ataques, apesar do cessar-fogo acordado na terça-feira, em Washington, entre Israel e o Líbano. O cessar-fogo estava condicionado pelo fim dos ataques e operações do movimento xiita no sul do Líbano.
O Hezbollah anunciou em comunicado que, às primeiras horas da manhã, atacou uma concentração de veículos e soldados israelitas com um míssil de precisão perto do Castelo de Beaufort, no sul do Líbano, a norte do rio Litani.
O movimento disse que o ataque surgiu “em resposta à violação do cessar-fogo pelo inimigo israelita e aos ataques contra aldeias no sul do Líbano”.
O líder do Hezbollah rejeitou na quinta-feira o mais recente acordo de cessar-fogo alcançado entre Israel e o Governo libanês, exigindo a retirada israelita.
Numa declaração escrita, lida no canal de televisão do movimento Al-Manar, Naim Qassem afirmou que a exigência do acordo para que os combatentes do Hezbollah abandonem o sul do Líbano sob fogo equivaleria a uma “rendição, derrota e à concretização dos objetivos do inimigo”.
“O que nos preocupa é o fim da agressão, o cessar-fogo e a retirada de Israel”, afirmou, acrescentando que o movimento não assume “qualquer compromisso com qualquer parte para deixar de resistir enquanto houver ocupação”.
Israel e Líbano acordaram na quarta-feira renovar o cessar-fogo e criar várias zonas de segurança “piloto” dentro do Líbano, nas quais os militantes do Hezbollah estariam proibidos de permanecer.
Num comunicado conjunto divulgado após uma quarta ronda de negociações mediadas pelos EUA no Departamento de Estado, os dois lados afirmaram que o cessar-fogo “está condicionado à cessação completa de fogo do Hezbollah e à retirada de todos os operacionais do Hezbollah” das áreas a sul do rio Litani.
https://observador.pt/2026/06/04/israel-e-libano-anunciam-cessar-fogo-hezbollah-rejeita-acordo-e-exige-retirada-das-tropas-israelitas-do-libano/
Porém, não é claro, para já, como serão estabelecidas as zonas de segurança, mas o acordo prevê que o exército libanês assuma o controlo total dessas áreas.
“O cessar-fogo deve ser global (…) e sem liberdade para o inimigo matar no Líbano”, declarou Naim Qassem, sublinhando que não haverá segurança para o norte de Israel sem segurança para as aldeias do sul do Líbano.
Do lado israelita, o ministro da Defesa reafirmou na quinta-feira a ameaça de atacar Beirute se sofrer ataques do grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão, e avisou que o acordo de cessar-fogo no Líbano prevê a continuação das operações israelitas no sul.
Por sua vez, o Presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que o acordo constitui “a última oportunidade para alcançar um cessar-fogo global e definitivo”, numa altura em que ainda aguardava resposta do Hezbollah.