As guardas costeiras da China e de Taiwan envolveram-se esta sexta-feira num novo incidente marítimo no mar do Sul da China, junto ao atol de Pratas, administrado por Taipé e reclamado por Pequim, informaram as autoridades taiwanesas.
Em comunicado, a Administração da Guarda Costeira de Taiwan (CGA) indicou que uma das suas embarcações avistou às 07h32 (00h32, em Lisboa) o navio chinês 3501, da guarda costeira da China, a nordeste do atol, aproximando-se de imediato para navegar em paralelo.
Segundo a CGA, a embarcação chinesa acelerou deliberadamente de cinco para nove nós e efetuou uma manobra brusca para entrar em águas classificadas por Taiwan como restritas, sem atender à segurança da patrulheira taiwanesa.
As autoridades indicaram que os dois navios permaneceram frente a frente durante várias horas.
Durante o incidente, a guarda costeira taiwanesa emitiu vários avisos por rádio, alertando a embarcação chinesa de que tinha entrado “sem autorização” em águas sob jurisdição de Taipé e de que as suas ações afetavam “a ordem e a segurança” da zona.
Segundo a transcrição divulgada pela CGA, os guardas costeiros taiwaneses advertiram ainda que “a paz no Estreito de Taiwan é crucial para a estabilidade da economia mundial e para a indústria tecnológica” e que, em caso de conflito, a China enfrentaria sanções internacionais.
O episódio ocorre menos de duas semanas após um incidente semelhante envolvendo o mesmo navio chinês, entre 23 e 24 de maio.
A CGA acusou Pequim de assediar regularmente as águas em redor de Pratas, conhecido em mandarim como Dongsha, para criar a “falsa aparência” de que exerce jurisdição sobre a área.
“O organismo tem a determinação de defender a soberania das águas nacionais e a capacidade de manter a paz, adotando todas as medidas necessárias para travar as ações irracionais da China”, refere o comunicado.
O atol de Pratas é um dos territórios controlados por Taiwan no mar do Sul da China, cujas águas são reivindicadas quase na totalidade por Pequim e por onde passa cerca de um terço do comércio marítimo mundial.
No início deste ano, o Exército chinês realizou exercícios com veículos aéreos não tripulados (“drones”) no espaço aéreo sobre Pratas, uma ação que o Governo taiwanês classificou como “altamente provocadora” e “irresponsável”.