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O líder cessante da Colômbia, Gustavo Petro, acusou Donald Trump, que apoia o candidato de extrema-direita que venceu a primeira volta das presidenciais colombianas, de se ter aliado a “genocidas e traficantes de droga”.
Na terça-feira, o Presidente dos Estados Unidos anunciou o apoio “total e irrestrito” a Abelardo de la Espriella para a segunda volta das presidenciais na Colômbia, marcada para 21 de junho.
“Os seus aliados na Colômbia vêm do regime narco-paramilitar; são genocidas traficantes de droga”, declarou Gustavo Petro, em entrevista à agência de notícias France-Press, na quinta-feira, no palácio presidencial de Bogotá.
A esquerda colombiana acusa regularmente grupos paramilitares de se envolverem no tráfico de droga e de terem cometido genocídio contra os movimentos de esquerda no auge do conflito que abalou o país nas décadas de 1980 e 1990.
“Lamento que os indivíduos e os governos que alegam combater o narcotráfico estejam a contribuir para levar o crime ao poder político na Colômbia”, acrescentou Petro, acusando Abelardo de la Espriella de representar o “fascismo mafioso”.
De la Espriella, empresário milionário e advogado, defendeu, nomeadamente, paramilitares acusados de tráfico de droga nos tribunais da Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína.
O candidato, apelidado de “O Tigre”, acolheu com satisfação o apoio de Trump, prometendo estabelecer relações “como nunca antes” com os Estados Unidos, que “desempenha um papel decisivo na luta contra o crime e o narcoterrorismo”.
Petro alegou que Donald Trump não respeitou um acordo de não interferência nas eleições colombianas, que os dois teriam assinado durante uma visita à Casa Branca em fevereiro.
As relações entre o Petro e Trump estão tensas desde o regresso do magnata republicano à presidência.
Donald Trump chamou ao homólogo “barão do narcotráfico”, enquanto Gustavo Petro retorquiu que é a direita na Colômbia que “sempre esteve ligada ao narcotráfico”.
Tendo-se tornado o primeiro presidente de esquerda da história do país em 2022, Petro está constitucionalmente impedido de se candidatar a um segundo mandato.
Os Estados Unidos “estão a implementar uma política ideológica que divide o mundo entre aqueles que pensam como eles e aqueles que não pensam”, declarou o Presidente colombiano, segurando uma barra de chocolate feita por agricultores que substituíram os campos de coca, o principal componente da cocaína, por cacau.
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Petro fez ainda questão de mostrar uma série de fotos que, segundo ele, comprovam os números que demonstram a diminuição da área de plantações de coca no país durante a sua presidência.
Antigo aliado da Venezuela, Petro, antigo guerrilheiro do movimento M-19, demarcou-se também do presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro, que está preso nos Estados Unidos após ser capturado em janeiro, durante uma operação militar norte-americana em Caracas.
“Conheci realmente [Hugo] Chávez” quando ele estava no poder, entre 1999 e 2013, mas “nunca mais voltei à Venezuela depois disso”, percebendo “um declínio político”, acrescentou.
Gustavo Petro afirmou que falou com Maduro após a sua reeleição em 2024, que a oposição alega ter ganho e que não foi reconhecida por vários países.
“Eu disse-lhe pessoalmente: ‘Aprende a estar na oposição como nós estivemos durante 50 anos na Colômbia'”.