Dezenas de ativistas voltaram a reunir-se na quinta-feira junto a um centro de detenção na cidade norte-americana de Newark, para mais uma noite de protestos contra as condições “deploráveis” impostas aos imigrantes.
Em declarações à Lusa, uma das organizadoras da manifestação, que apenas aceitou falar sem ser identificada, explicou que a principal preocupação é sensibilizar a opinião pública para a situação dos detidos no centro Delaney Hall, que estão em greve de fome desde 22 de maio.
“A situação está a chegar a um ponto perigoso, com pessoas sem comer há cerca de duas semanas. As condições lá dentro são deploráveis. Os detidos querem reunir-se com a governadora [do estado de Nova Jérsia] Mikie Sherrill. Querem a libertação, especialmente dos jovens e dos idosos, assim como das pessoas com deficiência ou com necessidades médicas. E nós estamos aqui para defendê-los”, disse a ativista.
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Mais de 300 mulheres e homens detidos em Delaney Hall alegam serem alvo de negligência médica, falta de saneamento básico, comida estragada, recusa de fiança e coerção para assinar documentos legais que resultam em deportação.
Dois dias após o autarca de Newark ter levantado a ordem de recolher obrigatório na zona, o ambiente continua a ser de grande tensão, após vários dias de protestos violentos e dezenas de detenções.
Os ativistas, sob o olhar atento de vários agentes da polícia, pediam a abolição do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e apelavam ao fim das rusgas anti-imigração.
“Os imigrantes tornam as nossas comunidades mais fortes”, “Abolição do ICE, já!”, “Fechem Delaney Hall”, “ICE = Nazi Vibes”, “Nenhuma quantia de dinheiro vale a perda da nossa humanidade” eram algumas das frases que se podiam ler nos cartazes erguidos pelos manifestantes.
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Ao som de música alta, um homem escrevia palavras de protesto no asfalto.
“Buzina se odeias o ICE”, escreveu no chão, com recurso a giz e em tom de apelo, recebendo em resposta buzinadelas de vários camionistas que iam passando no local.
Mais tarde, uma mulher colocou a cabeça de fora do carro onde seguia e atirou insultos aos manifestantes, que responderam no mesmo tom.
O fim de semana ficou marcado por confrontos entre manifestantes a favor e contra as políticas anti-imigração do Presidente norte-americano, Donald Trump, e a atuação do ICE.
Pelo menos 90 pessoas foram detidas durante os protestos violentos nas últimas duas semanas, segundo o jornal New York Times.
“Temos visto um aumento da violência pela parte do ICE, da Polícia do Estado de Nova Jérsia e da Polícia de Newark. E, com base em vídeos e provas, foram eles [agentes da autoridade] que incitaram esta violência”, alegou a ativista, em declarações à Lusa, na quinta-feira.
“A empresa privada que opera este centro de detenção está a lucrar milhões ao manter as pessoas como reféns por, talvez, terem cometido infrações civis. Eu realmente gostaria que a governadora Mikie Sherrill fosse corajosa agora. Ela precisa de ser criativa”, acrescentou.
O estado de Nova Jérsia entrou com uma ação judicial na terça-feira contra a empresa privada que opera Delaney Hall, pedindo à justiça que conceda ao Departamento de Saúde estadual acesso ao centro devido a alegações de condições e tratamento desumanos no local.
Delaney Hall, o maior centro de detenção do ICE na costa leste norte-americana, com mais de mil vagas, é operado pelo GEO Group, ao abrigo de um contrato de 15 anos, no valor de mil milhões de dólares (861 milhões de euros).
Em 2025, a cidade de Newark já havia processado o GEO Group devido à administração de Delaney Hall, que está localizado numa área industrial a poucos quilómetros do bairro Ironbound, que acolhe uma significativa comunidade portuguesa.
De acordo com o líder da minoria na Câmara dos Representantes (câmara baixa do parlamento) dos Estados Unidos, o democrata Hakeem Jeffries, “a maioria dos detidos nesta unidade não possui antecedentes criminais”.
Desde o início da campanha de deportações em massa de Trump, o centro de detenção tem sido alvo de críticas por estar sobrelotado.
Pelo menos 17 imigrantes morreram sob custódia do ICE desde o início do ano, mas uma investigação recente da CNN refere que quase 50 detidos do ICE morreram desde que Trump assumiu a Presidência, o número mais elevado de mortes em pelo menos duas décadas.
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