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(A) :: Matthäus contra Maradona no ano do antijogo que levou a mudar uma regra: as histórias do Mundial de 1990 (ganho pela Alemanha em Itália)

Matthäus contra Maradona no ano do antijogo que levou a mudar uma regra: as histórias do Mundial de 1990 (ganho pela Alemanha em Itália)

Alemanha vingou-se da edição anterior e bateu a Argentina na final de Roma, no Mundial com menos golos de sempre. Antijogo levou a FIFA a mudar a regra do atraso para o guarda-redes.

Tiago Gama Alexandre
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A 14.ª edição do Campeonato do Mundo aterrou em Itália, que se tornou no segundo país a sediar o certame pela segunda vez depois do México, num dos torneios mais fechados e táticos da história, com uma média de apenas 2,21 golos por jogo, a mais baixa de sempre. O Mundial mais pobre da história do futebol contou com um recorde, até então, de 16 cartões vermelhos, sendo que foi em Itália que se viu o primeiro jogador expulso numa final. Apesar dos resultados pouco animadores dentro de campo, a edição de 1990 foi das mais assistidas da história – só é superada por 1994 e 2002 –, atraindo mais de 26 mil milhões de espectadores não únicos ao longo dos 52 jogos, tendo sido a primeira edição transmitida em alta definição (HDTV).

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A edição de 1990 aconteceu num contexto muito particular, já que o mundo se encontrava em transição, com o fim da Guerra Fria a aproximar-se e algumas seleções a terem a sua última oportunidade antes de a mudança geopolítica chegar ao desporto. Com 24 seleções à partida, o torneio reuniu praticamente todas as grandes potências mundiais da época, como Alemanha Ocidental, Argentina, Brasil, Inglaterra, Itália e Países Baixos, mas muitos dos jogos foram decididos nos detalhes e até no prolongamento e nas grandes penalidades, como as duas meias-finais. Os argentinos eram os campeões em título e tinham um Diego Armando Maradona no auge, ao passo que os alemães perfilavam-se como uma equipa consistente. No Estádio Olímpico de Roma, a final acabou por pender para o lado da Mannschaft, no jogo que marcou a vingança do duelo decisivo de 1986.

A elevada tensão competitiva acabou por marcar este Mundial, com a fase a eliminar a ter um equilíbrio pouco visto, com quatro jogos decididos no prolongamento e outros quatro nas grandes penalidades. Para além disso, só dois jogos terminaram com uma diferença superior a um golo. Apesar das críticas, o Campeonato do Mundo de Itália foi bastante marcante na evolução do futebol moderno.

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Uma história. A abertura de uma porta para o futebol africano

Por entre o equilíbrio e os jogos bastante nivelados, houve espaço para uma surpresa no Mundial de Itália: os Camarões chegaram aos quartos de final e tornaram-se a primeira seleção de África a atingir essa fase em Campeonatos do Mundo. Essa acabou por ser uma das maiores surpresas da história da competição, dado que, na época, o nível era bastante diferente entre as equipas africanas em comparação com as europeias e as sul-americanas, e era bastante improvável ver uma seleção de África no meio das grandes potências. A caminhada camaronesa começou com uma grande vitória frente à campeã Argentina, que levou a equipa a terminar o grupo no primeiro lugar. Nos oitavos de final, a Colômbia ficou pelo caminho e, nos quartos de final, os Camarões estiveram a vencer no prolongamento, mas dois penáltis de Gary Lineker viraram o jogo na parte final.

https://twitter.com/90sfootball/status/630785698811920384?s=20

Um herói. Salvatore Schillaci, o desconhecido que se tornou no símbolo de um país

Chegou ao Mundial praticamente sem notoriedade numa escolha surpreendente de Azeglio Vicini, começou a competição como suplente, mas acabou por deixar marca logo no primeiro jogo, faturando frente à Áustria com poucos minutos em campo. A partir daí o cenário inverteu-se de tal forma que Schillaci acabou por se tornar numa das grandes figuras do torneio, terminando como melhor marcador (seis golos) e uma das figuras principais da caminhada italiana rumo ao terceiro lugar. Por todo o impacto, a FIFA atribuiu-lhe a Bola de Ouro do torneio, numa decisão que acabou por ser polémica, dado que, para muitos, Lothar Matthäus era a figura da campeã Alemanha Ocidental. O germânico acabou por ficar no segundo lugar, à frente de Maradona.

https://twitter.com/1968Tv/status/1807451694126580141?s=20

Uma curiosidade. O torneio revolucionário que mudou as regras do futebol

O principal legado do Mundial-1990, que permanece até aos dias de hoje, acabou por não ter acontecido sequer durante o torneio. O elevado nível tático acabou por ser bastante criticado, com as equipas a optarem por atrasar a bola para o guarda-redes para perderem tempo. Na altura, as leis do futebol permitiam que o guarda-redes agarrasse a bola se esta fosse passada por um companheiro. Contudo, a FIFA viu-se obrigada a mudar a regra depois do que aconteceu em Itália e, a partir de 1992, os guarda-redes deixaram de poder agarrar a bola se esta fosse deliberadamente passada por um colega de equipa.

https://youtu.be/o7cTHuKTEuk

Como foram os resultados no Mundial de 1990

  • 8 de junho (fase de grupos): Argentina-Camarões, 0-1
  • 9 de junho (fase de grupos): União Soviética-Roménia, 0-2, EAU-Colômbia, 0-2 e Itália-Áustria, 1-0
  • 10 de junho (fase de grupos): EUA-Checoslováquia, 1-5, Brasil-Suécia, 2-1 e Alemanha Ocidental-Jugoslávia, 4-1
  • 11 de junho (fase de grupos): Costa Rica-Escócia, 1-0 e Inglaterra-Rep. Irlanda, 1-1
  • 12 de junho (fase de grupos): Bélgica-Coreia do Sul, 2-0 e Países Baixos-Egito, 1-1
  • 13 de junho (fase de grupos): Uruguai-Espanha, 0-0 e Argentina-União Soviética, 2-0
  • 14 de junho (fase de grupos): Camarões-Roménia, 2-1, Jugoslávia-Colômbia, 1-0 e Itália-EUA, 1-0
  • 15 de junho (fase de grupos): Áustria-Checoslováquia, 0-1 e Alemanha Ocidental-EAU, 5-1
  • 16 de junho (fase de grupos): Brasil-Costa Rica, 1-0, Suécia-Escócia, 1-2 e Inglaterra-Países Baixos, 0-0
  • 17 de junho (fase de grupos): Rep. Irlanda-Egito, 0-0, Coreia do Sul-Espanha, 1-3 e Bélgica-Uruguai, 3-1
  • 18 de junho (fase de grupos): Argentina-Roménia, 1-1 e Camarões-União Soviética, 0-4
  • 19 de junho (fase de grupos): Alemanha Ocidental-Colômbia, 1-1, Jugoslávia-EAU, 4-1, Itália-Checoslováquia, 2-0 e Áustria-EUA, 2-1
  • 20 de junho (fase de grupos): Suécia-Costa Rica, 1-2 e Brasil-Escócia, 1-0
  • 21 de junho (fase de grupos): Bélgica-Espanha, 1-2, Coreia do Sul-Uruguai, 0-1, Inglaterra-Egito, 1-0 e Rep. Irlanda-Países Baixos, 1-1
  • 23 de junho (oitavos de final): Camarões-Colômbia, 2-1 a.p. e Checoslováquia-Costa Rica, 4-1
  • 24 de junho (oitavos de final): Brasil-Argentina, 0-1 e Alemanha-Países Baixos, 2-1
  • 25 de junho (oitavos de final): Rep. Irlanda-Roménia, 0-0 (5-4 g.p.) e Itália-Uruguai, 2-0
  • 26 de junho (oitavos de final): Espanha-Jugoslávia, 1-2 a.p. e Inglaterra-Bélgica, 1-0 a.p.
  • 30 de junho (quartos de final): Argentina-Jugoslávia, 0-0 (3-2 g.p.) e Rep. Irlanda-Itália, 0-1
  • 1 de julho (quartos de final): Checoslováquia-Alemanha Ocidental, 0-1 e Camarões-Inglaterra, 2-3 a.p.
  • 3 de julho (meias-finais): Argentina-Itália, 1-1 (4-3 g.p.)
  • 4 de julho (meias-finais): Alemanha Ocidental-Inglaterra, 1-1 (4-3 g.p.)
  • 7 de julho (jogo de atribuição do terceiro lugar): Itália-Inglaterra, 2-1
  • 8 de julho (final): Alemanha Ocidental-Argentina, 1-0