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Medicamentos para emagrecer podem reduzir risco de cancro da mama. Estudos destacam impacto na prevenção e tratamento da doença

Três estudos apresentados nos Estados Unidos associam a utilização de medicamentos para emagrecer com a hormona GLP-1 com a redução dos riscos de desenvolver cancro ou morrer da doença.

Larissa Faria
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Os medicamentos para emagrecer — em particular os injetáveis — têm registado um aumento de procura, mas os efeitos da sua utilização podem ir além da perda de peso. A associação entre obesidade e 13 tipos de cancro já tinha sido feita pela Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e foi corroborada por três estudos recentes, avançou o The Guardian.

Duas investigações afirmam que o uso de medicamentos para emagrecer com a hormona GLP-1 pode reduzir em até 30% as hipóteses de se desenvolver cancro da mama, que é o tipo mais comum da doença hoje no mundo. O risco de morte nos casos em que a pessoa já está a ser tratada também pode ser reduzido em 30%, segundo as análises realizadas com 27 mil utentes no IRCCS, um centro de tratamento de cancro em Meldola, na Itália. A GLP-1 é uma hormona natural do corpo com propriedades anti-inflamatórias, sendo responsável por regular o açúcar no sangue e o apetite — ações que são simuladas pelo Ozempic e pelo Mounjaro. Também por esta razão, o SNS decidiu comparticipar o Ozempic para tratar adultos obesos com diabetes tipo 2.

O terceiro estudo, organizado pela norte-americana Cleveland Clinic com 12 mil pessoas com cancro de pulmão, intestino e fígado, concluiu que a doença tinha 50% menos chances de se espalhar pelo corpo nos casos em que os medicamentos para emagrecer eram utilizados. Tal ocorre devido à medicação inibir a multiplicação de células cancerígenas e o crescimento de tumores, explica Elizabeth McDonald, professora de radiologia da Universidade da Pensilvânia. McDonald foi uma das cientistas a apresentar os seus estudos na conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, realizada entre 29 de maio e 2 de junho em Chicago, nos Estados Unidos. A sua análise foi realizada com 110 mil mulheres entre os 45 e os 80 anos.