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Marjane Satrapi "morreu de tristeza". Marido de autora de Persepolis morreu há pouco mais de um ano

Mattias Ripa, o marido da autora, morreu em abril de 2025. Escritora franco-iraniana recusou condecoração de França devido a posições quanto ao Irão.

Leonor Riso
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“Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano depois da morte de Mattias Ripa, o seu marido e o amor da sua vida.” Foi com esta mensagem que os familiares e amigos da autora e artista franco-iraniana de 56 anos anunciaram a morte de Marjane Satrapi à Agence France-Presse (AFP). Mattias Ripa, o marido da artista, morreu aos 53 anos a 8 de abril de 2025. Era produtor, ator e argumentista.

Marjane Satrapi é a autora de Persepolis, série de banda desenhada publicada entre 2000 e 2003 em França. A obra, que foi adaptada ao cinema em 2007, relata a infância e juventude da autora no Irão após a revolução islâmica de 1979. A autora nasceu em Resht e tinha dez anos quando o aiatola Khomeini chegou ao poder. O primeiro volume da obra relata a história pessoal de Marjane Satrapi e da sua família, além das detenções e execuções que se viveram no país.

Em 1984, Marjane Satrapi deixou o Irão, tendo chegado a França no ano de 1994 para prosseguir os estudos na Escola Superior de Artes Decorativas de Estrasburgo. Foi aqui que conheceu Mattias Ripa, nascido na Suécia e que se encontrava num programa de intercâmbio universitário. Tornar-se-ia o seu marido.

Depois da publicação de Persepolis, Marjane Satrapi obteve a cidadania francesa no ano de 2006. No ano seguinte, a obra chegou aos cinemas tendo arrecadado o prémio do júri no Festival de Cannes. Em 2008, foi nomeada para os Óscares na categoria de melhor filme de animação.

Também o seu livro Poulet aux Prunes (Frango com Ameixas, na versão portuguesa) foi premiado no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, em França, e chegou aos cinemas em 2011, com realização de Satrapi e de Vincent Parronnaud e com Matthieu Amalric e Maria de Medeiros nos papéis principais.

Sempre crítica do regime do Irão, Marjane Satrapi recusou em 2025 a condecoração da Ordem Nacional da Legião de Honra de França por não concordar com o regime de vistos que impedia dissidentes iranianos de chegarem a França. “Não posso ignorar o que considero uma atitude hipócrita de França relativamente ao Irão”, notou, alertando para a nova vaga de repressão no país.

Em fevereiro, foi anunciada, no seio da Academia de Belas-Artes, a criação da Fundação para o Cinema Mattias e Marjane Ripa-Satrapi no Instagram desta última. “Tem a missão principal de apoiar os estudantes estrangeiros que venham estudar para Paris”, lê-se na publicação sobre as novas bolsas de estudo destinadas a dois estudantes por ano. Além desse post, surgem poucos mais no perfil: a fotografia de Mattias com o ano de nascimento e morte, e, dividida em oito imagens, a frase: “For I lost the love of my life” (Perdi o amor da minha vida).