Munida de números da adesão à greve geral em diferentes setores de atividade, Maria do Rosário Palma Ramalho compareceu diante dos jornalistas pouco depois das 11h30 para destacar que a “esmagadora maioria” dos trabalhadores portugueses estava a trabalhar esta quarta-feira. Com enfoque na adesão “absolutamente residual e, em algumas áreas, mesmo nula” no setor privado, a ministra do Trabalho não hesitou em realçar a importância dessa circunstância no contexto da reforma da lei laboral.
“O governo reitera que a greve geral é grave em si mesma. Em todo o caso, a greve parece ter pouca adesão. Os dados falam por si. Tem muito pouca adesão no setor privado, que é o setor em que se vai aplicar primacialmente esta legislação. Retiraremos daí as conclusões que há a retirar. Os trabalhadores do setor privado não queriam esta greve”, afirmou.
Na conferência de imprensa que marcou a primeira reação do Ministério do Trabalho à greve geral — a segunda num período de seis meses —, a governante reconheceu que a adesão teve uma expressão maior no setor público, sobretudo na educação, transportes e saúde. Contudo, e sem deixar de reiterar o “respeito total pelo direito de greve”, Maria do Rosário Palma Ramalho realçou a manifestação de quem decidiu ir trabalhar: “O Governo ouve toda a gente, respeita integralmente o exercício do direito de greve, mas naturalmente o que lhe cabe é ouvir toda a gente, incluindo os que querem trabalhar“.
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Com dados fornecidos pelas diversas confederações, por entidades públicas e ainda por grandes empresas, que enviaram diretamente para o executivo, a ministra do Trabalho concluiu que a “esmagadora maioria” foi mesmo para os locais de trabalho, enquanto outros ficaram “em regime de teletrabalho, nas atividades que isso permite” e após combinação com as respetivas entidades empregadoras.
“No setor industrial, todas as fábricas estão a trabalhar nas áreas principais de produção em Portugal: têxtil, calçado, metalomecânica, de acordo com dados fornecidos pela CIP e por algumas empresas. No setor dos transportes, grandes superfícies e comércio, as portas estão abertas e não houve nenhuma perturbação no atendimento ou na logística”, referiu.
Já sobre o turismo, garantiu não existir “qualquer perturbação na hotelaria, nem nas agências de viagens”, apesar de admitir alguns “efeitos indiretos” com a adesão à greve na TAP. Maria do Rosário Palma Ramalho reiterou o mesmo cenário no setor agrícola, descrevendo um funcionamento “absolutamente normal”, tal como na banca, com “todas as agências abertas e os serviços centrais a funcionar”, ou na construção, em que “não houve qualquer efeito também”.
A ministra destacou ainda que nos hospitais privados “não há sinais de perturbação” e que a prestação de serviços em outsourcing só teve “1,3% de adesão” à greve geral, segundo dados da Associação Portuguesa de Hospitais Privados (APHP).
Setor público com adesão “maior” e particular impacto nas escolas
Maria do Rosário Palma Ramalho reconheceu uma “maior adesão” no setor público, tal como tinha ocorrido na greve geral de dezembro, apesar de considerar que “os serviços estão, genericamente, a responder”.
Segundo a ministra, no setor da Educação 40% de alunos “não puderam realizar a prova de Português” e há “entre 38 e 45% de escolas encerradas”.
“Temos 41% de adesão de pessoal não docente e apenas 24% de adesão dos professores, mas a escola tem tem na mesma de encerrar por razões de segurança”, explicou.
Em relação aos transportes, reportou um conjunto de meios com “supressões”, sem deixar de referir que os “serviços mínimos têm sido assegurados”.