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Pensões "sob pressão no médio prazo". Portugal será o terceiro país da União Europeia que mais irá gastar com reformas em 2045

Comissão Europeia alerta que a sustentabilidade do sistema de pensões de Portugal está "sob pressão no médio prazo". Em 2045, será terceiro país da UE que mais gasta com pensões, em proporção do PIB.

Edgar Caetano
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A sustentabilidade do sistema de pensões de Portugal está “sob pressão no médio prazo“, alerta a Comissão Europeia num relatório publicado nesta quarta-feira. Se nada for feito, em 2045 Portugal será o terceiro país da UE que mais irá gastar com pensões, em proporção da dimensão da economia portuguesa.

“O envelhecimento da população, a par da diminuição da população em idade ativa, coloca a sustentabilidade do sistema de segurança social de Portugal sob pressão no médio prazo”, salienta a Comissão Europeia, prevendo que “as despesas com pensões públicas aumentem ainda mais nas próximas duas décadas, passando de 12,8% em 2025 para 15,1% em 2045“.

A confirmar-se essa previsão, isso significará que Portugal terá nessa altura o terceiro maior rácio de despesas com pensões versus Produto Interno Bruto (PIB).

Portugal criou um grupo de trabalho com o objetivo de definir estratégias e avaliar propostas para garantir a sustentabilidade do sistema de segurança social, incluindo uma reavaliação do regime de reforma antecipada e um estudo sobre os mecanismos de reforma parcial. No entanto, o grupo de trabalho ainda não apresentou o seu relatório com propostas políticas concretas, e Portugal não adotou medidas concretas que possam ajudar a aliviar a pressão sobre o sistema público de segurança social do país”, escreve a Comissão Europeia no relatório de recomendações específicas para o país, no âmbito do chamado Semestre Europeu.

Bruxelas salienta, também, que os “sistemas complementares de pensões continuam subdesenvolvidos e cobrem apenas uma fração da população ativa”, o que também “prejudica a capacidade de Portugal de mobilizar poupanças de longo prazo para investimentos produtivos”.

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Relacionado com o tema da população mais idosa, a Comissão Europeia também salienta que “Portugal está entre os Estados-membros da UE que enfrentam um envelhecimento populacional mais acelerado, o que implica necessidades significativas e crescentes de cuidados de longa duração”. No entanto, alerta-se, “o investimento público em cuidados de longa duração está muito abaixo da média da UE e o planeamento da prestação destes cuidados continua a ser descoordenado”.

Nesta fase, aos olhos de Bruxelas, a prestação de cuidados a idosos “está orientada sobretudo para os cuidados residenciais, embora soluções assentes nos cuidados ao domicílio e na comunidade poderiam contribuir para melhorar a capacidade das pessoas de viverem de forma independente”. “Existem também disparidades regionais no acesso a cuidados de longa duração de qualidade em todo o país, sendo as zonas rurais particularmente desfavorecidas”, afirma a Comissão Europeia.

A Comissão Europeia lamenta que “as medidas adotadas por Portugal até ao momento (como a mudança do estatuto dos cuidadores informais e um projeto-piloto de serviços de apoio domiciliário) tiveram uma eficácia limitada ou têm uma cobertura prevista limitada”. Assim, “o apoio a opções acessíveis baseadas nas necessidades, incluindo através do reforço dos cuidados domiciliários e comunitários, da melhoria do planeamento e da redução das disparidades regionais, poderia contribuir para garantir a igualdade de acesso a cuidados de longa duração de qualidade”, defende Bruxelas.