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(A) :: França, terra da Liberté para Espatifé e Fracturé

França, terra da Liberté para Espatifé e Fracturé

Para o ano, o PSG ficava com o Luis Enrique para reconquistar a Champions e contratava o Nayib Bukele para reconquistar Paris nos festejos da Champions. Esses festejos eu acompanhava com gosto.

Tiago Dores
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Comecemos pelo que importa, que o verão está à porta e não dá para usufruir da exclusividade da Comporta. Falo da polémica em torno da colocação de guarda-sois à frente dos espaços concessionados nas praias portugueses. Afinal, pode-se, não se pode, ou é qualquer coisa entre estas duas? Ora, não sei se já saiu uma decisão sobre isto, mas para mim, não sendo jurista, a solução passa por um júri. Era muito simples. Um número ímpar de pagantes de cada espaço concessionado juntava-se e votava, veraneante a veraneante, quem podia instalar-se em frente às suas espreguiçadeiras e toldos. E pronto, os utentes das concessões ou tinham vista mar, ou lavavam a vista. E ainda se permitia a um número já bom de pobretan… a um número já bom de veraneantes, usufruir dessas zonas em frente às concessões. “Sim, mas então e o resto das pessoas que não eram seleccionadas?” Eh pá, tenham paciência, fossem mais agradáveis à vista, eu não tenho culpa.

Sou eu e o PS, que também nunca tem culpa nenhuma de coisa alguma. Primeiros-ministros do PS suspeitos de corrupção? Que culpa tem o PS disso? Ministros do PS suspeitos de corrupção? Sim, mas em que medida isso envolve o PS? Autarcas do PS suspeitos de corrupção? Então mais isso tem alguma coisa a ver com o PS? Assessores do PS suspeitos de corrupção? Mas quem é que falou do PS, pá?! Ninguém, como é óbvio. Há buscas na sede do PS? Mau, já é só vontade de embirrar com o PS. O líder do PS a bajular ditadores venezuelanos e o aspirante a ditador espanhol? Irra! Como se o líder do PS tivesse alguma coisa a ver com o PS! Não tem nada a ver.

Como não tem nada a ver a situação do país hoje, com o Portugal dos anos 60. Isto apesar dos esforços ininterruptos do PS, comprovados por 3 bancarrotas. Mas, realmente, os portugueses fizeram um grande caminho. Em meados do século passado, íamos aos magotes para França tratar das casas dos franceses. Nos últimos anos mandámos 3 ou 4 portugueses para o Paris Saint German e já é a segunda vez consecutiva que, muito à conta deles, os franceses ficam com a casa toda virada do avesso. Enfim, talvez não devamos desresponsabilizar, também, outro tipo de imigrante — ou mesmo já cidadão francês — que talvez por culpa de um imperfeito domínio da língua terá entendido que a “França é a terra da Liberté, Egalité, Fraternité”, como a “França é a terra da Liberté para Espatifé e Fracturé.”

Em relação a esses largos milhares de vândalos — que vão lançados rumo à destruição de tudo o que de mais valioso a sociedade ocidental construiu ao longo de séculos de sangue, suor e lágrimas e nos trouxe a civilização mais próspera da história da humanidade — o que podemos fazer? Bom, esse é o tema sobre o qual, há já largos anos, faço incidir toda a minha atenção. Lançado nessa empreitada, e depois de aturado estudo, cheguei a uma conclusão ao fim de cerca de 7 segundos. Até vos dou um tempinho para irem buscar papel e caneta para apontarem.

Já voltaram? Boa. Então, o que eu faria para resolver este problema era… Escutem bem isto e não neguem à partida a minha sugestão só por parecer revolucionária. Primeiro, construía uma grande prisão. Linda, inspirada no Parque dos Príncipes. Podia chamar-se Parque dos Mitras. Segundo, numa destas ocasiões de festa tão bonita a celebrar uma vitória do Paris Saint German, metia o exército na rua. Terceiro, fazia um contrato por objectivos com cada um destes militares: do género, 10 mitras dentro, um salário extra. Quarto e último. Para comandar esta equipa, o PSG fazia um contrato de 2 anos com o ponta-de-lança, sensação mundial, o salvadorenho, Nayib Bukele. O clube ficava com o Luis Enrique para reconquistar a Champions e contratava o Bukele para reconquistar Paris nos festejos da Champions.

A estes festejos de vitória na Liga dos Campeões eu assistia de muito bom grado. Borrifava para a bola, mas deste pós-jogo não perdia um segundo, com destaque para as detenções em pontapé de moinho e super slow motion. A não ser, claro, que estivesse na praia, na minha espreguiçadeira em zona concessionada, a lavar a vista à conta de uma criteriosa pré-selecção de veraneantes.