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A fraqueza dos governos britânico e francês

Não, em França e no Reino Unido, não há aproveitamentos políticos. O que há são políticos fracos que não defendem os cidadãos nacionais, a identidade nacional, nem a história dos seus países.

João Marques de Almeida
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Em Paris, no sábado à noite, milhares de pessoas destruíram lojas, edifícios públicos, ruas, carros, provocaram violência, combateram a polícia. Os autores das cenas de violência eram maioritariamente militantes das extremas-esquerdas e homens de etnia árabe e africana. Não estavam numa manifestação por direitos laborais, não estavam a lutar por mais justiça social, não estavam a celebrar uma data histórica, nem a defender os direitos dos imigrantes. Nem sequer estavam a manifestar-se contra os Estados Unidos ou Israel. Não, estavam a comemorar a vitória do Paris Saint Germain na Liga dos Campeões. O que deveria ter sido uma festa cheia de alegria, transformou-se numa batalha entre manifestantes e a polícia.

O que aconteceu em Paris foi uma exibição do culto da violência. Foi uma pura manifestação de ódio daqueles que não acreditam em nada. Naquelas pessoas só existe ódio. Ódio ao país onde vivem e onde a maioria nasceu. Ódio aos franceses brancos. Ódio aos símbolos burgueses, como as montras de lojas e os carros. Um ódio promovido e alimentado pela extrema-esquerda revolucionária, que tudo quer destruir para tomar o poder de um modo absoluto (é o que chamam a revolução). Ódio promovido igualmente pelo radicalismo islâmico que acredita na redenção muçulmana na Europa: depois de “séculos de colonialismo europeu nas terras do Islão”, acreditam que chegou o momento da Europa se subjugar ao islamismo. Esta tese está assente numa mentira, já que o poder imperial que governou as terras árabes durante séculos foi o Império Otomano, igualmente muçulmano.

Sabem quais foram os temas dos debates em grande parte da imprensa francesa depois da noite de violência? Os “abusos de poder” por parte da polícia e o modo como o partido de Marine Le Pen (Rassemblement Nationale) vai “explorar” a violência para fins políticos. É espantoso.

O Presidente Macron, completamente perdido, sem saber o que fazer, lembrou-se de apelar a uma reunião das Nações Unidas por causa dos ataques israelitas no Líbano. Será que Macron acredita que isso acalma a fúria do radicalismo islâmico em França? Não sabemos, mas o que se nota é que Macron está em pânico sem saber o que fazer perante o clima de conflito social, político, étnico e religioso no qual a França se afundou. Macron vai chegar ao fim dos dez anos de presidência com uma França a passar pela pior crise desde a segunda guerra mundial. E, muito provavelmente, vai receber como seu sucessor Marine Le Pen ou Bardella. Se isso acontecer, só haverá um culpado: o próprio Macron.

Atravessamos o canal da Mancha e assistimos a imagens arrepiantes de um jovem assassinado. Um jovem inglês branco foi assassinado por outro jovem de etnia indiana, aparentemente sem qualquer razão, a não ser um motivo racial. O assassino foi condenado a prisão perpétua e a sua mãe foi condenada por cumplicidade (escondeu a arma do crime).

As imagens mostram o jovem assassinado nos últimos minutos de vida a suplicar por ajuda à polícia. Os polícias não acreditaram nele. Pelo contrário, deram ordem de prisão e colocaram algemas num jovem a morrer. Pior do que tudo e verdadeiramente chocante, acreditaram na palavra do assassino que observava a cena, dizendo que tinha sido vítima de um ataque racial por parte da pessoa que tinha acabado de matar. Como é possível os polícias comportarem-se desta maneira sem qualquer evidência sobre o que tinha acontecido (como se verificou)? Por uma simples razão, que ninguém quer dizer ou escrever de um modo cru e objectivo: porque um dos jovens era branco e o outro era de origem indiana. Por isso, prende-se o branco e acredita-se no indiano. O ponto onde é preciso chegar para a polícia prender a vítima e acreditar no assassino, repito, sem qualquer evidência. Quase ninguém diz isto porque vivemos numa sociedade onde as pessoas têm medo da verdade. Quando se tem medo da verdade, está quase tudo perdido.

Starmer, que é tão rápido a condenar os “radicais de extrema-direita”, ficou calado até ao limite, até perceber que tinha de dizer alguma coisa. Mas no debate nos Comuns, os deputados trabalhistas mostraram duas grandes preocupações. Uma, a proteção da minoria Sikh no Reino Unido (o assassino é Sikh). Depois, o aproveitamento “racista” por parte de Farage e da extrema-direita inglesa.

Não, em França e no Reino Unido, não há aproveitamentos políticos. O que há são políticos fracos que não defendem os cidadãos nacionais, não defendem a identidade nacional, nem a história dos seus países. Quando a maioria da população sente que os seus governos não a protegem, e muitas vezes nem sequer a respeitam, vota em que promete proteção.

Macron e Starmer representam a decadência, a fraqueza e a cobardia que tomaram conta de muitos sectores das sociedades europeias. Deixam os seus países numa situação de conflitos sociais e quase anarquia política. O que vem a seguir será dramático. Macron e Starmer não são os únicos culpados (não esqueço Boris Johnson nem Sarkozy, dois aldrabões profundamente vaidosos, que apenas se preocupavam com o seu poder) mas são os maiores responsáveis.