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"É um mistério muito grande": cálice litúrgico desaparecido na ilha de Santa Maria devolvido pelo correio

Cálice litúrgico do século XVI avaliado em cinco a seis mil euros desapareceu em agosto de 2025, mas foi devolvido por correio à Paróquia da Matriz de Vila do Porto. PSP diz que veio do Continente.

Agência Lusa
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O cálice litúrgico do século XVI que desapareceu há cerca de um ano de uma igreja da ilha de Santa Maria, Açores, foi devolvido através dos CTT, com o pároco a admitir tratar-se de um “mistério muito grande”.

O padre da paróquia da Matriz de Vila do Porto, Carlos Espírito Santo, disse esta terça-feira à agência Lusa que o objeto litúrgico de prata em banho de ouro, dado como desaparecido em agosto de 2025, foi recuperado pela Polícia de Segurança Pública (PSP), após ter sido enviado anonimamente por correio.

“Este cálice [o seu desaparecimento] foi investigado pela PSP local e pela Polícia Judiciária. Contudo, a PSP de Vila do Porto teve acesso a este cálice, via CTT, que veio ter ao nosso posto”, explicou.

https://observador.pt/2025/08/18/calice-liturgico-do-seculo-xvi-desapareceu-de-paroquia-da-ilha-de-santa-maria/

Segundo o sacerdote, o envio postal não tinha morada de remetente, mas apenas o destinatário: “[Era] destinado à Paróquia de Vila do Porto, mas, de qualquer forma, vinha com a morada da Junta de Freguesia”.

A PSP teve acesso à encomenda postal e recuperou a peça desaparecida, que já está na posse da paróquia.

“[O cálice] foi enviado do continente [português], de um posto de correio, não se sabe bem a origem. A PSP é que tem isso em questão, mas foi de um posto fora das ilhas dos Açores”, acrescentou Carlos Espírito Santo.

Para o sacerdote, o reaparecimento do vaso sagrado de “grande valor espiritual e histórico” para a paróquia da Matriz de Vila do Porto, que está avaliado em cerca de cinco/seis mil euros, é “um mistério muito grande”.

Após a sua recuperação, as autoridades policiais “encerraram o caso por falta de provas”.

O seu reaparecimento é “um mistério”, vincou o responsável, assumindo que “foi um mistério desde o princípio, pelo roubo, porque não houve arrombamento da porta” da sacristia da igreja onde costumava ser guardado.

No entanto, à Lusa, o padre de Santa Maria, avança com uma possível explicação: “Poderá ter sido levado [para o continente]. Alguém viu que estava muita informação a circular, porque [o desaparecimento] foi muito divulgado em vários meios e, provavelmente, a pessoa não conseguiu desfazer-se dele ou, então, teve consciência e devolveu. Não sei”.

Seja como for, o sacerdote considera que a recuperação do utensílio litúrgico é uma notícia feliz para a comunidade, porque, normalmente, “quando isto acontece, é difícil voltar a recuperar as peças”.

O cálice vai ser utilizado no Dia do Corpo de Deus, na quinta-feira, como era hábito na paróquia da Matriz de Vila do Porto, mas depois será colocado num cofre, onde “permanecerá durante o ano”.

O cálice litúrgico do século XVI tinha sido dado como desaparecido em agosto de 2025, por ocasião dos preparativos para a festa anual de Nossa Senhora da Assunção, padroeira da vila, que é festejada a 15 de agosto.

“Este cálice é utilizado em cerimónias especiais. A última vez que foi utilizado foi no [dia do] Corpo de Deus. Estava na sacristia, no lugar onde era guardado. Fomos buscá-lo para limpar, para a festa de 15 de agosto, e demos por falta dele”, relatou na ocasião o sacerdote à Lusa.

Trata-se de um objeto religioso de “grande valor”, referiu, pormenorizando que “é de prata, dourado, tem quatro pênulos à volta e também tem umas pedras no pé”.

A paróquia já recorreu às redes sociais para informar os paroquianos do aparecimento do cálice e fará uma nova referência no Dia do Corpo de Deus, quando voltar a ser utilizado como habitualmente acontece.