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As autoridades iranianas anunciaram esta terça-feira estar a ultimar os preparativos para o funeral de três dias do líder supremo do país, Ali Khamenei, adiado no início de março pela ofensiva surpresa israelo-norte-americana contra a República Islâmica.
“Estão a ser ultimados os planos para a realização da cerimónia de despedida, funeral e sepultamento do corpo sagrado do imã mártir, com a participação de instituições e municípios de todo o país”, precisou o vice-presidente da Câmara de Teerão para Assuntos Culturais e Sociais, Mohammad Amin Tavakolizadé, informou a agência de notícias iraniana Tasnim.
É esperado que a cerimónia em Teerão dure pelo menos 24 horas, após o que o corpo do aiatolá será transladado para as cidades de Qom e, finalmente, para a cidade santa de Mashhad para uma cerimónia semelhante.
O funeral de Estado, que ia celebrar-se no mausoléu Imã Khomeini da capital, foi adiado sem data a 4 de março, devido à continuação dos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, iniciados a 28 de fevereiro.
Khamenei morreu nesse dia, na primeira onda de ataques aéreos lançada por Washington e Telavive, em que morreram também a sua mulher, Mansureh Khojasteh Bagherzadeh, e vários outros familiares, entre os quais a filha e uma das netas.
Os Estados Unidos e Israel justificaram o ataque militar ao Irão com a inflexibilidade deste nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
https://observador.pt/2026/03/03/pentagono-esclarece-que-khamenei-foi-morto-em-operacoes-israelitas/
Washington e Teerão acordaram a 8 de abril um cessar-fogo de duas semanas, para negociações assentes num plano de dez pontos que Teerão apresentaria para pôr fim a 40 dias de guerra.
O cessar-fogo foi já várias vezes prorrogado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para permitir a continuação de negociações indiretas — na segunda-feira suspensas — para o levantamento das sanções internacionais ao Irão e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz.
Entretanto, Teerão mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial, e Washington, por sua vez, impede a passagem de navios que tenham como origem ou destino portos iranianos.