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Socialistas em Lisboa rejeitam tese de Leitão e apoiam decisão de vereadores de não suspender mandatos

Na gestão do impacto da Operação Imergente, socialistas de Lisboa deixaram Alexandra Leitão isolada sobre arguidos. Só a 16 de junho haverá sucessor para Miguel Coelho como líder da bancada na AML.

Rita Tavares
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Na noite desta segunda‑feira, os socialistas de Lisboa reuniram‑se para gerir os estragos políticos das buscas judiciais da última semana, que envolveram autarcas do PS na capital, e discutir o sucessor de Miguel Coelho na liderança da bancada municipal do partido. Nesse encontro, ficou claro que a leitura de Alexandra Leitão sobre a conduta a exigir a um político arguido não colhe apoios na estrutura de Lisboa.

Na reunião participaram membros da concelhia do PS-Lisboa e os deputados municipais do partido, com o presidente da concelhia, Davide Amado, — também ele alvo de buscas na Operação Imergente — a ouvir os socialistas sobre a decisão que terão de tomar a 16 de junho: a eleição do novo líder da bancada, após a saída de Miguel Coelho, deputado e presidente da Assembleia Municipal de Santa Maria Maior, constituído arguido.

Ainda não há candidaturas formais, embora, na reunião, o presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Ricardo Marques, tenha defendido que a liderança da bancada deveria caber a um presidente de junta. “A maior parte não concorda” com essa linha, diz, no entanto, ao Observador um socialista presente na reunião — leitura que é partilhada por outros participantes. Na sessão da Assembleia Municipal em que a bancada já esteve sem Coelho, o papel de líder coube ao deputado Hugo Gaspar. A Assembleia Municipal ganhou especial relevo para o PS desde a conquista inesperada da presidência, no pós-eleições — quando a direita falhou a eleição de Margarida Mano — e é hoje o reduto de poder que o partido conserva em Lisboa.

Apesar de a reunião ter sido convocada com o pretexto da sucessão na liderança, o tema da investigação judicial — e, em particular, o debate sobre o que deve fazer um arguido — não passou ao lado. Os socialistas de Lisboa mostraram‑se pouco alinhados com a posição pública de Alexandra Leitão. No domingo, a antiga cabeça de lista do PS à Câmara de Lisboa assumira uma posição diferente da dos seus colegas de vereação constituídos arguidos na última semana: Sérgio Cintra e Carla Madeira decidiram não suspender os mandatos. Sem os nomear, Leitão deixou um “grande elogio” a Miguel Coelho e afirmou que também sairia de funções se fosse constituída arguida.

Na reunião ouviram‑se algumas críticas diretas ao que muitos leram como falta de solidariedade de Alexandra Leitão. Mais do que os reparos à vereadora, o que sobressaiu a quem participou foi o alinhamento com a decisão dos dois vereadores de se manterem em funções. Já a posição de Leitão acabou por ficar isolada e, internamente, é vista entre uma opinião previsível, tendo em conta o seu perfil, e uma oportunidade para recompor a equipa com elementos da sua maior confiança. Entretanto, durante a tarde, em declarações ao Público, a vereadora procurou aliviar a pressão, garantindo que não estava a pressionar os dois vereadores, redirecionando a crítica para o atual executivo, por “ter em funções uma vereadora acusada”.

À hora da reunião, os socialistas já sabiam que a direção nacional não tinha dado respaldo à posição de Leitão, ao remeter para o código de ética de 2024, segundo o qual os eleitos devem renunciar ao mandato quando são pronunciados ou acusados em primeira instância, tal como avançou o Observador. O entendimento dominante na estrutura de Lisboa é que essa bitola é suficiente, tanto mais que, no caso concreto, são ainda escassos os dados conhecidos sobre os motivos pelos quais os dois vereadores são indiciados nesta investigação. No PS Lisboa há quem também aponte o argumento da vereadora dos Espaços Verdes e da Higiene Urbana de Carlos Moedas, Joana Batista, que se mantém em funções quando foi acusada pelo Ministério Público — por decisões quando era vereadora em Oeiras.

O PS tem vários arguidos com ligações ao partido no âmbito da Operação desencadeada na quinta-feira passada pela PJ. Além de Miguel Coelho, Sérgio Cintra e Carla Madeira, também a presidente da Junta da Misericórdia (PS), Carla Almeida, foi constituída arguida. Além disso, estiveram ainda detidos quatro elementos com ligações ao partido.