Mais uma dose de pressão sobre Luís Montenegro, e desta vez chega do próprio partido. O presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, que é também o presidente do congresso do PSD (reeleito em 2024), veio deixar uma ameaça muito clara: ou o Governo começa a resolver problemas e cumprir compromissos assumidos com a região, ou estará “totalmente indisponível” para liderar os trabalhos.
Questionado pelos jornalistas sobre o congresso de 20 e 21 de junho, em Anadia, onde lhe caberá conduzir os trabalhos, Albuquerque respondeu assim: “A minha posição vai ser muito clara, e é muito clara: se se mantiver a situação de não resolução das questões que estão relacionadas com a Madeira, eu estou totalmente indisponível para presidir a seja o que for. Se não forem tratadas, estou totalmente indisponível”.
Questionado sobre a forma como está a correr o diálogo com o Governo, o madeirense defendeu que o diálogo “tem dois sentidos”, mas que a Madeira não está a ser ouvida pelo Executivo de Luís Montenegro: “No meu português, o diálogo tem dois sentidos. Se é de surdos não dá. É preciso andar com as questões pendentes”.
E, questionado sobre se os problemas que tinha com os governos socialistas de António Costa se mantêm, confirmou: “Por isso é que estou a falar”. Vai tomar atitudes radicais? “Radical é resolverem as questões. Não há nada. É disso que estamos à espera”.
Aos jornalistas, Albuquerque deu exemplos sobre as questões que estão em atraso e que precisa de resolver com Luís Montenegro: a revisão da Lei de Finanças Regionais, cujo grupo de trabalho foi constituído em abril e que tinha prometido apresentar uma proposta até ao fim do ano; a constituição de um grupo de trabalho sobre os sistemas de Saúde na região; a terceira fase do hospital do hospital do Funchal, que tem de ir a Conselho de Ministros, e “começar a tratar” do novo regime da zona franca industrial.