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O estádio com 10 mil painéis solares que brilha sem luzes: Lincoln Financial Field, o estádio mais ecológico do Mundial

Linc" não tem a arquitetura moderna de outros estádios da competição, que são mais tecnológicos. Por lá, o brilho das luzes fica para os protagonistas e os deste Mundial não serão exceção.

Manuel Conceição Carvalho
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Se muitos dos estádios que sediam jogos do Mundial-2026 são marcados pela interminável tecnologia e arquitetura de impressionar qualquer adepto, este destaca-se pela ecologia e sustentabilidade. O Lincoln Financial Field — apelidado de Philadelphia Stadium pela FIFA – é um dos estádio mais “verdes” da prova. No seu formato, mais tipicamente norte-americano será difícil de encontrar. Não há luzes em todo lado ou coberturas retráteis. Nem mega ecrãs suspensos ou arquitetura ultra moderna. À primeira vista, há um estádio grande — como não poderia deixar de ser nos Estados Unidos – e um campo. Assim mesmo: industrial, mas eficaz.

A maior parte da tecnologia do recinto está centrada na eficiência energética. Mais de 10 mil painéis solares, divididos entre o parque de estacionamento e a estrutura do estádio, geram cerca de 40% da energia consumida anualmente nas instalações, complementados por turbinas eólicas e por um conjunto de medidas de gestão sustentável que transformaram o Lincoln Financial Field, alcunhado de “The Linc,” num caso raro no desporto profissional norte-americano. Em 2024, o estádio recebeu a certificação LEED Platinum, o nível mais elevado atribuído a edifícios com desempenho ambiental relevante.

As instalações são apenas o reflexo do clube que ali habita. Os Eagles garantem que impediram o uso de mais de um milhão de garrafas de plástico desde 2015 através da colocação de fontanários com filtro nos seus complexos, reduzindo também o consumo hídrico no próprio Lincoln Financial Field, onde a implementação de urinóis com descarga simultânea poupa cerca de 19 mil litros de água em cada evento da temporada. Além disso, o clube compromete-se a plantar 30 árvores por cada pontapé de campo (field goal) convertido pela equipa em ponto, o que já permitiu reflorestar “várias zonas dos Estados Unidos” com “mais de 2.400” novas árvores desde 2023.

https://twitter.com/FWC26Philly/status/2052044053730980165

Reduzir o estádio à sua vertente ecológica seria, no entanto, ignorar o seu peso desportivo. Inaugurado em 2003 para substituir o antigo Veterans Stadium, que também recebia jogos de basebol, tornou-se rapidamente num dos símbolos da Filadélfia. Com capacidade para cerca de 67 mil espectadores, recebe os jogos da sua equipa na NFL e foi palco da celebração da conquista do Super Bowl LII dos Eagles, em 2018. Ao longo das últimas duas décadas, o Lincoln Financial Field habituou-se também a receber futebol internacional. Passaram por ali encontros da seleção dos EUA, partidas da Gold Cup, como a final de 2015, e da Copa América Centenário. No ano passado ainda recebeu nove partidas do Mundial de Clubes, incluindo os quartos de final entre o Palmeiras e o Chelsea.

O estádio ainda foi por 14 vezes a casa de um jogo com grande peso na cultura norte-americana: o Army-Navy Game (Jogo Exército-Marinha, em português). O jogo de futebol americano junta as duas maiores e mais antigas academias militares do país. A Filadélfia fica situada quase exatamente a meio caminho entre West Point (academia do Exército, em Nova Iorque) e Annapolis (academia da Marinha, em Maryland), tornando-se o terreno neutro ideal para as duas academias se encontrarem. Além disso, há ainda o facto de Filadélfia ter sido o local onde foi assinada a Declaração da Independência dos EUA, em 1776.

No Mundial-2026, o foco estará no relvado e não nas luzes que reclamam para si toda a atenção – deixa o brilho para os protagonistas. É verdade que o Philadelphia Stadium não impressiona pela arquitetura, mas é provavelmente o estádio mais sustentável da competição.

BI

  • País: EUA
  • Cidade: Filadélfia
  • Ano de fundação: 2003
  • Equipas e desportos: Philadelphia Eagles (futebol americano)
  • Custo de construção: 512 milhões de dólares (441 milhões de euros, ao câmbio atual)
  • Capacidade: 67 mil espetadores
  • Jogos no Mundial-2026 (6): Costa do Marfim-Equador (14/6), Brasil-Haiti (19/6), França-Iraque (22/6), Curaçau-Costa do Marfim (25/6), Croácia-Gana (27/6) e um jogo dos oitavos de final (4/7)