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Funcionária de laboratório nuclear encontrada morta após um ano desaparecida. Caso foi associado ao assassinato de Nuno Loureiro

Melissa Casias pertence ao grupo de "cientistas desaparecidos" nos EUA que motivaram a abertura de investigações federais. Restos mortais foram encontrados numa floresta próximos de arma de fogo.

Miguel Pereira Santos
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Os restos mortais encontrados numa floresta do Novo México pertencem à funcionária do laboratório nuclear de Los Alamos que estava desaparecida há quase um ano, anunciaram esta segunda-feira as autoridades do Estado norte-americano após as devidas perícias.

O desaparecimento de Melissa Casias foi associado a mais de 10 outros desaparecimentos e mortes recentes de membros da comunidade científica norte-americana — entre os quais, o assassinato do físico português Nuno Loureiro, que liderava um departamento na universidade MIT. A teoria dos “cientistas desaparecidos” começou por crescer entre conspiracionistas online, especulando que teriam sido razões profissionais a motivar estes casos e que estariam todos ligados.

https://observador.pt/2025/12/19/suspeito-de-ataque-na-universidade-brown-e-morte-de-nuno-loureiro-e-um-portugues-e-foi-encontrado-morto/

Contudo, a polémica chegou às mais altas esferas do Estado norte-americano com anúncios de investigações federais e uma reação do próprio Presidente dos EUA. O FBI anunciou em abril que estava “a liderar os esforços para investigar possíveis ligações com os cientistas desaparecidos e falecidos”. Vários eleitos norte-americanos quiseram esclarecimentos sobre a vaga de mortes e desaparecimentos e uma comissão do Congresso dos EUA também anunciou um inquérito.

Donald Trump também se pronunciou na altura sobre uma possível ligação entre os desaparecimentos. “São casos isolados. Nós temos muitos cientistas. […] Estamos a constatar que não há grande ligação”, disse numa conferência de imprensa segundo a CNN. “Vamos elaborar um relatório completo. É um assunto muito sério.”

Entre os indivíduos desaparecidos ou mortos, encontravam-se perfis muito diversos: um general reformado da Força Aérea, um engenheiro e um funcionário de limpeza. Todos foram descritos como trabalhando em áreas científicas sensíveis, mas trabalhavam em áreas distintas: desde a indústria farmacêutica, passando pela ciência nuclear, até à investigação espacial. Vários familiares das vítimas têm tentado sem sucesso dissipar as teorias conspirativas. Um dos investigadores morreu de doença cardíaca, outro ter-se-á suicidado na sequência da morte de ambos os pais.

Antes de desaparecer, Melissa Casias, 54 anos, era assistente administrativa no Laboratório Nacional de Los Alamos, onde se realizam importantes investigações para defesa nuclear norte-americana. Foi neste laboratório do Novo México que foram desenvolvidas as primeiras armas atómicas do mundo durante a Segunda Guerra Mundial.

As autoridades locais foram alertadas a 26 de junho de 2025 sobre o desaparecimento desta funcionária do laboratório, quando não apareceu no local de trabalho nem em casa após uma visita à filha. “A família descobriu posteriormente que os seus pertences pessoais, incluindo a bolsa, os documentos de identificação e os telemóveis, tinham sido deixados para trás, o que suscitou preocupações quanto ao seu bem-estar e levou à abertura de um inquérito por desaparecimento”, explicou a polícia estadual, recorda a BBC.

Os restos mortais seriam apenas encontrados a 28 de maio deste ano por uma pessoa que fazia uma caminhada na Floresta Nacional de Carson, numa zona onde Melissa Casias já tinha sido procurada anteriormente. As autoridades também encontraram uma arma de fogo nas proximidades do local. No entanto, a investigação ainda não conseguiu determinar a causa da morte. “É muito para assimilar, os nossos corações estão pesados e tencionamos continuar a procurar respostas em nome da justiça”, escreveu a família de Melissa Casias no Facebook.