…Porque no mundo, 1 em cada 6 pessoas vive com algum tipo de deficiência e porque em pleno século XXI queremos uma sociedade civil que converse com todos e que chegue a mais pessoas… e ainda bem que assim é. É importante perceber o impacto que a deficiência tem na vida de cada um, mas será ainda mais relevante que a sociedade tenha conhecimento concreto da existência destas incapacidades, as compreenda, seja curiosa em querer saber mais, para as poder olhar de frente e respeitar.
Não se tratará (somente) de uma questão de ética, mas sim do poderoso papel que o storytelling tem ao contar histórias disruptivas, reais, fortes, duras, impactantes, simplesmente diferentes. O impacto social pode começar aqui, neste abrir de olhos que nos faz pensar duas vezes, que nos faz mudar de atitudes, gerar comportamentos e aceitar a diferença, com toda a naturalidade. Ela faz parte do mundo, seja numa falta de visão, num temporário braço partido ou numa cadeira de rodas para todo o sempre.
Mas principalmente para quem vive esta diferença, todos os dias, na sua vida, é fundamental que o outro a conheça e a considere. A inclua na rotina… dos transportes públicos, dos privados, da fila do supermercado, do passeio não rebatido, das escadas sem alternativa, dos buracos no passeio, dos sites para visões 100% funcionais, dos filmes sem legendas, dos tratos condescendentes, dos pré conceitos das entidades patronais, da impaciência que demonstramos pelo modo diferente que o outro tem de compreender o mundo…
Muito disto que falamos tem pouco a ver com acessibilidade, porque está muito mais relacionado com direitos humanos e com respeito.
Voltamos então ao início para reforçar que, nas nossas vidas, nas nossas escolas e, em geral, no mundo, é fundamental aproximarmo-nos destas histórias, para as conhecer, porque precisamos delas como de pão para a boca, de ar para os pulmões e de sol para a fotossíntese, e quando estas histórias estiverem ao pé de nós, assimiladas no nosso modus operandi e integradas no dia a dia, a perceção da diferença que há na deficiência, passará a ser aquilo que nos torna iguais merecedores de respeito. Sabemos que um dia chegaremos lá!