(c) 2023 am|dev

(A) :: O francês que sacrificou tudo, Mbappé a igualar Pelé e o fim de um mito: as histórias do Mundial 2018

O francês que sacrificou tudo, Mbappé a igualar Pelé e o fim de um mito: as histórias do Mundial 2018

Por muito que agora pareça impensável, a Rússia organizou um Campeonato do Mundo há menos de uma década. França ganhou já com Mbappé, Modric brilhou com a Croácia e Alemanha saiu na fase de grupos.

Mariana Fernandes
text

A história movimenta-se tão rápido que oito anos parecem uma eternidade. E é por isso que é estranho pensar que há apenas oito anos, há menos de uma década, a Rússia organizou um Campeonato do Mundo. A Rússia que está agora excluída de muitas competições desportivas, a Rússia que é antagonizada por praticamente todo o mundo e a Rússia que se senta à mesa com quase ninguém organizou o maior evento mundial de futebol.

Ainda assim, mesmo há oito anos, a decisão foi polémica. FIFA e Rússia foram acusadas de corrupção, existindo a ideia de que os votos da atribuição do Mundial tinham sido comprados, de que as violações dos direitos humanos que existiam no país tinham sido ignoradas e de que a anexação da Crimeia que já tinha ocorrido tinha sido ratificada. Acusações à parte, o Mundial 2018 seguiu em frente – e não impediu ninguém de organizar o seguinte no Qatar. 

Em território russo, a França de Didier Deschamps sagrou-se campeã mundial 20 anos depois e vingando a desilusão de dois anos antes, em Paris, quando perdeu a final do Euro 2016 com Portugal. Os franceses venceram uma impressionante Croácia na final de Moscovo, com Luka Modric a ser eleito o melhor jogador da competição meses antes de ganhar a Bola de Ouro, e viram Kylian Mbappé ter os primeiros momentos de glória num palco internacional. Portugal caiu nos oitavos de final contra o Uruguai – e Cristiano Ronaldo trocou o Real Madrid pela Juventus logo depois do Mundial.

Uma história. O francês que sacrificou a própria carreira para ser campeão mundial

Samuel Umtiti chegou ao Mundial 2018 como um dado adquirido no onze inicial de Didier Deschamps. Vinha de 40 jogos com o Barcelona, de ganhar a La Liga e a Taça do Rei, e tinha acabado de renovar contrato com os catalães para ficar com uma cláusula de 500 milhões de euros. O que poucos sabiam, na altura, era que Umtiti tinha decidido não ser operado a uma lesão grave no joelho para estar no Campeonato do Mundo. Esteve em seis dos sete jogos, marcou o golo da vitória na meia-final contra a Bélgica e foi titular na final contra a Croácia. No fim, foi campeão do mundo. E também estragou a carreira de vez: foi operado, nunca recuperou, perdeu o lugar no Barcelona e deixou os relvados aos 32 anos e na sequência de um calvário de lesões no Lecce e no Lille. A história de quem tudo sacrificou para ganhar um Mundial.

Um herói. Mbappé, o segundo adolescente a marcar numa final depois de Pelé

Tinha 19 anos, magia deixada no Mónaco e uma única temporada completa no PSG. Kylian Mbappé chegou ao Mundial 2018 com o rótulo de próximo Bola de Ouro, uma profecia que ainda não conseguiu alcançar, e a ideia de que era a grande arma de Didier Deschamps para atacar a competição. Assinou quatro golos, apenas atrás dos seis de Harry Kane e incluindo um na goleada da final, tornando-se apenas o segundo adolescente a marcar numa final de um Campeonato do Mundo – depois de um tal de Pelé. Em 2018, Mbappé prometeu ao mundo que seria o sucessor de Messi e Ronaldo, um jovem muito jovem com tudo por conquistar que até já tinha um Mundial no bolso. Oito anos depois, já no Real Madrid, a promessa ainda parece algo vazia.

Uma curiosidade. A toda-poderosa Alemanha foi para casa ao fim de três jogos

Foi a 27 de junho de 2018, num dos últimos dias da fase de grupos. O mundo parou à volta de televisões, entre bocas abertas e a ideia de que estava a assistir a algo nunca visto – e que achava, erradamente, que nunca iria voltar a ver. Em Kazan, quatro anos depois de conquistar o Mundial no Brasil, a Alemanha perdeu com a Coreia do Sul e ficou no último lugar do Grupo F, sendo eliminada na fase de grupos de um Campeonato do Mundo pela primeira vez. A toda-poderosa Alemanha, campeã mundial quatro vezes, a que ganhava sempre quando eram onze contra onze, estava de fora ao fim de três jogos. Quatro anos depois, no Qatar, o pesadelo repetiu-se.

Como foram os resultados do Mundial de 2018

  • 14 de junho (fase de grupos): Rússia-Arábia Saudita, 5-0
  • 15 de junho (fase de grupos): Egito-Uruguai, 0-1, Marrocos-Irão, 0-1 e Portugal-Espanha, 3-3
  • 16 de junho (fase de grupos): França-Austrália, 2-1, Peru-Dinamarca, 0-1, Argentina-Islândia, 1-1 e Croácia-Nigéria, 2-0
  • 17 de junho (fase de grupos): Costa Rica-Sérvia, 0-1, Brasil-Suíça, 1-1 e Alemanha-México, 0-1
  • 18 de junho (fase de grupos): Suécia-Coreia do Sul, 1-0, Bélgica-Panamá, 3-0 e Tunísia-Inglaterra, 1-2
  • 19 de junho (fase de grupos): Rússia-Egito, 3-1, Colômbia-Japão, 1-2 e Polónia-Senegal, 1-2
  • 20 de junho (fase de grupos): Uruguai-Arábia Saudita, 1-0, Portugal-Marrocos, 1-0 e Irão-Espanha, 0-1
  • 21 de junho (fase de grupos): Dinamarca-Austrália, 1-1, França-Peru, 1-0 e Argentina-Croácia, 0-3
  • 22 de junho (fase de grupos): Nigéria-Islândia, 2-0, Brasil-Costa Rica, 2-0 e Sérvia-Suíça, 1-2
  • 23 de junho (fase de grupos): Coreia do Sul-México, 1-2, Alemanha-Suécia, 2-1 e Bélgica-Tunísia, 5-2
  • 24 de junho (fase de grupos): Inglaterra-Panamá, 6-1, Japão-Senegal, 2-2 e Polónia-Colômbia, 0-3
  • 25 de junho (fase de grupos): Uruguai-Rússia, 3-0, Arábia Saudita-Egito, 2-1, Irão-Portugal, 1-1 e Espanha-Marrocos, 2-2
  • 26 de junho (fase de grupos): Dinamarca-França, 0-0, Austrália-Peru, 0-2, Nigéria-Argentina, 1-2, Islândia-Croácia, 1-2
  • 27 de junho (fase de grupos): Sérvia-Brasil, 0-2, Suíça-Costa Rica, 2-2, Coreia do Sul-Alemanha, 2-0 e México-Suécia, 0-3
  • 28 de junho (fase de grupos): Inglaterra-Bélgica, 0-1, Panamá-Tunísia, 1-2, Japão-Polónia, 0-1 e Senegal-Colômbia, 0-1
  • 30 de junho (oitavos de final): Uruguai-Portugal, 2-1 e França-Argentina, 4-3
  • 1 de julho (oitavos de final): Espanha-Rússia, 1-1, 3-4 e Croácia-Dinamarca, 1-1, 3-2
  • 2 de julho (oitavos de final): Brasil-México, 2-0 e Bélgica-Japão, 3-2
  • 3 de julho (oitavos de final): Suécia-Suíça, 1-0 e Colômbia-Inglaterra, 1-1, 3-4
  • 6 de julho (quartos de final): Uruguai-França, 0-2 e Brasil-Bélgica, 1-2
  • 7 de julho (quartos de final): Rússia-Croácia, 2-2, 3-4 e Suécia-Inglaterra, 0-2
  • 10 de julho (meias-finais): França-Bélgica, 1-0
  • 11 de julho (meias-finais): Croácia-Inglaterra, 2-1
  • 14 de julho (3.º e 4.º lugar): Bélgica-Inglaterra, 2-0
  • 15 de julho (final): França-Croácia, 4-2