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Na véspera da greve geral, Montenegro pede "respeito pelos portugueses que querem trabalhar"

O primeiro-ministro acredita que uma "grande maioria" de trabalhadores não vai fazer greve, mas pede "respeito" pelas duas posições. Montenegro não esquece "militantes acérrimos da CGTP".

Miguel Pinheiro Correia
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O primeiro-ministro está confiante de que “a grande maioria dos portugueses que trabalham vai trabalhar” esta quarta-feira, apesar de estar marcada uma greve geral. No entanto, teme que “uma minoria” condicione o trabalho dos restantes.

“Muitas vezes o que acontece é que uma minoria consegue condicionar o trabalho dos outros”, disse esta terça-feira Luís Montenegro na chegada à Alfândega do Porto, onde decorre a conferência do 138.º aniversário do Jornal de Notícias.

O chefe do Governo pediu “respeito pelos portugueses que querem trabalhar” e lembrou a importância de haver respeito entre os que escolhem fazer greve e os que optam por trabalhar. “Temos um grande respeito pelos portugueses que querem emitir a sua discordância sobre alguns temas e querem fazer greve, mas temos igualmente muito respeito pelos portugueses que querem trabalhar”, acrescentou.

“Aquilo que eu espero é que deixem os portugueses trabalhar. Deixem os portugueses que querem exercer o direito à greve exercê-lo, mas também deixem aqueles que não querem exercer esse direito, que querem trabalhar, ir à escola, ir às consultas médicas, fazer as suas tarefas diárias”.

Na chegada ao evento, Luís Montenegro não esqueceu as poucas dezenas de manifestantes que, como tem sido habitual nos eventos com o primeiro-ministro, gritavam contra o pacote laboral. “Ouvimos sempre a sociedade, neste caso não há grande novidade, são sempre os mesmos, militantes acérrimos da CGTP”.

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No discurso de abertura da conferência que procura discutir os “50 anos do poder local”, o líder do Governo focou-se no papel da comunicação social para dar voz às regiões. A esse respeito, destacou o trabalho do atual Executivo. “Pela primeira vez, o Estado vai pagar uma parte da distribuição dos jornais”, disse o primeiro-ministro, lembrando o concurso internacional lançado esta terça-feira para assegurar a distribuição de jornais em papel em territórios com baixa densidade populacional.

“Não queremos órgãos de comunicação social que só queiram vender jornais em Lisboa e no Porto”. Sobre as falhas na distribuição de jornais em algumas zonas de Portugal, Montenegro reconheceu que “os poderes públicos não podem ser indiferentes” nem “aceitar” essa realidade.

Montenegro lembrou que a preocupação do Governo com o apoio da comunicação social já se notava no Executivo anterior, quando tinha esta tutela o ministro dos Assuntos Parlamentares Pedro Duarte, agora Presidente da Câmara do Porto, também presente no evento.

Para o futuro, o atual Governo tem em mente uma nova Lei das Finanças Locais que vai englobar também a comunicação social, mas que não deverá entrar em vigor em breve. “Nós estamos hoje já com um grupo de trabalho criado precisamente com elementos deste setor para sermos o mais rápidos possível. Embora a Associação Nacional de Municípios Portugueses pretenda ver inscrito o resultado desse trabalho no próximo Orçamento do Estado para 2027. Tenho que moderar os ânimos, porque parece-me pouco realista. Não é que não tenhamos interesse, mas a lei teria que estar aprovada e em vigor nesta altura [para entrar no próximo OE]”.

O primeiro-ministro terminou o discurso a elogiar os presidentes das juntas de freguesia, que no seu entender tiveram pela frente um desafio ímpar em mais de 50 anos de democracia, sendo essenciais para “serenar” os habitantes das zonas afetadas pelas tempestades.