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Arqueólogos descobrem primeiros destroços de navios dos verdadeiros "Piratas das Caraíbas" em Nassau

Canhões, balas, cachimbos e um casco carbonizado: arqueólogos encontraram os primeiros vestígios subaquáticos da "República dos Piratas" que reinou na Ilha de Nova Providência entre 1713 e 1718.

Sâmia Fiates
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Uma expedição composta por arqueólogos e cineastas internacionais encontrou os primeiros sinais da presença de piratas na costa da Ilha de Nova Providência, onde fica Nassau, a capital das Bahamas. Foram encontrados seis destroços de naufrágios, três dos quais remontam à “era de ouro da pirataria”, entre 1650 e 1730, avança Sean Kingsley, o codiretor da expedição, ao The Guardian. “Estas descobertas são apenas a ponta do iceberg. Fiquei chocado com a sobrevivência inesperada de um casco de madeira – afinal, os navios eram a principal ferramenta do terror pirata. Pode muito bem haver dezenas de outros naufrágios dentro e ao redor do porto”, destaca o pesquisador.

Apesar de vários navios já terem sido descobertos nos arredores das ilhas Maurícias e na costa do estado norte-americano da Carolina do Norte, é a primeira vez que navios naufragados são encontrados em Nassau. As Bahamas eram uma rota comercial comum nos séculos XVII e XVIII e a ilha, que foi considerada a “República dos Piratas” entre 1713 e 1718, chegou a ter uma população de mais de mil piratas, incluindo nomes lendários como Barba Negra, “Calico Jack” Rackham e Anne Bonny. Estima-se que mais de 500 navios tenham afundado nos mares de Nassau desde 1680, contudo, nenhuma expedição tinha sido feita no sentido de procurar destroços dentro da água, conhecida por ser habitat de tubarões agressivos. Até junho de 2025, quando a New Providence Pirates Expedition, uma equipa internacional formada por cientistas e cineastas, dedicada à produção de conteúdos científicos e de entretenimento, conseguiu uma autorização.

A expedição foi realizada no final de 2025 e o resultado é revelado num novo episódio da série Wreckwatch TV. Entre os achados está um casco de madeira carbonizado — os piratas eram conhecidos por incendiar os navios que capturavam, com o intuito de destruir as provas dos seus crimes. Os arqueólogos também encontraram armamento e munições: canhões giratórios e de pivô, que eram as armas preferidas dos piratas, 25 balas de mosquete de chumbo e uma pedra de afiar espadas. Também foram descobertas cordas, garrafas de vidro e tijolos, ainda preservados, dentro da cozinha de um navio; e 143 cachimbos de barro, decorados com um unicórnio, um cavalo, uma coroa e o brasão real da Inglaterra, o que sugere que tenham sido feitos em Londres por volta de 1740, dizem os pesquisadores.

Contudo, o objetivo da equipa era encontrar destroços do The Fancy, uma fragata de 46 canhões comandada pelo “Rei dos Piratas”, Henry Avery. Em 1695, Avery liderou o The Fancy e uma pequena flotilha de outros navios num famoso ataque à frota do imperador Mughal da Índia, que estava carregada de tesouros. A história diz que depois do ataque, Avery desapareceu juntamente com o suposto saque. Os registos históricos, entretanto, apontam para a Ilha de Nova Providência. O The Fancy terá sido abandonado no porto de Nassau em 1696, em parte para pagar ao corrupto governador inglês das Bahamas.

A expedição não pode confirmar, mas desconfia ter encontrado o The Fancy. “Está no local certo, é da época certa e tem a construção de casco correta”, afirma Sean Kingsley, o arqueólogo marítimo independente e colíder da expedição, em declarações ao National Geographic. “O navio provavelmente era inglês e navegou para Nassau logo após a ameaça pirata ter sido sufocada. A sobrevivência do naufrágio, bastante danificado pelo desenvolvimento costeiro, é um milagre. A carga do comerciante, composta por vinho em garrafas de vidro e cachimbos sofisticados, lança uma rara luz sobre a recuperação de Nassau como um porto comercial normal, após a anarquia pirata”.