Uma adega com pelo menos 20 mil garrafas de vinho, que pertenceu a Josef Estaline, foi revelada ao público na semana passada pela primeira vez, num primeiro passo para levar a leilão esta coleção com raridades do século XIX envelhecidas por mais de 200 anos.
O ditador soviético é uma das personalidades históricas mais famosas que nasceram na Geórgia. Além de ter liderado a União Soviética, entre 1924 e a sua morte em 1953, Estaline era um grande apreciador de vinho. Na revolução russa de 1917, os soviéticos confiscaram a coleção dos imperadores Romanov e Estaline tornou-se o seu guardião.
Ao longo dos anos, foi acrescentando as suas variedades georgianas preferidas a uma coleção que contava com vinhos de algumas das propriedades mais famosas de Bordéus. Acredita-se também que algumas destas garrafas poderão ter pertencido a Napoleão Bonaparte antes de passarem a ser propriedade dos czares russos Alexandre III e o filho Nicolau II.
Os fundos gerados pelo leilão, cujos organizadores acreditam que vai “colocar a Geórgia no mapa dos colecionadores”, vão ser utilizados para abrir uma escola de enologia. Na apresentação da Fábrica de Vinho n.º 1, o ministro da Agricultura voltou a apelidar o país de o “berço” da produção de vinho. “Um dos elementos mais distintivos e notáveis que moldaram a Geórgia que conhecemos hoje é a sua história de oito mil anos de produção de vinho”, afirmou David Songulashvili.
A coleção foi recentemente transferida da esfera do Estado para a Agência Nacional do Vinho, que poderá utilizá-la gratuitamente por um período indeterminado. Entretanto, existem planos para estudar a origem das garrafas ali preservadas. “Este é um tesouro extraordinário — uma coleção de vinhos notável. Temos de dar início ao seu processo de identificação e verificação. A enoteca foi avaliada e catalogada formalmente pela última vez em 2002. É importante avaliar o seu estado atual”, acrescentou o governante.
A coleção também foi aprovada pelo primeiro grupo de colecionadores que a puderam visitar na sua abertura ao público. O dirigente de uma das produtoras vinícolas mais famosas do mundo, a Château Cheval Blanc, em Bordéus, elogiou a adega em Tbilissi, mas levantou dúvidas sobre a preservação das garrafas. “Isto aqui é como um panteão do vinho. Mas a conservação do vinho, não sei. É muito importante controlar cada garrafa, porque a cortiça pode causar um pequeno problema. É normal com o tempo”, disse Pierre Lurton à Reuters.
A Fábrica de Vinho n.º 1, onde se encontra a coleção de pelo menos 20 mil garrafas de vinho, também foi elogiada pelos visitantes. De acordo com o Georgia Today, foi construída no século XIX com financiamento do cientista e filantropo David Sarajishvili, sendo considerada um exemplo notável da arquitetura georgiana. “Sinto-me como o Indiana Jones a explorar uma caverna: pode não ser nada, ou pode ser algo”, disse Victor Chen, colecionador norte-americano que viajou desde o Texas para poder visitar a coleção. “Não há muitas coisas que ainda constituam momentos históricos nesta altura. E isto pode ser um deles.”