Uma mulher grávida foi agredida pela polícia neerlandesa num centro de acolhimento para requerentes de asilo em Zeist, nos arredores de Utrecht, enquanto o seu marido palestiniano era detido. Malak Mahmoud, de origem síria, revelou que deu à luz cinco dias após as agressões e que a detenção do marido, Wesam Mekdad, aconteceu após este ter partido uma televisão ao receber a notícia da morte de um familiar em Gaza. Em comunicado, as autoridades informam que “os agentes intervieram após receberem uma denúncia de ameaças e vandalismo, que mencionava uma faca”.
“Fui vítima de violência por parte da polícia neerlandesa. Embora já tivesse a gravidez prolongada após a agressão, felizmente a minha filha está saudável e bem, e eu também estou bem. O meu marido também sofreu algum tipo de violência e já foi libertado”, afirmou Malak Mahmoud, em entrevista à Al Jazeera.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que a mulher grávida foi agarrada por um agente de forma brusca e atirada para o chão. O seu marido, Wesam Mekdad, reagiu ao incidente e envolveu-se em confrontos com os outros polícias, acabando por ser imobilizado.
https://twitter.com/RamAbdu/status/2060650238210105647
Durante a entrevista à Al Jazeera, Malak Mahmoud explicou que tinha apenas tentado fazer uma pergunta e saber se podia acompanhar o marido, uma vez que não conseguia ficar sozinha, sobretudo por estar no último mês de gravidez. Acrescentou ainda que falou em inglês, embora não dominasse bem a língua, mas que o agente lhe respondeu em neerlandês ou numa língua que não conseguiu identificar. Segundo relatou, nenhum dos dois se entendeu.
“Não conheço ninguém nos Países Baixos, por isso fiquei completamente chocada quando isto aconteceu de repente. Naquele momento, antes sequer de ter a oportunidade de obter uma resposta da polícia, a única resposta que recebi foi a agressão. Tudo o que peço é uma investigação completa e transparente que permita apurar toda a verdade”, disse a mulher.
Em comunicado, a polícia neerlandesa indica que apenas parte do sucedido é visível nas imagens e que a “situação parcialmente captada nas gravações se desenvolveu posteriormente” e que os agentes “pretendiam atuar rapidamente para garantir a segurança das pessoas presentes e dos próprios”. O caso já está a ser investigado, “estando os factos e as circunstâncias a ser analisados de forma minuciosa”.