A força de combate a grupos de crime armados apoiada pelas Nações Unidas anunciou um ataque contra um território controlado pelo líder do gangue Manno, num bairro da capital Porto Príncipe.
A ação lançada na segunda-feira marcou o início das operações da Força de Repressão de Gangues do Haiti (GSF, na sigla em inglês) no país, que está mergulhado numa espiral de violência.
“Este é o início de um esforço gradual para enfraquecer os grupos armados e restaurar as condições que permitirão às autoridades haitianas garantir a segurança pública”, afirmou a GSF, numa publicação na rede social Facebook.
Os membros da GSF foram acompanhados por unidades da polícia do Haiti e do Vectus Global, um grupo armado liderado pelo empresário norte-americano Erik Prince, fundador da empresa de segurança privada Blackwater, contratado pelo Governo haitiano.
De acordo com a imprensa local, as forças de segurança assumiram o controlo da residência do líder do gangue Manno no bairro Village de Dieu, em Porto Príncipe.
A polícia informou nas redes sociais que está em curso uma “grande operação” na zona, onde não havia presença das forças de segurança há cinco anos.
Em abril, as primeiras tropas do Chade chegaram ao Haiti no âmbito da GSF, aprovada pela ONU e destinada a combater gangues armados, com um efetivo máximo de 5.500 pessoas de diversas nacionalidades.
A operação ocorre após a morte de, pelo menos, três polícias e um civil que acompanhava a polícia no sábado, durante confrontos com grupos armados em Verette, no departamento de Artibonite, no centro do Haiti.
Na sexta-feira, o subsecretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, visitou o Haiti e reuniu-se com o primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aimé, assim como com responsáveis da polícia nacional e da GSF.
“A segurança, a estabilidade e a prosperidade do Haiti são do interesse das nossas duas nações”, escreveu Landau na rede social X.
https://twitter.com/DeputySecState/status/2060492255937310927?s=20
Um dia antes, o dirigente norte-americano reuniu-se com as autoridades da vizinha República Dominicana, que partilha a ilha de Hispaniola com o Haiti. As conversações centram-se nos interesses económicos e comerciais mútuos e nas prioridades regionais, incluindo a segurança, de acordo com um comunicado do Governo norte-americano.
Nos primeiros três meses do ano, pelo menos 1.642 pessoas foram mortas e 745 ficaram feridas, de acordo com dados do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti.
O escritório refere que os gangues foram responsáveis por 27% das vítimas, enquanto as operações das forças de segurança causaram 69% das mortes e ferimentos, incluindo dezenas de civis, entre eles crianças.
Além disso, cerca de 5,8 milhões de haitianos, aproximadamente 52% da população, sofrem de insegurança alimentar (categoria 3 em 5), enquanto o número de deslocados internos atingiu 1,4 milhões de pessoas em 2025, um nível sem precedentes, segundo dados de organizações internacionais.