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Acordo mediado por Trump para cessar-fogo no Líbano só abrange Beirute

Trump mediou conflito entre Israel e o Hezbollah e haverá tréguas limitadas: Telavive diz que não ataca Beirute se o grupo parar ataques, mas mantém ofensiva no sul. Negociações com o Irão prosseguem.

Cátia Bruno
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Acompanhe o nosso artigo em direto onde seguimos o conflito no Médio Oriente

A ofensiva israelita a Beirute terá sido travada, depois da intervenção direta do Presidente Donald Trump, num dia marcado por pressões públicas iranianas de que o cessar-fogo com os Estados Unidos estaria em causa se a guerra no Líbano continuasse.

Esta segunda-feira, Donald Trump escreveu na Truth Social que teve uma “chamada muito produtiva” com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e que Telavive não irá atacar Beirute. “Não haverá tropas a caminho de Beirute, e quaisquer tropas que estejam a caminho já voltaram para trás”, disse o Presidente, que assegurou ter tido a garantia por parte do Hezbollah de que está disposto a parar com os ataques.

Mais tarde, agradeceu publicamente ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu: “Tive uma conversa com o Bibi Netanyahu hoje, pedindo-lhe para não avançar para um grande ataque em Beirute, Líbano. Ele mandou as suas tropas para trás. Obrigado Bibi!”, escreveu.

O cessar-fogo do lado do Hezbollah foi anunciado mais tarde pela Presidência do Líbano: “As autoridades libanesas receberam a confirmação da aprovação, por parte do Hezbollah, da proposta norte-americana que prevê o fim mútuo dos ataques” entre Israel e o movimento, declararam as autoridades libanesas em comunicado.

https://twitter.com/LBpresidency/status/2061521844797050909

A confirmação por parte de Israel chegaria pela voz do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que anunciou que Telavive não irá atacar Beirute se o Hezbollah suspender os seus ataques, mas mantendo a porta aberta para retomar os ataques. “Falei esta noite com o Presidente Trump e disse-lhe que, se o Hezbollah não parar de atacar as nossas cidades e os nossos cidadãos, Israel atacará alvos terroristas em Beirute“, avisou.

https://twitter.com/netanyahu/status/2061531248573460655

E a cessação de algumas hostilidades não significa um cessar-fogo total, como indicam as próprias declarações de Netanyahu, que informou que as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla inglesa), vão “continuar a operar conforme planeado no sul do Líbano“ — algo confirmado pelo seu ministro da Defesa, Israel Katz, que, na estação israelita Channel 14, afirmou que “não há nenhum cessar-fogo no Líbano”.

Os anúncios relativamente a uma redução dos ataques entre Israel e o Hezbollah surgiram depois de um dia marcado por várias declarações de responsáveis iranianos ameaçando quebrar o cessar-fogo com os EUA caso a ofensiva no Líbano não fosse suspensa. De acordo com os media iranianos, Teerão também terá ameaçado convocar os houthis do Iémen a “ativar outras frentes”, nomeadamente recorrendo ao bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, o que poderia agravar o tráfego marítimo em toda a região.

Trump promete acordo sobre Ormuz para breve

As negociações entre Estados Unidos e Irão prosseguem, embora não seja claro em que ponto estão. Esta segunda-feira, Donald Trump declarou que “as negociações com a República Islâmica do Irão continuam a um ritmo acelerado” e disse não estar importado com a possibilidade de Teerão suspender essas conversações.

Essa suspensão foi ventilada por fontes iranianas a órgãos de comunicação social ao longo do dia, com o Presidente norte-americano a repetir que, formalmente, as negociações ainda estarão de pé. “É algo apropriado de se dizer, porque eles são melhores negociadores do que combatentes, mas ainda não nos informaram de nada”, disse Donald Trump à NBC numa chamada telefónica. “Isso não significa que vamos lá começar a lançar bombas por todo o lado”.

Mas eis que, já na noite desta segunda-feira, Trump disse à ABC  que os negociadores estão perto de conseguir um memorando de entendimento para reabrir o Estreito de Ormuz, prometendo notícias “ao longo da próxima semana”. “Não é fácil para eles. Também não é fácil do nosso ponto de vista, mas estamos a conseguir aquilo de que precisamos”, afirmou o Presidente.

Ataques ao Kuwait voltam a colocar o Golfo no centro do conflito

Embora formalmente o cessar-fogo no conflito iraniano continue de pé, vão-se registando violações pontuais da trégua.

Ao longo deste fim-de-semana, os EUA levaram a cabo vários ataques contra alvos militares iranianos, em concreto instalações de radar e centros de comando e controlo de drones. De acordo com o Exército norte-americano, terão sido ações de “autodefesa” depois de um drone americano ter sido abatido sobre águas internacionais.

Na sequência destes confrontos, o Kuwait anunciou na manhã desta segunda-feira que foi alvo de um ataque “hostil” por parte do Irão, que terá disparado mísseis e drones em direção ao país do Golfo. Os Estados Unidos da América confirmaram entretanto que intercetaram dois mísseis balísticos iranianos que tinham como alvo tropas norte-americanas estacionadas no Kuwait.