O Campeonato do Mundo de Futebol de 2026 deverá gerar em Portugal um impacto económico entre os 378 milhões e os 945 milhões de euros, segundo um estudo do IPAM – Instituto Português de Administração de Marketing. O montante final depende diretamente da performance da Seleção Nacional: o cenário mínimo corresponde à presença na fase de grupos, enquanto uma vitória no torneio elevaria os efeitos económicos para o valor máximo projetado.
Este valor representa o “maior impacto económico de sempre em Portugal associado a uma competição que o país não organiza”, menciona o estudo. “Num cenário intermédio, com uma chegada aos oitavos de final, o impacto poderá atingir 561 milhões de euros”, revela a investigação.
O estudo, desenvolvido pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto, indica que este será “o maior impacto de sempre em Portugal” associado a uma competição não organizada em território nacional. “Portugal não precisa de organizar o Mundial para gerar impacto económico relevante“, afirma Daniel Sá, diretor executivo do IPAM. Entre os fatores identificados estão “o aumento do poder de compra”, o “alargamento do Mundial para 48 seleções e 104 jogos”, e a realização do evento nos EUA, Canadá e México, “mercados de elevada capacidade económica”.
De acordo com a investigação, em competições anteriores onde Portugal não foi o anfitrião, os valores foram significativamente mais baixos: o Euro-2012 gerou 420 milhões de euros, o Mundial-2014 ficou-se pelos 277 milhões e o Mundial-2018 atingiu os 392 milhões. Mesmo o Euro-2016, que Portugal venceu, gerou um impacto de 609 milhões de euros – um valor que a projeção máxima para 2026 supera em mais de 300 milhões.
Embora o consumo tradicional represente 77% do valor total estimado, a componente digital consolidou-se como um pilar relevante. “O futebol continua a gerar consumo, mas o crescimento está cada vez mais na forma como esse consumo é partilhado, comentado, transformado em conteúdo e amplificado. Quase um em cada quatro euros gerados pelo Mundial já vem do digital“, sublinha Daniel Sá. Todas as plataformas digitais, em conjunto, representam 23% do impacto projetado para Portugal, revela o estudo.
A investigação destaca também o “papel do adepto como novo ativo económico”. O “adepto casual”, definido como “o consumidor de momentos”, poderá gerar entre “40 e 70 euros” durante a prova. Já os “adeptos intensivos”, descritos como “o consumidor da competição”, podem atingir gastos de “3.500 euros”. Por fim, os “adeptos digitais”, ou “o amplificador de valor”, podem gerar até 1.500 euros devido à sua “capacidade de amplificação e influência” e “presença multi-plataforma”.
As conclusões servem também de enquadramento para o Mundial-2030, que será coorganizado por Portugal. Para o IPAM, o desafio para marcas, media e entidades públicas passa por “abandonar planeamentos rígidos e apostar em modelos híbridos e ativações em tempo real”. Quem souber interpretar o Mundial 2026 ganha mais do que quem apenas o transmite. Esta é talvez a principal conclusão do estudo: o valor do Mundial já não está apenas no evento, está na forma como é ativado”, conclui Daniel Sá.