Os preços do gás natural, no mercado regulado, vão aumentar 6,4% a partir de outubro, segundo a decisão final da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos).
“No mercado regulado, os preços de venda a clientes finais para consumos inferiores ou iguais a 10 000 m3 /ano, essencialmente consumidores domésticos, apresentam uma variação tarifária de +6,4%, face ao ano gás 2025-2026”, indica a ERSE em comunicado.
A ERSE justifica o aumento pelos maiores custos de aquisição do gás natural pela subida das tarifas de Acesso às Redes devido ao efeito da procura de gás e ao incremento do nível de investimento.
A proposta que tinha sido divulgada no final de março apontava para uma subida de 6,3%. A subida maior do que o previsto deve-se à subida dos preços do petróleo e gás natural pela instabilidade no Estreito de Ormuz. “Este contexto de incerteza e de disrupção efetiva na oferta aumenta a complexidade do exercício de previsão dos preços do petróleo e, consequentemente, do gás natural para os Comercializadores de Último Recurso (CUR)” — Galp.
O regulador do mercado energética adverte, ainda, que “qualquer previsão elaborada, neste momento, está assim sujeita a um nível de incerteza elevado. Neste contexto, a ERSE irá acompanhar de perto a evolução das condições de mercado e dos desenvolvimentos geopolíticos avaliando, à luz dos mecanismos regulatórios existentes, a necessidade de rever as atuais previsões para os custos de aquisição do gás, após a publicação das presentes tarifas.”
A ERSE decide os aumentos para o mercado regulado que abrange cerca de 437 mil consumidores. E segundo simulações do regulador, com este aumento uma casa em que viva um casal sem filhos terá um aumento de cerca de 0,91 euros por mês (atingindo 17,38 euros) e no caso de um casal com dois filhos a fatura poderá subir 1,62 euros em cada mês (para 32,53 euros) a partir de outubro.
Os clientes com tarifa social têm um desconto de 31,2%.
Quem está no mercado livre tem o impacto das tarifas de acesso à rede que subirão, na baixa pressão com consumos até 10 mil m3/ano, 0,098 cêntimos por kilowatt-hora. E na baixa pressão para consumos superiores a subida será de 0,026 cêntimos.
Segundo a ERSE, “os aumentos das tarifas de Acesso às Redes impactam nos preços de venda a clientes finais do mercado livre, antes de taxas e impostos, correspondendo em termos percentuais a um acréscimo de 0,2% para os fornecimentos em AP e 0,1% para os fornecimentos em MP e BP>. Para os fornecimentos em BP<, o impacte médio da variação das tarifas de Acesso às Redes nos preços de venda a clientes finais do mercado livre corresponde a um aumento de 1,3%”.
O aumento das tarifas de Acesso às Redes é explicado pela ERSE pela “manutenção da tendência de redução da procura de gás”. Ainda que a ERSE tivesse projetado uma subida maior do que a que optou nesta versão final, o que, diz, permitiu “anular em grande parte o efeito da atualização em alta da previsão para os custos de aquisição do gás natural”.