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"Keir carece de vivacidade": documentos divulgados sobre nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos EUA incluem críticas a Starmer

Antigo diplomata britânico considera que executivo se deveria comportar de forma mais "Trumpiana". E faz duras críticas a Streeting, antigo ministro da Saúde, pela sua posição "patética" sobre Gaza.

Margarida Vieira dos Santos
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O Governo britânico divulgou esta segunda-feira mais de mil páginas de documentos relativos à nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos, que incluem e-mails, mensagens de texto e conversas no WhatsApp trocadas com ministros e altos funcionários. Nas mensagens tornadas públicas, o antigo diplomata e figura influente do Labour, critica a alegada “falta de vivacidade” de Keir Starmer e a sua tendência para ceder à pressão política. Mandelson, investigado devido às suas ligações a Jeffrey Epstein, sugeriu ainda que o primeiro-ministro do Reino Unido deveria comportar-se de forma mais “Trumpiana”, avança o The Guardian.

Keir carece de vivacidade, tal como o Gabinete no seu todo“, escreveu Mandelson ao então ministro do Gabinete e agora ministro do Trabalho, Pat McFadden, a 2 de maio de 2025, segundo a BBC. O antigo embaixador britânico nos EUA criticou também os conselheiros de Starmer: “Não trabalham em equipa, não têm liderança e nenhum deles sabe realmente o que Keir pensa ou quer. Na verdade, a maioria deles pensa que nem o próprio Keir sabe o que quer”.

Mandelson também defendeu que os ministros e funcionários do Governo deveriam fazer mais para romper com os padrões tradicionais de Whitehall, considerando que o executivo devia adotar uma abordagem mais “ousada”, que classificou como mais “Trumpiana“, segundo o The Guardian.

Ao atual ministro do Trabalho, o antigo diplomata afirmou que as empresas estavam a perder confiança na economia do Reino Unido. Sobre o número 10 de Downing Street, escreveu ainda que se encontrava “cercado e desolado”, defendendo que precisava de uma renovação profunda e de uma “injeção de propósito e confiança” para conseguir avançar.

“Acho que Wes está a passar por uma crise de meia-idade precoce”

Os documentos divulgados esta segunda-feira revelam também a frustração de Peter Mandelson com Wes Streeting, então ministro da Saúde e atualmente candidato a uma eventual corrida à liderança do Labour, devido ao seu apoio ao reconhecimento do Estado da Palestina, em julho de 2025. Afirmou ter recebido “uma longa e histérica mensagem” de Streeting sobre Israel, cujo conteúdo contestou, acrescentando que a mesma refletia, na sua opinião, falta de maturidade.

“Acho que Wes está a passar por uma crise de meia-idade precoce”, disse Mandelson a McFadden, depois do antigo ministro da Saúde ter distribuído vídeos e documentos sobre Gaza, intervenção que o antigo diplomata considerou “patética“, de acordo com o jornal britânico.

O primeiro-ministro foi também alvo de críticas de Mandelson relativamente à decisão de reconhecer o Estado da Palestina. Numa das mensagens, o antigo diplomata acusou Keir Starmer de demonstrar um padrão de recuos políticos, apontando como exemplos a imigração, a reforma do Estado social e a posição sobre Gaza. Segundo Mandelson, começava a notar-se uma tendência para “deixar Keir ser Keir”, numa referência ao que via como uma excessiva inclinação do líder trabalhista para alterar de rumo perante a pressão.

Possibilidade de presentear Trump com “pasta vermelha” utilizada pelos ministros do Reino Unido

De acordo com a BBC, Mandelson e altos funcionários do Governo discutiram a possibilidade de encomendar uma “pasta vermelha” para oferecer a Donald Trump, semelhante àquelas que os ministros britânicos utilizam para documentos oficiais, segundo os ficheiros revelados.

O então principal funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Olly Robbins, terá dito que “um dos presentes que mais significaria para o Presidente dos EUA seria uma pasta vermelha com o brasão e a inscrição em dourado, imitando uma caixa ministerial do governo britânico, mas com a inscrição ‘Presidente dos Estados Unidos'”.

No entanto, devido a complicações na organização do presente, o antigo embaixador nos EUA disse ao chefe de gabinete de Downing Street, Morgan McSweeney, que estava “completamente fora de si”, acrescentando que a “saga” lhe parecia “algo saído de um episódio da série de comédia The Thick of It“.

Peter Mandelson foi embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026. Um primeiro conjunto de documentos, divulgado em março, indicava que Keir Starmer tinha sido alertado para os riscos associados à sua nomeação, não apenas devido às suas ligações a Jeffrey Epstein, mas também pelas anteriores demissões do governo e pelo seu posicionamento favorável ao reforço das relações com a China.