A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) lançou esta terça-feira uma campanha para reforçar o número de famílias de acolhimento, alertando para as mais de mil crianças e jovens no distrito de Lisboa que aguardam integração temporária num ambiente familiar.
Sob o lema “Seja a Família que elas procuram”, a quarta campanha de Acolhimento Familiar da SCML arranca no Dia Mundial da Criança e pretende sensibilizar a população para a importância desta medida de proteção, esclarecer mitos associados ao acolhimento e aumentar o número de famílias disponíveis para receber crianças e jovens em situação de perigo.
Em comunicado, a instituição explica que a campanha utiliza a imagem de uma criança a segurar um ursinho de peluche, uma vez que este tem sido o símbolo que tem marcado as iniciativas de acolhimento familiar da Santa Casa, e destaca que existem atualmente mais de mil crianças no distrito de Lisboa à procura de uma família de acolhimento.
Segundo a SCML, a iniciativa insere-se no esforço de reforço desta resposta social e procura contribuir para o processo de desinstitucionalização de crianças e jovens, em linha com as orientações nacionais e internacionais que privilegiam o acolhimento em contexto familiar sempre que tal seja possível.
A instituição refere que o acolhimento familiar constitui uma medida temporária de promoção e proteção, centrada no superior interesse da criança, que permite garantir condições de estabilidade, segurança e afeto enquanto não é possível o regresso à família de origem ou ser encontrada outra solução adequada.
A medida consiste na atribuição da confiança de uma criança ou jovem a uma pessoa ou família que assume temporariamente os seus cuidados, proporcionando um ambiente familiar e acompanhamento individualizado.
A Santa Casa sublinha que, na maioria dos países, o acolhimento familiar é a resposta prioritária para crianças que necessitam de ser retiradas do seu contexto familiar por se encontrarem em situação de risco, ficando o acolhimento residencial reservado para situações excecionais ou quando tal corresponde ao interesse concreto da criança ou jovem.
Desde que iniciou o programa, em 2019, a SCML concretizou mais de 250 acolhimentos familiares, um número que, segundo a instituição, demonstra o impacto desta medida nos percursos de vida das crianças e jovens abrangidos.
Atualmente, a bolsa de acolhimento da Santa Casa integra 120 famílias certificadas, que asseguram acolhimentos de forma continuada com acompanhamento técnico especializado.
A instituição considera, contudo, que este número continua insuficiente para responder às necessidades identificadas no distrito de Lisboa, razão pela qual pretende alargar a rede de famílias disponíveis.
A campanha pretende também reforçar a literacia pública sobre o acolhimento familiar e aproximar a comunidade de uma resposta que a Santa Casa descreve como “protetora, temporária e centrada no superior interesse da criança”.
De acordo com a instituição, qualquer pessoa ou família pode candidatar-se a ser família de acolhimento, desde que um dos seus elementos tenha mais de 25 anos e seja considerado apto para acolher uma criança em situação de perigo, após o processo de avaliação e formação previsto na legislação.
A Santa Casa defende que o acolhimento familiar permite assegurar às crianças o direito de crescerem num contexto familiar, beneficiando de relações afetivas estáveis, atenção individualizada e rotinas seguras, fatores considerados essenciais para o seu desenvolvimento e bem-estar.