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(A) :: Os dias em que o mundo conheceu Pelé, os 13 golos de Fontaine e o azul de Nossa Senhora Aparecida: as histórias do Mundial de 1958

Os dias em que o mundo conheceu Pelé, os 13 golos de Fontaine e o azul de Nossa Senhora Aparecida: as histórias do Mundial de 1958

A Suécia organizou o Mundial de 1958 e o Brasil deu ao mundo um jovem de apenas 17 anos chamado Pelé. Brasileiros estrearam equipamento azul e Just Fontaine marcou um recorde que ainda perdura.

Mariana Fernandes
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O Campeonato do Mundo de 1958 é ainda o único a ter acontecido num país nórdico. A Suécia recebeu o sexto Mundial e chegou à final, acabando por ser goleada no Rasunda Stadium por um Brasil que se sagrou campeão do mundo pela primeira de cinco vezes – à boleia do talento de Pelé, que teve os primeiros de muitos dias de fama, marcou seis golos e acumulou recordes de juventude com pouco mais de 17 anos.

O Mundial da Suécia foi o primeiro em que os jogos da fase de grupos não tinham prolongamento se terminassem empatados, ou seja, foi também o primeiro em que as classificações dos grupos em caso de igualdade pontual foram definidas pela diferença de golos, no caso do primeiro e do segundo, e por um playoff, no caso do segundo e do terceiro. A União Soviética participou no Campeonato do Mundo pela primeira vez, Inglaterra não passou da fase de grupos depois de ter sido dilacerada pelo desastre aéreo de Munique que matou parte da equipa do Manchester United e esta foi ainda a única edição em que todas as seleções do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) estiveram em simultâneo.

Pelé foi a estrela do Mundial 1958, ainda que Vavá, Garrincha e Mário Zagallo estivessem todos na equipa orientada por Vicente Feola, e a Suécia assistiu ainda ao momento em que o equipamento alternativo do Brasil se tornou historicamente azul. Antes da final, os organizadores perceberam que tanto os brasileiros como os suecos jogavam de amarelo, obrigando os visitantes a encontrarem uma alternativa. Os responsáveis brasileiros compraram camisolas azuis e disseram aos jogadores que, na verdade, estavam abençoados – a cor era a mesma do manto de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do país. No fim, o Brasil foi campeão do mundo vestido de azul.

Uma história. O primeiro a levantar um troféu

Até 1958, os capitães não levantavam os troféus que conquistavam acima da própria cabeça. Recebiam, agradeciam, guardavam entre as duas mãos e junto ao peito e a celebração ficava por aí. No Mundial da Suécia, porém, criou-se uma tradição. Hilderaldo Bellini, capitão do Brasil que recebeu a taça depois da final de Solna, contou mais tarde que ficou assoberbado com os gritos e pedidos de todos os jornalistas e repórteres que se encontravam no relvado do Rasunda Stadium e que queriam ver o troféu. Para corresponder, levantou-a acima da cabeça, com as duas mãos. Nasceu um gesto, um ritual e um dado adquirido em todas as finais.

Um herói. Quando o mundo conheceu alguém que nunca irá esquecer

Foi o Mundial em que o mundo conheceu Pelé. Com apenas 17 anos, chegou a pedir para não viajar para a Suécia por estar lesionado, mas foi convencido a ir pelo mítico massagista Mário Américo. Ficou com a camisola 10 de forma aleatória, já que a Confederação Brasileira de Futebol se esqueceu de enviar a numeração oficial, e não voltaria a vestir outra. Mesmo sem ter sido utilizado nos dois primeiros jogos, marcou seis golos, incluindo dois na final contra a Suécia, e acumulou recordes: é ainda o mais novo de sempre a jogar uma final, o mais novo de sempre a marcar numa final e o mais novo de sempre a ganhar uma final. Em Solna, os relatos da altura contam que desmaiou depois do apito final, ciente de que tinha acabado de conquistar o Campeonato do Mundo. Foi acordado por Garrincha e chorou nos braços de praticamente toda a gente.

Uma curiosidade. Os 13 golos que ainda ninguém conseguiu superar

Just Fontaine é um dos protagonistas do Mundial de 1958. Com 13 golos, o avançado francês que jogava no Reims é ainda o jogador que mais marcou numa única edição da competição – o húngaro Sándor Kocsis, com 11 em 1954, foi quem mais se aproximou. Ainda assim, a verdade é que as chuteiras que deram pontaria a Just Fontaine nem sequer lhe pertenciam. O jogador viajou para a Suécia com umas chuteiras velhas, completamente gastas, que se romperam de vez ainda antes de o Campeonato do Mundo começar. Stéphane Bruey, colega de equipa que jogava no Angers e que foi quase sempre suplente, emprestou-lhe um par e contribuiu para um registo histórico.

Como foram os resultados no Mundial de 1958

  • 8 de junho (fase de grupos): Argentina-RFA, 1-3, Irlanda do Norte-Checoslováquia, 1-0, França-Paraguai, 7-3, Jugoslávia-Escócia, 1-1, Suécia-México, 3-0, Hungria-País de Gales, 1-1, Brasil-Áustria, 3-0 e União Soviética-Inglaterra, 2-2
  • 11 de junho (fase de grupos): RFA-Checoslováquia, 2-2, Argentina-Irlanda do Norte, 3-1, Jugoslávia-França, 3-2, Paraguai-Escócia, 3-2, México-País de Gales, 1-1, Brasil-Inglaterra, 0-0 e União Soviética-Áustria, 2-0
  • 12 de junho (fase de grupos): Suécia-Hungria, 2-1
  • 15 de junho (fase de grupos): RFA-Irlanda do Norte, 2-2, Checoslováquia-Argentina, 6-1, França-Escócia, 2-1, Paraguai-Jugoslávia, 3-3, Suécia-País de Gales, 0-0, Hungria-México, 4-0, Inglaterra-Áustria, 2-2 e Brasil-União Soviética, 2-0
  • 17 de junho (playoff da fase de grupos): Irlanda do Norte-Checoslováquia, 2-1, País de Gales-Hungria, 2-1 e União Soviética-Inglaterra, 1-0
  • 19 de junho (quartos de final): Brasil-País de Gales, 1-0, França-Irlanda do Norte, 4-0, Suécia-União Soviética, 2-0 e RFA-Jugoslávia, 1-0
  • 24 de junho (meias-finais): Brasil-França, 5-2 e Suécia-RFA, 3-1
  • 28 de junho (3.º e 4.º lugar): França-RFA, 6-3
  • 29 de junho (final): Brasil-Suécia, 5-2