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(A) :: Governo mudou dois terços das administrações hospitalares em dois anos. Larga maioria dos novos presidentes tem ligações ao PSD

Governo mudou dois terços das administrações hospitalares em dois anos. Larga maioria dos novos presidentes tem ligações ao PSD

Quando esteve na oposição PSD denunciava a "politização inadmissível" da Saúde. Agora, 69% dos presidentes de ULS nomeados pelo Governo são próximos do PSD. Muitas vezes, substituem militantes do PS.

Miguel Pereira Santos
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O Governo de Luís Montenegro nomeou 26 novos presidentes para conselhos de administração de Unidades Locais de Saúde (ULS) em pouco mais de dois anos de governação. Estão em causa mudanças em dois terços dos conselhos de administração das 39 ULS do país — as unidades administrativas resultantes da reforma do SNS que concentrou a gestão de cuidados de saúde primários e hospitalares. Entre os presidentes das ULS nomeados, existem 18 com ligações conhecidas a PSD e CDS.

Isto significa que 69% dos novos presidentes das ULS são próximos dos partidos do Governo, sendo que a esmagadora maioria tem cartão de militante. Entre eles, encontram-se antigos deputados na Assembleia da República, presidentes da Câmara que tiveram de interromper mandatos, candidatos autárquicos que foram nomeados semanas depois de falharem a eleição ou presidentes de estruturas locais do PSD.

Muitos tiveram experiências profissionais de administração hospitalar, vários têm apenas experiência na direção de unidades de cuidados de saúde primários, outros não tinham qualquer formação ou experiência nas áreas de gestão e saúde, até serem nomeados. A CReSAP (Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública) pronunciou-se favoravelmente sobre todas as 18 nomeações.

Recentemente, Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, voltou a levantar a questão das nomeações políticas para as ULS, a propósito do conflito entre a ministra da Saúde e Carlos Robalo Ribeiro, o médico que a própria nomeou para coordenar o acompanhamento do Plano de Emergência e Transformação na Saúde.

O mesmo Xavier Barreto advertiu, em declarações ao Observador, que esta é uma das principais mudanças estruturais de que o SNS necessita atualmente. “Sabemos que se não despolitizarmos as nomeações para muitas das nossas ULS e garantirmos que as pessoas são nomeadas em função da sua experiência, do seu currículo, até das suas provas dadas, vamos ter sempre problemas na gestão.”

A ministra da Saúde garantiu, em fevereiro de 2025, que “o PSD não manda” nas nomeações para o SNS. Ana Paula Martins disse inclusivamente que o PS tem “muito pouca moralidade” para fazer essa crítica, lembrando que todos os 39 conselhos de administração das ULS foram escolhidos pelos socialistas, numa altura em que o último executivo de António Costa estava em gestão após a queda do Governo.

Confirma-se que, em várias das mudanças em administrações das ULS, ocorreram trocas diretas de militantes do PS por militantes do PSD. E nem sempre o Governo esperou para fazer as mudanças em causa. Entre as 26 novas administrações nomeadas desde que Ana Paula Martins assumiu a tutela da Saúde, oito foram exoneradas antes de os respetivos mandatos acabarem.

Além disso, as mudanças não terão ficado por aqui. Segundo informação avançada pela Direção Executiva do SNS ao Público, há atualmente seis administrações de ULS que estão à espera de serem reconduzidas ou substituídas — uma delas já foi nomeada pelo governo da AD.

ULS da Região de Aveiro — Ricardo Correia de Matos

A nomeação mais recente de alguém próximo do PSD para dirigir uma ULS deu-se em maio. O Governo nomeou o enfermeiro Ricardo Correia de Matos para presidir à ULS da Região de Aveiro, na sequência da exoneração da anterior administração hospitalar, liderada por Margarida França. Esta foi uma das oito exonerações de conselhos de administração de ULS desde que Ana Paula Martins assumiu a pasta da saúde.

Ricardo Correia de Matos é um de vários novos presidentes das Unidades Locais de Saúde que foi candidato às autárquicas de outubro de 2025. Ocupou o oitavo lugar na lista de candidatos da AD à Câmara de Aveiro. Apesar da vitória eleitoral da coligação, não foi eleito para o executivo municipal.

A nível profissional, o enfermeiro integrou a equipa do Plano de Emergência e Transformação na Saúde durante a governação do primeiro Governo de Montenegro. É licenciado em enfermagem e em contabilidade, pós-graduado em gestão para profissionais de saúde e frequenta atualmente o doutoramento em Políticas Públicas no ISCTE, em Lisboa. Ricardo Correia de Matos presidiu ainda à secção regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros, que, anos depois, o elegeu como enfermeiro do ano de 2025.

ULS do Nordeste — Miguel Abrunhosa

Miguel Abrunhosa é presidente da concelhia do PSD/Bragança e foi o nome escolhido em abril deste ano pelo Governo para liderar a ULS do Nordeste, responsável pela administração de três hospitais e 14 centros de saúde naquele distrito, que prestam serviços a cerca de 150 mil pessoas.

Até bem recentemente, Miguel Abrunhosa era vereador do PSD na Câmara de Bragança, cargo que ocupava desde 2017. Antes de ser eleito para o executivo municipal, ocupou funções como chefe de gabinete do então presidente da autarquia, Hernâni Dias. Um dos vogais executivos agora nomeados para a ULS do Nordeste, Lino Olmo, também foi chefe de gabinete do antigo secretário de Estado do primeiro governo de Montenegro. Tanto Lino Olmo, que ficou responsável pela gestão financeira da unidade de saúde, como Miguel Abrunhosa são funcionários de longa data do Hospital Distrital de Bragança.

O novo diretor da ULS do Nordeste entrou para os quadros do hospital em 2005 e desempenhou funções como técnico superior nas áreas de planeamento e gestão financeira. Miguel Abrunhosa frequenta atualmente o primeiro ano do curso de especialização em Administração Hospitalar ministrado pela Universidade Nova de Lisboa e Universidade do Minho. Não tem formação académica na área da Saúde, sendo licenciado em Economia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

ULS do Alentejo Central — Carlos Mateus Costa Gomes

Há menos de um ano, Carlos Mateus Gomes estava em campanha para ser eleito presidente de Câmara do município onde vive. Tinha como objetivo “Mudar Arraiolos”, município que é considerado um dos últimos bastiões comunistas no país — a CDU lidera a Câmara desde o 25 de Abril. Menos de três semanas depois de ter falhado a eleição para o executivo municipal, o social-democrata foi nomeado pelo Governo para liderar a ULS do Alentejo Central. É militante do PSD há cerca de quatro anos.

É licenciado em gestão de empresas e tem várias pós-graduações na área da gestão de saúde. Foi vogal da administração do Hospital do Espírito Santo, em Évora, entre 2012 e 2016. Também foi administrador-delegado do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa. No setor privado, foi diretor financeiro e diretor-geral do Grupo Português de Saúde e da UNIMED.

Estão em causa mudanças em dois terços dos conselhos de administração das 39 ULS do país — as unidades administrativas resultantes da reforma do SNS que concentrou a gestão de cuidados de saúde primários e hospitalares. Entre os presidentes das ULS nomeados, existem 18 com ligações conhecidas a PSD/CDS. Isto significa que 69% dos novos presidentes das ULS são próximos dos partidos do Governo.

ULS do Tâmega e Sousa — José Luís Gaspar

Alguns destes administradores abdicaram de mandatos para os quais tinham sido eleitos para aceitarem o convite de dirigir uma ULS. É o caso do antigo presidente da Câmara de Amarante, José Luís Gaspar, que agora preside ao conselho de administração da ULS do Tâmega e Sousa. Estava a menos de seis meses de concluir o terceiro e último mandato permitido por lei quando foi nomeado pelo Governo em fevereiro de 2025. José Luís Gaspar concluiu um programa avançado do ISCTE em Gestão Empresarial Hospitalar e foi administrador do Hospital de São Gonçalo, durante três anos, antes de ser eleito autarca.

ULS de São José — Miguel Paiva

Miguel Paiva estava, desde o início de 2024, à frente da ULS de Entre o Douro e Vouga quando foi nomeado pelo Governo em fevereiro deste ano para liderar a ULS de São José, em Lisboa. O militante do PSD substituiu Rosa Valente de Matos — por sua vez, militante do PS — que estava há seis anos no cargo. Miguel Paiva é um antigo membro do Conselho Nacional do PSD e foi eleito deputado do PSD na Assembleia Municipal de Vila do Conde nas últimas autárquicas.

Entre 2015 e 2024, foi presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga. Antes, tinha integrado as administrações da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte e do Médio Ave E.P.E.. A Procuradoria-geral da República confirmou em março ao Correio da Manhã que Miguel Paiva estava a ser investigado devido a suspeitas sobre a adjudicação de contratos públicos para obras nos hospitais do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga.

ULS Médio Ave — Luís Vales

Para presidir à ULS do Médio Ave também foi escolhido um homem com um percurso intimamente ligado ao PSD. Luís Vales foi líder da distrital da JSD/PSD e secretário-geral adjunto do partido durante a liderança de Pedro Passos Coelho. Integrou a bancada social-democrata no Parlamento em três legislaturas, tendo sido vice-coordenador do grupo parlamentar na Comissão de Saúde. Luís Vales também ocupou vários cargos políticos na sua cidade natal. Foi até recentemente presidente da concelhia do PSD do Marco de Canaveses, onde já tinha sido deputado municipal e vereador com pelouro.

Antes de ser nomeado para o conselho de administração da ULS do Médio Ave, em novembro de 2025, era o administrador hospitalar responsável pelos serviços farmacêuticos na ULS do Alto Ave. É licenciado em Psicologia Clínica e concluiu o curso de especialização em administração hospitalar na Universidade Nova de Lisboa em 2021. Antes, tinha sido assessor da administração da ULS do Tâmega e Sousa e gestor de produção clínica e dos serviços farmacêuticos na ULS do Alto Ave e no Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães.

ULS de Castelo Branco — Rui Amaro Alves

Para dirigir a ULS de Castelo Branco, foi nomeado, em novembro de 2024, Rui Amaro Alves. É doutorado em Planeamento Regional e Urbano e era professor universitário antes da nomeação. No entanto, não tem qualquer formação em Saúde ou Gestão.

O convite para dirigir esta ULS, responsável pela administração de um hospital e 10 centros de saúde, não foi o primeiro por parte de um governo PSD/CDS. O executivo liderado por Pedro Passos Coelho nomeou-o, em 2014, para um outro cargo, que não estava relacionado com a saúde: Diretor-Geral do Território. Apesar de ter sido o candidato apoiado pelo MPT (Movimento Partido da Terra) à presidência da Câmara de Castelo Branco, em 2021, é descrito como próximo do PSD e as estruturas locais do partido apoiaram a sua nomeação para a presidência da ULS, segundo a revista Sábado.

ULS de Braga — Américo Afonso

O presidente do conselho de administração da ULS de Braga também tem experiência como eleito local do PSD. Américo Afonso foi deputado municipal em Braga entre 1993 e 2005, ano em que passou a vereador sem pelouro. Manteve-se no executivo municipal de Braga até 2013, altura em que voltou à Assembleia Municipal como deputado e depois como secretário da Mesa — funções que ocupava em março de 2025, quando foi escolhido para dirigir a ULS de Braga.

Américo Afonso tem vasta experiência na área da administração hospitalar. Quando foi nomeado pelo Governo, era vogal do conselho de administração a que agora preside. Antes, tinha dirigido o Centro Hospitalar do Médio Ave, o Hospital da Misericórdia de Paredes, a Clínica Particular de Barcelos e o Hospital de São Marcos, em Braga.

ULS do Algarve — Tiago Botelho

A situação em Braga tem vários pontos de contacto com a polémica mudança na direção da ULS do Algarve. Tiago Botelho foi o escolhido para liderar o conselho de administração após a Direção Executiva do SNS ter demitido por email o seu antecessor, João Ferreira, a escassas horas de celebrar um ano em funções. A ULS do Algarve é outra das administrações exoneradas ao longo dos últimos dois anos de governação da AD. João Ferreira faz parte de uma dúzia de administradores que pediram compensações ao Estado por não terem sido cumpridos os seus contratos, segundo a Sábado.

 Tiago Botelho desempenhou vários cargos como administrador hospitalar no distrito de Faro e chegou a integrar o último governo de António Guterres enquanto adjunto do secretário de Estado da Saúde. Apesar dessa ligação a um governo do PS, o presidente do conselho de administração da ULS do Algarve foi autarca do PSD. Tiago Botelho era líder da bancada social-democrata em Faro até ser nomeado pelo Governo, em outubro de 2024. Também desempenhou funções como vice-presidente da Assembleia Intermunicipal do Algarve.

ULS Lezíria — Pedro Marques

Na ULS da Lezíria, o Governo exonerou o conselho de administração liderado por uma militante do PS meses após este ter sido nomeado. Para o lugar de Tatiana Silvestre foi escolhido o gestor Pedro Marques, que esteve à frente de vários centros de saúde pela região e, desde 2022, era presidente da administração do Hospital do Espírito Santo, na Ilha Terceira, quando em dezembro de 2024 foi nomeado para as atuais funções. É licenciado em gestão e tem um MBA em gestão de unidades de saúde.

Pedro Marques tem um longo percurso como militante do PSD em Abrantes, Santarém. Foi vereador na Câmara de Abrantes, entre 2001 e 2009, e deputado municipal, entre 1989 e 1993. O PSD/Santarém reagiu à nomeação dizendo que não aconteceu por Pedro Marques ser um “amigo do PSD”, mas devido à “competência técnica que lhe é reconhecida”. A estrutura local dos sociais-democratas afirmou que a mudança no conselho de administração desta ULS ia de encontro ao Programa Eleitoral do PSD “sufragado nas eleições” de 2024.

ULS da Guarda — Rita Figueiredo

Na ULS da Guarda ocorreu mais uma troca direta entre PS e PSD. Para o lugar do socialista João Barranca entrou, em novembro de 2024, a social-democrata Rita Figueiredo. Quando a anterior administração foi nomeada pelo segundo Governo de António Costa, o líder do PSD local, Carlos Condesso, criticou a “politização inadmissível” das instituições de saúde pública. Anos mais tarde, o Governo da AD escolheria para nova presidente da ULS uma militante do PSD. Aliás, Rita Figueiredo foi chefe de departamento na Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo, presidida pelo próprio Carlos Condesso.

Rita Figueiredo também desempenhou funções de diretora de departamento na Câmara da Guarda e foi dirigente do Gabinete Jurídico e de Contencioso da ULS da Guarda, até ser nomeada para liderar esta administração hospitalar. É formada em Direito e completou um curso de especialização em gestão de unidades de Saúde. No seu currículo não consta qualquer experiência profissional em administração hospitalar ou gestão em Saúde.

ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro — Sara Mota

Nem todos os novos administradores de saúde com ligações à AD ocuparam lugares de destaque nos partidos da coligação. Sara Mota, presidente da ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro, é militante do PSD mas tem uma participação no partido mais discreta. O PSD de Vila Real reagiu nas redes sociais à sua nomeação, em dezembro de 2025, desejando à “companheira” um “excelente mandato”. Sara Mota é formada em administração hospitalar e, desde 2005, desempenha funções na área em equipamentos de saúde locais.

ULS de Gaia/Espinho — Luís Matos

Luís Matos, presidente da ULS de Gaia/Espinho, é militante do PSD, apesar de também não ser uma figura destacada no partido. No entanto, em 2015, a sua militância foi motivo de notícia no Público quando este foi nomeado para integrar a sua terceira administração hospitalar diferente no espaço de um ano.

O seu nome voltaria à discussão pública em fevereiro de 2025, quando foi nomeado pelo Governo para substituir Rui Guimarães à frente da ULS de Gaia/Espinho. A contestação à não recondução do médico anestesista uniu vários partidos da oposição, desde o Bloco de Esquerda à Iniciativa Liberal, que elogiaram os resultados obtidos pela anterior administração.

Por sua vez, Luís Matos também tem experiência em administração hospitalar. Além da formação na área, desempenhou funções executivas no Hospital CUF Trindade, no Hospital da Prelada, no Centro Hospitalar do Porto, no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e já tinha sido vogal de uma anterior administração do Centro Hospitalar Gaia/Espinho.

ULS da Região de Leiria — Manuel José Carvalho

O nome escolhido pelo Governo para presidir à ULS da Região de Leiria, Manuel José Carvalho, tem uma carreira dedicada principalmente aos cuidados primários de saúde, tendo sido coordenador da USF Santiago, em Leiria, entre 2007 e a sua nomeação em dezembro de 2024.

Integrou a comissão instaladora do Hospital de Leiria, entre 1993 e 1995. Foi nomeado para o cargo em dezembro de 2024, horas depois de a anterior administração, presidida por Licínio Carvalho, ter sido demitida. Manuel José Carvalho foi por três vezes eleito deputado municipal do PSD em Leiria, entre 1994 e 2013.

ULS do Arco Ribeirinho — Ana Teresa Xavier

Ana Teresa Xavier foi nomeada no Conselho de Ministros de março de 2025 para liderar a ULS do Arco Ribeirinho, em Setúbal. À altura, cumpria o segundo mandato como deputada municipal do PSD no Barreiro. Substituiu no cargo Maria Teresa Fernandes de Jesus de Sousa Carneiro, que tinha sido chefe de gabinete do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, quando Marta Temido liderava a pasta da Saúde.

Antes de ser nomeada presidente da administração da ULS do Arco Ribeirinho, Ana Teresa Xavier era diretora clínica da área hospitalar da mesma Unidade Local de Saúde, onde tinha anteriormente dirigido o serviço de oncologia. A médica oncologista também foi diretora clínica e diretora do serviço de oncologia no Centro Hospitalar Barreiro-Montijo.

ULS de Almada-Seixal — Pedro Azevedo

Uma das mais polémicas mudanças em administrações da área da saúde que o Governo da AD promoveu foi na ULS de Almada-Seixal. A anterior presidente do conselho de administração manteve-se em funções até ao final do seu mandato, apesar de ter sido convidada a sair pela Direção Executiva do SNS. Para o seu lugar, foi nomeado o militante do PSD Pedro Azevedo.

Natural de Almada, Pedro Azevedo é médico e professor assistente convidado na Faculdade de Medicina de Lisboa. Quando foi nomeado pelo Governo, em fevereiro de 2025, era coordenador de medicina interna na CUF Almada. Anteriormente, foi assistente hospitalar de medicina interna e chefe da equipa de urgência do Hospital Garcia de Orta, assim como médico em Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).

ULS da Cova da Beira — João Marques Gomes

Para presidir à administração da ULS da Cova da Beira, foi escolhido João Marques Gomes, um académico especializado em economia de Saúde. No currículo que acompanhou o despacho da sua nomeação, em outubro de 2024, não constava qualquer experiência de gestão hospitalar.

A revista Sábado escreve que Marques Gomes é militante do PSD. O dirigente máximo desta unidade de saúde da região da Covilhã integrou o gabinete do ministro da Educação, entre 2004 e 2005, anos de governação social-democrata. Por outro lado, o antecessor de Marques Gomes no cargo, João Casteleiro, é socialista e, em outubro passado, foi eleito presidente da Assembleia Municipal da Covilhã.

ULS do Alto Minho — José Manuel de Araújo Cardoso

O parceiro de coligação do PSD no Governo também tem um militante a liderar uma ULS. Trata-se de José Manuel de Araújo Cardoso que foi nomeado em janeiro de 2025 para a presidência da ULS do Alto Minho, onde o anterior conselho de administração foi exonerado por Ana Paula Martins. José Manuel de Araújo Cardoso é militante do CDS, tendo desempenhado funções como deputado municipal em Barcelos e mandatário dos democratas-cristãos no mesmo concelho para as eleições legislativas. Foi também membro dos órgãos distritais do CDS de Braga.

É licenciado em Economia, tendo completado formações complementares na área da gestão em saúde. Foi presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde, entre 2015 e 2018, e foi vogal não executivo da administração do Hospital Santa Maria Maior, em Barcelos. Também dirigiu um agrupamento de centros de saúde no distrito de Braga.

"Sabemos que se não despolitizarmos as nomeações para muitas das nossas ULS e garantirmos que as pessoas são nomeadas em função da sua experiência, do seu currículo, até das suas provas dadas, vamos ter sempre problemas na gestão"
Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares

Oito novos presidentes sem ligações ao PSD

Há ainda oito presidentes de ULS nomeados pelos executivos de Luís Montenegro que não têm ligações públicas ao PSD. Um destes novos administradores tem até um passado político ligado ao PS. António Sequeira foi deputado municipal eleito pelos socialistas em Coimbra para o mandato 2013-2017. O nome escolhido pelo Governo da AD para liderar a ULS de Viseu-Dão Lafões, em agosto de 2024, também foi membro do Gabinete de Estudos da Federação de Coimbra do PS, segundo o jornal Sol. António Sequeira tem um mestrado em Gestão e concluiu um curso de especialização em administração hospitalar. Dirigiu ao longo de quatro anos o Hospital do Arcebispo João Crisóstomo de Cantanhede e, durante outros três, esteve à frente de um agrupamento de centros de saúde na região centro.

Carlos Alberto Couto da Silva foi nomeado em abril deste ano para dirigir a ULS de Entre Douro e Vouga, quando o anterior presidente, o social-democrata Miguel Paiva, assumiu a direção da ULS de São José. É licenciado em economia pela Faculdade do Porto e ocupou vários cargos de direção administrativa e financeira no setor privado. Contudo, também tem experiência profissional na área da saúde pública: foi vogal dos conselhos de administração do Hospital Geral de Santo António, no Porto, do Centro Hospitalar do Porto e presidiu a administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa.

Alguns meses antes, o Governo nomeou Francisco Maio Matos para dirigir a ULS de Coimbra. O médico anestesiologista entrou em funções em janeiro deste ano após a anterior administração, liderada por Alexandre Lourenço, ter sido demitida pelo executivo. Começou a trabalhar no Centro Hospitalar de Coimbra há 17 anos e era diretor do Serviço de Anestesiologia da ULS de Coimbra quando foi nomeado para liderar a administração da unidade de saúde, em janeiro deste ano. É professor académico e doutorado em Medicina pela Universidade da Beira Interior.

A ULS de Amadora/Sintra foi a única administração hospitalar para a qual os executivos da AD já nomearam duas novas administrações, em cerca de dois anos. Sandra Cavaca substituiu Carlos Sá no cargo, que esteve nove meses à frente do conselho de administração daquela Unidade Local de Saúde. Era presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (nomeada por um governo do PS) quando foi escolhida para liderar uma das maiores ULS do país, responsável pelos cuidados a cerca de 600 mil pessoas. Foi secretária-geral do Ministério da Saúde durante sete anos, mas não tinha experiência hospitalar quando foi nomeada pelo Governo.

Para a ULS do Estuário do Tejo, o Governo escolheu, em novembro de 2025, Nuno Cardoso, que também não tem uma ligação pública ao PSD. É licenciado em gestão de empresas pelo ISCTE e tem experiência profissional como administrador do Hospital de Vila Franca de Xira, entre 2018 e 2021. Desde então até ser nomeado para a ULS do Estuário do Tejo, trabalhou na CUF como diretor de qualidade e segurança e, posteriormente, como diretor de auditoria interna.

Para liderar a ULS de Lisboa Ocidental, a escolha do Executivo, em setembro de 2024, recaiu sobre a médica infecciologista Isabel Aldir. Foi diretora médica do Hospital de Egas Moniz, em Lisboa, e diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH e SIDA da DGS. Também foi consultora de Marcelo Rebelo de Sousa para assuntos de saúde no seu segundo mandato em Belém.

Na ULS de Matosinhos, o nome escolhido para substituir António Taveira Gomes (que atingiu o limite de mandatos) na presidência do conselho de administração foi Nelson Pereira. O médico especialista em Medicina Interna e em Medicina de Urgência exercia como médico na urgência e de VMER na ULS de São João, no Porto. Antes, tinha sido diretor clínico da ULS do Tâmega e Sousa e diretor do departamento de Emergência Médica do INEM. Participou em missões internacionais em contexto de catástrofe e em cenários de guerra, ao serviço do INEM, da NATO e da Cruz Vermelha Internacional.

Por fim, o Governo nomeou, em dezembro de 2024, Miguel Lopes para dirigir a ULS do Alto Alentejo. É doutorado em Saúde Pública e pós-graduado em administração hospitalar. Integrou a administração do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, do Hospital Santa Luzia, em Elvas, do Centro Hospitalar de Setúbal e da ULS do Norte Alentejo. Além disso, foi secretário-geral da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e assessor da Direção da Escola Nacional de Saúde Pública.

*Notícia corrigida às 17h30 de 9/6/26 com referência à experiência de Pedro Marques como administrador hospitalar nos Açores