O mundo em que os nossos filhos estão a crescer está a mudar mais depressa do que nunca. A tecnologia, a Inteligência Artificial (IA) e novas indústrias estão a transformar a forma como vivemos e trabalhamos. Isto levanta uma questão importante sobre como preparar a próxima geração para um futuro em constante evolução.
Talvez as competências mais valiosas não sejam apenas o conhecimento, mas a curiosidade, a criatividade, a capacidade de adaptação e a inteligência emocional. As capacidades que ajudam os jovens a aprenderem, a colaborarem e a lidarem com a incerteza. A educação sempre foi sobre preparar as pessoas para o futuro. O desafio, hoje, é que o futuro está a mudar mais rapidamente do que nunca.
O setor da educação enfrenta, atualmente, um paradoxo: embora a infraestrutura e os serviços digitais estejam a avançar de forma constante, desde a análise de dados à automatização, a dinâmica da sala de aula permanece praticamente inalterada em relação às décadas passadas. A IA já está preparada para personalizar percursos de aprendizagem, identificar riscos de abandono escolar e melhorar a avaliação, mas este potencial transformador é aplicado sobretudo fora do ambiente quotidiano da sala de aula..
A União Europeia já delineou uma estratégia para esta transição, com a Comissão Europeia a promover o Digital Education Action Plan 2021-2027 e as Orientações éticas para educadores sobre a utilização da inteligência artificial (IA) e de dados no ensino e na aprendizagem. Em conjunto, estas iniciativas centram-se em três áreas-chave: competências digitais dos professores, uma cultura orientada para os dados, nas escolas, e guias práticos para a aplicação da IA a tarefas específicas.
Mas embora a IA facilite a aprendizagem personalizada, não substitui a interação humana. As atividades de grupo e colaborativas continuam a ser essenciais para manter a coesão e o sentido de comunidade. A nova escola tem de apostar em novas metodologias que promovam o pensamento crítico, a resolução de problemas e a criação de perguntas.
Se, no mundo industrial, a escola treinava para sermos fiáveis (chegar a horas, cumprir tarefas, seguir instruções, memorizar informação), o mundo de hoje pede que treinemos “estruturadores de problemas”, pessoas que vejam padrões que outros não veem, fazer melhor perguntas, desenhar soluções e criar sistemas em vez de os utilizar.
A tecnologia irá substituir as tarefas tradicionais de memorização e testes standard, pelo que temos de ensinar aquilo que nos torna humanos, o pensamento crítico e a ser construtores de ideias, soluções e negócios. Ou seja temos de promover a curiosidade, a experimentação e a resistência ao falhanço. Temos ainda de ensinar a liderar e a encontrar propósito nas suas ações.
Ou seja, temos de usar a IA, assim como todas as tecnologias, para promover percursos individualizados para colmatar dificuldades e encorajar o ensino. Temos de continuar a utilizar todas as metodologias e adaptações que permitam uma personificação do ensino à medida e promover o potencial de cada um. Depois temos de promover o pensamento critico, a inovação e resolução de problemas, promovendo as competências humanas que não podem ser mimetizadas pela máquina.