O Governo chinês acusou esta segunda-feira o jornal norte-americano New York Times de “difundir retórica separatista da independência de Taiwan”, na primeira reação pública de Pequim à polémica em torno da saída da correspondente Vivian Wang da China.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian criticou o jornal por se referir a Taiwan como “um país”, considerando que tal formulação “envia um sinal extremamente errado às forças separatistas” da ilha. Lin instou ainda o jornal norte-americano a “corrigir os seus erros”.
Sobre o caso de Vivian Wang, o responsável afirmou que a jornalista terá cometido alegadas irregularidades relacionadas com seguros durante a sua permanência na China como correspondente, o que, segundo disse, violou o regulamento que rege o funcionamento dos órgãos de comunicação estrangeiros no país.
De acordo com Lin, essas infrações levaram as autoridades chinesas a cancelarem as credenciais da jornalista.
O porta-voz acusou igualmente os Estados Unidos de exercerem pressão política sobre jornalistas da agência noticiosa oficial chinesa Xinhua que trabalham legalmente naquele país, alegadamente sob o pretexto de questões deontológicas.
Segundo Lin, a origem das atuais tensões entre os órgãos de comunicação chineses e norte-americanos deve-se a Washington ter “politizado unilateralmente as questões relacionadas com a imprensa”.
O responsável garantiu que a China tem facilitado o trabalho dos jornalistas estrangeiros e concedido vistos a repórteres norte-americanos, contrastando essa situação com as dificuldades enfrentadas, segundo afirmou, pelos jornalistas chineses que pretendem trabalhar nos Estados Unidos.
“Instamos a parte norte-americana a cumprir efetivamente os consensos alcançados sobre questões mediáticas e a adotar medidas concretas para garantir os direitos legítimos dos jornalistas chineses a trabalhar e viver normalmente nos Estados Unidos”, declarou.
No domingo, a presidência de Taiwan acusou a China de “interferir na liberdade de imprensa” e de “ameaçar os órgãos de comunicação”, após o New York Times ter noticiado que Pequim ordenou a saída de Vivian Wang devido ao descontentamento com uma intervenção em vídeo do líder taiwanês, William Lai, num fórum organizado pelo jornal.
Nos últimos meses, Pequim intensificou os esforços para limitar a presença internacional de Taiwan, ilha governada autonomamente desde 1949 e cuja soberania reivindica.
A China voltou este ano a bloquear a participação de Taiwan na assembleia anual da Organização Mundial da Saúde e tem aumentado a pressão diplomática sobre países terceiros.
Em abril, Taipé acusou Pequim de estar por trás da suspensão de uma deslocação de Lai a Essuatíni, após as autoridades das Seicheles, Maurícia e Madagáscar terem revogado autorizações de sobrevoo.