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(A) :: Substituições, bola nova, cromos e a vitória de Zagallo para Pelé se tornar Rei: as histórias do Mundial de 1970 (que deu o tri ao Brasil)

Substituições, bola nova, cromos e a vitória de Zagallo para Pelé se tornar Rei: as histórias do Mundial de 1970 (que deu o tri ao Brasil)

Zagallo substituiu Saldanha dois meses antes e conseguiu juntar Gerson, Rivellino, Tostão, Jairzinho ou Pelé na equipa. Os resultados ficaram à vista – e 107.412 assistiram à coroação final de Pelé.

Bruno Roseiro
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Depois da frustração do Mundial de 1966, em que o bicampeão não passou da fase de grupos, o Brasil entrou numa espiral de “caça às bruxas” sempre em torno do melhor sistema tático que pudesse potenciar todo o talento de gerações de ouro que se iam cruzando. João Saldanha foi chamado ao comando da equipa ainda em fevereiro de 1969 mas não chegou à fase final da edição de 1970. Uns apontavam para a influência da ditadura militar no país que não via com bons olhos um comunista no cargo, outros garantiam que só havia um problema e estava relacionado com a parte tática. Mário Zagallo, que ganhara em campo os títulos de 1958 e 1962, foi o escolhido por João Havelange para a Copa da redenção. E foi essa escolha, a cerca de dois meses do início da prova, que acabou por ajudar a escrever aquilo que se passou no México.

https://twitter.com/FIFAWorldCup/status/1804272331289669828

“Disseram que eu estava louco quando assumi colocar em campo cinco camisolas 10 ao mesmo tempo, até disseram que era impossível jogar com cinco camisolas 10 ao mesmo tempo. O que eu achei louco era deixar de fora Gerson, Rivellino, Tostão, Jairzinho ou Pelé”, comentou um dia o “Velho Lobo” Zagallo, explicando aquele que foi o grande segredo da conquista do terceiro Mundial do Brasil e de Pelé. Onde quase todos viam uma possível crise, o técnico encontrou a maior das oportunidades e aquela que ficou conhecida como o “Esquadrão de Ouro” pela forma como jogava futebol voltou mesmo a sagrar-se campeã numa edição em que ganhou todos os seis jogos realizados, goleando na final a Itália por claros 4-1 no Azteca.

https://twitter.com/Vintage77Ball/status/2061055384241185130

A edição de 1970 foi marcada por uma série de inovações, da bola nova da Adidas aos cartões, passando pelas substituições e pelas assistências que iam batendo recordes num país apaixonado pelo futebol, mas aquilo que ficou no final para a história foi a grande campanha da canarinha, que teve como exemplo paradigmático o quarto e último golo da final com a bola a passar por nove dos 11 jogadores (só o guarda-redes Félix e o central Brito ficaram de fora nessa jogada) antes da assistência de Pelé para o golo de Carlos Alberto. Antes, a campeã Inglaterra tinha caído após prolongamento frente à RFA nos quartos, que por sua vez falhou a final depois de perder também em tempo extra com a Itália naquele que ficou conhecido como o “Jogo do Século”. Depois, sobrou o título do Brasil, o prémio de MVP para o inevitável Pelé, o prémio de melhor marcador para Gerd Müller e o prémio de Melhor Jovem para Teófilo Cubillas, peruano que ficaria até 1972 no Allianza Lima mas que seguiria depois para a Europa antes de reforçar o FC Porto em 1974.

https://twitter.com/rjalhayyan/status/2061022625862689033

Uma história. A edição que teve o “Jogo do Século” (e que não envolveu o Brasil)

O Mundial de 1970 teve algumas histórias paralelas mas ficou praticamente resumido ao rolo compressor do Brasil de Mário Zagallo até à conquista do título. No entanto, e de forma quase paradoxal, foi também nessa edição que houve o denominado “Jogo do Século” para a FIFA: Itália-RFA. Roberto Boninsegna adiantou os transalpinos na meia-final, Karl-Heinz Schnellinger conseguiu empatar nos descontos e o prolongamento iria ter uma invulgar chuva de cinco golos, com Gerd Müller a fazer o 2-1 (94′), Tarcisio Burgnich a restabelecer o empate (98′), Gigi Riva a adiantar de novo os italianos (104′), Gerd Müller a bisar para os germânicos (110′) e Gianni Rivera, que tinha saído do banco, a fazer o 4-3 final no minuto seguinte (111′). Ainda hoje o mítico Azteca tem uma placa de homenagem que assinala a realização deste jogo a 17 de junho de 1970, com uma lotação acima dos 100.000 espectadores (102.444) para ver quem iria desafiar o Brasil na decisão.

https://twitter.com/FIFAWorldCup/status/1795795584659464608

Um herói. O Mundial em que Pelé se tornou Rei com uma imagem icónica em ombros

Campeão mundial em 1958, campeão mundial em 1962, derrotado ainda na fase de grupos com Hungria e Portugal em 1966 deixando o terreno de jogo em evidentes dificuldades físicas. Ali, em Inglaterra, aquela era a imagem de um príncipe do futebol que parecia ter conhecido o seu limite. Ao invés, à beira dos 30 anos, iria para ser coroado como Rei. Foi no México que Pelé se tornou o único jogador de sempre a ganhar por três vezes o Campeonato do Mundo rodeado de jogadores que para muitos faziam a melhor equipa de sempre num Mundial. O avançado brasileiro marcou na estreia com a Checoslováquia, bisou diante da Roménia e voltou a aparecer na final frente à Itália com um fantástico golo de cabeça que desbloqueou a partida até à goleada por 4-1. Entre “quase golos” e receitais de futebol, a icónica imagem de Pelé levado em ombros com a terceira taça de campeão mundial tornou-se um dos principais retratos do futebol.

https://twitter.com/GingaBonitoHub/status/2005484133603242337

Uma curiosidade. As primeiras substituições, a primeira Telstar e a primeira caderneta

O Mundial de 1970 foi pioneiro em várias pequenas histórias que ficaram para a história. Alguns exemplos: foi no México que se realizaram as primeiras substituições num jogo do Campeonato do Mundo, neste caso com o soviético Anatoliy Puzach a ser o primeiro jogador a entrar na partida inaugural com os anfitriões; foi no México que os árbitros usaram o sistema de cartões amarelos e vermelhos, com a particularidade de não ter havido qualquer expulsão ao longo da prova; foi no México que a bola Telstar da Adidas foi pela primeira vez utilizada depois da experiência no Europeu de 1968; foi no México que as transmissões chegaram pela primeira vez a cores a diferentes continententes; e foi também no México, ou a propósito da fase final do Mundial, que nasceu pela primeira vez uma caderneta de cromos da Panini sobre a competição.

https://twitter.com/TouchlineX/status/2052440606635434017

Como foram os resultados no Mundial de 1970

  • 31 de maio (fase de grupos): México-União Soviética, 0-0
  • 2 de junho (fase de grupos): Uruguai-Israel, 2-0, Inglaterra-Roménia, 1-0 e Peru-Bulgária, 3-2
  • 3 de junho (fase de grupos): Bélgica-El Salvador, 3-0, Itália-Suécia, 1-0, Brasil-Checoslováqui, 4-1 e RFA-Marrocos, 2-1
  • 6 de junho (fase de grupos): União Soviética-Bélgica, 4-1, Uruguai-Itália, 0-0, Roménia-Checoslováquia, 2-1 e Peru-Marrocos, 3-0
  • 7 de junho (fase de grupos): México-El Salvador, 4-0, Suécia-Israel, 1-1, Brasil-Inglaterra, 1-0 e RFA-Bulgária, 5-2
  • 10 de junho (fase de grupos): União Soviética-El Salvador, 2-0, Suécia-Uruguai, 1-0, Brasil-Roménia, 3-2 e RFA-Peru, 3-1
  • 11 de junho (fase de grupos): México-Bélgica, 1-0, Itália-Israel, 0-0, Inglaterra-Checoslováquia, 1-0 e Bulgária-Marrocos, 1-1
  • 14 de junho (quartos): União Soviética-Uruguai, 0-1 (a.p.), Brasil-Peru, 4-2, Itália-México, 4-1 e RFA-Inglaterra, 3-2 (a.p.)
  • 17 de junho (meias-finais): Brasil-Uruguai, 3-1 e Itália-RFA, 4-3 (a.p.)
  • 20 de junho (3.º/4.º lugares): RFA-Uruguai, 1-0
  • 21 de junho (final): Brasil-Itália, 4-1